O LEITOR ESCREVE
Ponte de Guaíra
Acompanhei com grande satisfação, nos meios de comunicação, as notícias sobre a inauguração, em Guaíra, da tão sonhada e esperada ponte sobre o Rio Paraná. Mas minha alegria não está completa. Refiro ao fato de ser denominada ‘‘Airton Senna’’. O nome deste extraordinário brasileiro, morto trágica e prematuramente, já homenageia inúmeras obras públicas no Brasil e no exterior. Não somente eu, mas inúmeros brasileiros gostariam de vê-la batizada ‘‘Sete Quedas’’. Sob ela, encobertas por poucos metros de água turva, jaz uma das maiores maravilhas da natureza de todo o planeta: as famosas e majestosas ‘‘Sete Quedas’’, afogadas por caprichos então chamados ‘‘estratégicos’’, pois com o aumento da quota de Itaipu se pretendia colocar um freio em certas aspirações do vizinho na jusante, a Argentina. Visto no contexto do panorama atual - Mercosul e integração de economias entre o Brasil e a Argentina - uma aberração, já percebida naquela época por homens de visão (anos 60). Mas este crime contra a natureza consumou-se sem grandes discussões e não poderá ser reparado.
- STEPHAN PURTSCHER GARDEMANN, Maringá
Prefeito assassinado
Já se passaram quase dois meses da morte do prefeito de Campina do Simão, município há pouco desmembrado de Guarapuava. Hamilton Dangui voltava de uma confraternização, sozinho, e ao fechar a porteira de sua fazenda foi fulminado por dois tiros, uma tocaia como nos clássicos da literatura brasileira. Tudo muito rápido, discreto e eficiente como costumavam ser as execuções mafiosas. Nascido e criado em Guarapuava, aqui dedicou seu trabalho e sua inteligência. Engenheiro agrônomo, pecuarista, vereador, presidente da Câmara, secretário municipal de Agricultura, diretor da Cooperativa e no final prefeito e presidente da AMCOPAR.
Seu funeral foi o maior das duas últimas décadas em Guarapuava. Maior que a violência desse assassinato é o silêncio que tomou conta da imprensa e das autoridades regionais. Como que no aguardo de outro acontecimento fatídico - um atropelamento, óbito de moribundo à porta do hospital etc.- que desvie e ocupe a opinião e a cobrança pública para causas menores. A população do Centro Oeste está assustada e apreensiva, os amigos de Dangui indignados. É por isso que clamamos à Folha, reconhecida nacionalmente por sua linha combativa e destemida, que ponha o peso da sua tradição e de sua credibilidade na divulgação e investigação desse assassinato. A população merece esclarecimentos.
- LUIZ ARAÚJO, Ponta Grossa
Por que não Hitler?
A respeito da opinião do sr. Abraham Shapiro, publicada na Folha, no ‘‘Espaço Aberto’’ dia 26, sobre o resultado da pesquisa entre 84 jovens formandos do Colégio Militar de Porto Alegre, dos quais cerca de 10% apontaram Hitler como personalidade histórica mais admirada, não vejo nada de preocupante em exaltar as qualidades que marcaram o nome do estadista de nacionalidade austríaca. Não objetivo defender a pessoa que realmente foi o ‘‘personagem responsável por uma das mais negras e sangrentas páginas da história da humanidade’’. Muitos dos outros dominadores foram iguais ou piores que Hitler na vasta história do homem em seu caminho pelo desenvolvimento social, técnico e espiritual.
Cito o nome de David, do Velho Testamento, que arrasou muitos pequenos reinados, degolando, empalando, violentando e escravizando milhões de seres humanos. Também os nomes (praticamente desconhecidos) que durante mais de cem anos mantiveram viva a Inquisição. Esta, sim, curiosamente, ninguém cita como uma fase admirável da história, tal a baixeza e a covardia com que os poderosos da época se aproveitavam do nome de Deus para eliminar desafetos, inimigos políticos e religiosos e indefesos expoentes científicos.
- STANLEY HENRIQUE BOOLZ, Marechal Cândido Rondon
Exemplo de amor
A Itália nos deu um excelente exemplo de amor, coragem e solidariedade, na semana passada. Trata-se de uma senhora que, sabendo que seu feto sofria de anencefalia, e por isso nasceria sem o cérebro, podendo sua vida durar algumas horas, em alguns casos semanas ou meses, decidiu-se pela honrosa escolha de deixar o bebê nascer, para, após a morte natural, doar seus órgãos a outros bebês que possam ter a vida mais apta ao desenvolvimento neste planeta. Que isso sirva de exemplo aos fanáticos que crêem nos dogmas materialistas. Salve a vida dos fetos, mesmo com má formação genética, senão pelo respeito ao espírito reencarnante ali presente, pelo menos, pela nobreza da solidariedade da doação dos órgãos íntegros, na expectativa de salvar novos seres humanos. Observamos que a Lei de Charles Darwing, pela sobrevivência na natureza, só vale para animais que não pensam e utilizam seu instinto selvagem. Em hipótese alguma vale para seres dotados de razão, que devem dar um sentido mais nobre à vida humana, respeitando valores de moral elevada, como expressos por Jesus Cristo, Sócrates e Platão, resumidos nesta máxima: ‘‘Fora da caridade não há salvação’’.
- WILLIAM JAMES PEREIRA JUNIOR, Jandaia do Sul
Visibilidade
Em todos os lugares procura-se plantar arbustos e arvorezinhas ao lado das rodovias e ruas porque eles dimuinuem a poluição ambiental e sonora. Em Londrina estão a cortar e podar estas plantas que se encontram no canteiro central das avenidas para aumentar a visibilidade dos veículos. No entanto, parece que estes vegetais dificultam o ofuscamento do motorista em sentido contrário.
- LUIZ CARLOS L. FRANCO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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