O LEITOR ESCREVE
Honoris causa
Insondável o que vai na cabeça desse pessoal das universidades britânicas, que distribuem títulos de ‘doutor honoris causa’ a mandatários estrangeiros a gosto da coroa, mas é certo que comparar o presidente Fernando Henrique ao imperador Júlio Cesar foi uma gafe pipr que a do francês que, na Guiana, o chamou de ‘presidente do México’. Primeiro, pelo ridículo do acostamento de duas estaturas tão díspares, a do gigante Júlio Cesar, que conquistou Roma e o mundo do seu tempo, levando estradas, aquedutos e civilização romana muito além das fronteiras do Lácio, e a estatura visivelmente mais modesta (ficou menor ainda ao lado de Cesar) do presidente Fernando Henrique, que chega ao término dos seus quatro anos de mandato repetindo que não dá para fazer nada sem antes reformar a Constituição que o impede, e até hoje não conquistou nem Ibiuna. Em segundo lugar, por que a imagem do ditador sanguinário caberia melhor a um Pinochet, do que ao nosso sorridente presidente.
- PAOLO MARANCA, São Paulo
‘Por que Hitler?’
Li na edição de domingo (25) a matéria ‘‘Por que Hitler?’, assinada pelo leitor Abraham Shapiro. Mais um vez vejo esse cidadão conclamando as pessoas que vivem por um ideal e protestam contra algo que representa perigo aos nossos filhos e a nós mesmos. Como evangélico expresso minha aversão pessoal ao neo-nazismo. Sim, este monstro existe também no Brasil. Mas eu tenho certeza que a Pátria do evangelho será soberana também no ‘‘aborto’’ de quaisquer ações que se nomeiem em nome das trevas e da morte. Não a Hitler. Não ao neo-nazismo. Sim ao evangelho e ao respeito à vida. ‘‘Orai pela paz em Jerusalém’’, diz o salmo. Que o povo evangélico ore e proteja a raiz da salvação, que se nutriu nos judeus e em Israel.
- EVANDRO DUARTE ORTIZ, Londrina.
Salário mínimo
O Governo Federal anuncia com entusiasmo que dobra o salário mínimo, tendo como ponto referencial julho de 1994, início do Plano Real. Na época, o salário foi fixado em R$ 64,79, que era igual a US$ 64,79, uma vez que o nivelamento em 1º de julho de 1994 foi feito da seguinte forma: URV = Real = Dólar. Anunciava-se ainda que seria o dobro em dólares, portanto, com a capacidade de compra também em dobro de bens e serviços com preços vigentes no país. Desta forma para se comprar realmente o dobro, em termos reais, faz-se necessário corrigir a base pela inflação oficial do período que foi de 66,39% de julho de 1994 a dezembro de 1997, medido pela INPC do IBGE e multiplicado por dois. Assim, tem-se: R$ 64,78 x 1,6639 = R$ 107,80 que embora nominalmente os 107,80 é maior que 64,79, em termos reais são exatamente iguais, ou seja, compra-se a mesma quantidade física de bens e serviços, portanto, para comprar de fato o dobro, ter-se-ia: R$ 107,80 x 2 = R$ 215,60. Assim sendo, o valor nominal de R$ 215,60, este sim representa o dobro em termos reais da base de R$ 64,79 de julho de 1994 e não os de R$ 129,58 oriundos da multiplicação de R$ 64,79 x 2 = R$ 129,58 aproximadamente R$ 130,00, mencionado pelas autoridades econômicas e políticas do país. Sabe-se que o salário mínimo quando foi instituído ou pelo menos tinha como objetivo central era propiciar padrão mínimo de vida razoável de sobrevivência para quatro pessoas, sendo o casal e dois filhos menores de 12 anos. Acontece que o salário mínimo de R$ 120,00 ou de 130,00, anunciados pelo governo, não satisfaz as condições supra mencionadas, portanto, independentemente de ser proposta pela campanha eleitoral, seria prudente o governo realmente dobrar em termos reais, podendo ser escalonadamente em dois anos para propiciar condições melhores de vida dos trabalhadores ou aposentados pelo grande mérito de fazer funcionar a economia deste país, no momento e também no passado como aposentados. Assim sendo, compete aos empregadores, tanto públicos quanto privados, ter a criatividade pela competência e esta pela inteligência, administrar os recursos existentes dentro dos princípios científicos da economia, da política e do âmbito social da população brasileira.
- ISMAEL MOLOGNI, economista, Londrina
Ponte Guaíra
Acompanhando o noticiário sobre a inauguração da ponte que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul, confesso que não contive a emoção e resolvi fazer o presente relato, já que não pude estar presente à inauguração histórica. Fui morador de Mundo Novo/MS por dezoito anos, mas em 1993 mudei-me para Maringá e sempre que volto àquela cidade e recordo dos tempos em que cruzava o Rio Paraná todos os dias, utilizando as balsas da Empresa F. Andreis, com destino a Umuarama, onde cursei a Faculdade de Direito. Centenas de vezes fiz aquela travessia e anos a fio acompanhei de perto a ‘‘novela’’ da construção da ponte, ora como espectador, ora como coadjuvante. Fui coadjuvante sim, pois embora não botando a mão na argamassa para construí-la, juntamente com muitos amigos de Mundo Novo (o prefeito daquela época e vereadores dos quais eu era um) e da comunidade de Guaíra, interrompemos o trânsito nos dois sentidos, nas duas cidades, para pressionar pela continuidade da construção da sonhada ponte. Este foi um dos capítulos da novela. Hoje a ponte é realidade e nós (eu, meus filhos e esposa) ficamos maravilhados a observá-la nesta Folha, quase nem acreditando que tudo é verdade... Mal podemos esperar pela oportunidade de atravessá-la e ir rever parentes e amigos no Mato Grosso do Sul, hoje muito mais acessível. Quando vejo uma obra desta natureza, concluída e beneficiando tanta gente, retomo a confiança na espécie humana e volto a pensar que este Brasil ainda tem jeito.
- MOISÉS ANTONIO AGOSTINHO, Maringá
Correção
O nome correto do empresário de Apucarana é Antonio Carlos Macarrão Machado e não José Francisco Macarrão, como foi publicado na reportagem de domingo, na página 6, ‘‘Apucarana, capital do boné, aposta todos os botões’’.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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