O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Novo Código
De fato, a nova lei de trânsito é oportuna; porém, mesmo antes de vermos seus resultados, podemos, sem futurologismo, prever algumas distorções que, com certeza, vão acontecer. Esta lei, de certa forma, está contra a realidade do país. Irá agora prevalecer ainda mais a corrupção de quem aplica a lei. Vejamos os filhos de ministros, desembargadores, etc, que aprontam por aí e não acontece nada contra eles. Por que? Simples: porque têm dinheiro.
- EDUARDO TOLOMEOTTI, Londrina
Privatizações
As privatizações neoliberais são um engodo onde grupos antinacionalistas organizaram-se para entregar as riquezas do Brasil (Petrobrás, Eletrobrás, Telebrás etc.) aos alienígenas. As privatizações neoliberais são a concentração da renda, a miséria, a desesperança, o desemprego, a destruição da cidadania e uma dívida impagável, a não ser com o trabalho escravo. Se não reagirmos à onda entreguista que assola o País, o Brasil será submetido a um atraso de 50 anos. Afinal, o programa neoliberal não privilegia criatividade nem conhecimento. O que vale é o grau de parentesco - nepotismo mesmo. Nesse contexto de terra arrasada, ainda há esperança. Em 1998, ano de eleição, os brasileiros poderão se manifestar a respeito do programa neoliberal.
- JOSÉ CONRADO DE SOUZA, Rio de Janeiro
Tecnologia e espiritualidade
Com a abertura constante das fronteiras do impossível, provocada pela alucinante evolução tecnológica e, em última análise, pela evolução do ser humano, estamos cada vez mais aptos e libertos para experimentar uma consciência espiritual mais desenvolvida e plena, aprendendo a extrair da religião os seus verdadeiros ensinamentos e também desvinculando-nos de algumas de suas questões menores ou meramente ritualísticas.
Assim, o desenvolvimento científico e tecnológico, ao contrário do que muitos ainda imaginam, não toma espaço e importância em relação à religião. Mas sim cria uma nova consciência de função e fertilização de conhecimentos e sentimentos, provando-nos concretamente as inesgotáveis possibilidades da natureza, do homem e de Deus.
- ITALO ROBERTO ZUAN BENEDETTI, Londrina
Antropologia
Estudos antropológicos nos mostram que, a partir de fins do século XV, europeus, principalmente portugueses e espanhóis, lançaram-se ao mar em busca de terras e tesouros desconhecidos. Acabaram descobrindo novos continentes e povos diferentes e de culturas diversas: índios, esquimós, negros, povos ilhéus... Para os descobridores, os povos eram e deviam ser saqueados, caçados e escravizados.
Imaginavam os europeus que os povos descobertos não descendiam de Adão e Eva e, portanto, estavam fora da graça de Deus. Em 1512, o papa declarou que também os nativos descendiam de Adão.
Os estudiosos e letrados da época não admitiam que os homens fossem iguais - até hoje, há discriminação racial. Em 1650, o arcebispo Ussher, depois de cuidadoso estudo bíblico, chegou à conclusão de que o mundo havia sido criado por Deus exatamente há 4.004 anos antes de Cristo e a maioria dos eruditos que se ocupava da história cultural humana aceitou a tese; o teólogo Lightfoot foi além e afirmou que o céu e a terra foram criados no mesmo instante, que o homem foi criado pela Trindade no dia 24 de outubro de 4.004 a.C., às nove horas da manhã.
A discussão teológica e científica, mesmo nos países ditos de primeiro mundo, continua até agora, fim do século XX. Estudos científicos nos mostram claramente, sem sombra de dúvida, que a Terra e o Universo como um todo existem há bilhões de ano. O homem deve saber da história humana e científica para evoluir nos conhecimentos, desapegando-se de ensinamentos arcaicos e sem fundamento científico ou mesmo empírico. A humanidade, na sua organização social, está em tenra idade. Ainda reverencia reis e autoridades religiosas...
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão.
Lição de cidadania
Acostumado a ter meus direitos de cidadão constantemente desrespeitados, fui pego de surpresa quando alguém saiu intransigentemente, mais do que eu próprio, em defesa deles. Em dezembro do ano passado, comprei um pacote de figo seco - importado da Turquia - no Carrefour. Ao mastigar um desses figos, meus dentes deram o azar de encontrar uma pedra e um deles se quebrou. Perda total. Tive que implantar uma prótese. Antes disso, munido do figo, da pedra, dos pedaços do dente e da nota fiscal, fui ao Carrefour registrar uma reclamação.
Fui prontamente atendido pelo sr. José Antonio Machado, gerente de atendimento a clientes. Relatei-lhe o ocorrido e ele, imediatamente, tomou providências: registrou a queixa, ligou e enviou uma reclamação por escrito para São Paulo, devolveu-me o que havia pago pelo figo e garantiu-me: Vamos ressarcir seus prejuízos materiais. Pediu-me para que, assim que terminasse o tratamento, lhe encaminhasse o recibo para que providenciasse o ressarcimento. Agradeci a atenção, mas, confesso, saí de sua sala não acreditando que a empresa me ressarcisse.
Mas, como havia me comprometido, ao término do tratamento, em 21/01/98, levei-lhe pessoalmente o orçamento e o recibo de pagamento. Novamente fui prontamente atendido. Perguntei ao sr. Machado se ele se lembrava de mim. Para minha surpresa, ao vir atender-me, já trazia em mãos uma pasta com o meu caso. Entreguei-lhe os documentos. Garantiu-me que em dois dias o cheque estaria pronto.
Novamente, incrédulo, duvidei. No dia seguinte, ligou-me em casa e pediu-me para passar lá no dia seguinte para apanhar um cheque no valor total do tratamento dentário. Dia 23 de janeiro, passei no Carrefour e lá estava o sr. Machado com um cheque em mãos à minha espera.
Fiquei pasmo! Me senti um cidadão respeitado em seus direitos. Mais que isso, testemunhei o empenho de uma pessoa e a responsabilidade de uma empresa em defesa desses direitos. Prejuízo? Sim. Perdi um dente. Ganhei uma prótese. Mas isso tornou-se insignificante diante da satisfação que senti em ser respeitado e valorizado. O episódio valeu uma boa reflexão.
- PAULO CÉSAR BONI, jornalista e professor universitário de Londrina





