O LEITOR ESCREVE
Competência e consciência
Temos acompanhado de perto, nestes últimos anos, o comportamento, as ações e a atuação dos nossos representantes no Parlamento Nacional. Vimos com grande tristeza a frieza e o desinteresse com que a maioria dos parlamentares tratam daquilo que vem ao interesse da população. Preocupam-se somente em negociar aquilo que atende aos seus próprios interesses e o que é de interesse dos grupos econômicos a que pertencem. Piores são os artifícios e as manobras de manipulação que usam para envolver e justificar esse emaranhado de coisas. Pensam eles que agindo dessa maneira legislam pela razão, e não se preocupam, em nenhum momento, com as consequências trágicas e doloridas para o povo, que vê com agonia direitos já garantidos sendo suprimidos, difícil sobrevivência, falta de uma vida digna e a ausência de perspectiva futura. Vê a cada dia um pequeno grupo tendo mais.
É claro, temos parlamentares, embora em minoria, que honram a confiança da população neles despositada. Procuram desenvolver suas ações sempre voltadas para os anseios e a vontade da população. Atuam com firmeza. Neste ano eleitoral é necessária uma grande reflexão política de toda a sociedade. É importantíssimo avaliarmos os candidatos, qual seu compromisso real com os anseios e interesses da população. Precisa, acima de tudo, ter competência, mas que ajam com consciência. Precisa estar comprometido com as causas do povo. Todos nós clamamos por profundas mudanças políticas. Um dos passos para que isto aconteça é escolhermos bem os candidatos.
- Pe.ANTONIO TALIARI, São João do Ivaí
Código de Trânsito 1
Difícil mesmo é entender como as leis no Brasil são feitas no impulso e não na reflexão. Como a colocação, goela abaixo, do Código Nacional de Trânsito. Torcemos para que tanta pressa não esteja fundada apenas na ânsia de alguns em faturar politicamente ou em busca de recursos, via pesadas multas que irão abarrotar a memória dos computadores para os cálculos e repasse para os Estados e municípios. Torcemos para que cheguem ao seu destino e não se dispersem para pagar a propaganda enganosa em benefício dos donos do Poder.
Perdeu-se a grande oportunidade de propiciar amplo debate e diálogo com a população. Agora estão envolvidos pedestres, motoristas, viajantes e pilotos das fórmulas Indy e 1. Muitos fazem de seu veículo uma arma e as vítimas, sempre indefesas, são pessoas simples e humildes, e que não possuem air bag para sua defesa. Triste Brasil, onde a Educação é vista pelos políticos e donos do Poder como custo e não como investimento no ser humano. Como ficarão os carrinhos dos catadores de lixo? Terão que possuir sinalizadores? Pagarão IPVA além de contribuir em muito com a limpeza da cidade, ou serão todos tirados de circulação para dar lugar aos milhares de veículos novos? Em Curitiba são aproximadamente 5.000 por mês. Enquanto isso nossas árvores não conseguem crescer, principalmente pela atitude de vândalos e assassinos da natureza.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Código de Trânsito 2
Nós, brasileiros, temos obrigação de elogiar as autoridades que aprovaram o novo Código de Trânsito. Isso porque o trânsito brasileiro está lotado de bandidos e assassinos, que sempre ficaram impunes. Com essa nova lei vai diminuir o banditismo no trânsito.
A maioria está contra essa nova lei porque está acostumada a praticar desordens. Essa lei tem que ser cumprida. Se ela não funcionar não ficará bem para as autoridades. Mas acreditamos que vai funcionar. Essa lei tem que valer para os ricos e para os pobres. Meus parabéns a quem aprovou esse novo código.
- MANOEL CASSIANO DA SILVA, aposentado, Foz do Iguaçu
Alegria
Na década de 70 minha geração do Colégio Estadual ‘Vicente Rijo’, em Londrina, sabia de cor o time tricampeão mundial de futebol no México: Félix, capitão Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gerson, Jairzinho, Tostão, rei Pelé e Rivelino. Além do goleiro reserva Ado, londrinense, filho de um professor do nosso colégio. O técnico João Saldanha havia formado a estrutura da seleção, mas foi substituído por um apadrinhado da ditadura militar. Nesse contexto histórico, raramente deixava de comparecer ao Estádio Vitorino Gonçalves Dias para assistir aos jogos do Londrina. Foi uma fase legal. Quando o time estava perdendo a torcida gritava em coro: ‘‘Coloca o Zé Miguel’’. O técnico punha o Zé Miguel em campo e a torcida gritava: ‘‘Tira o Zé Miguel’’. O atleta foi transferido mas ficou no coração da torcida. Seu nome tornou-se carinhosamente eslogam de protesto da galera.
O Londrina ganhava de 9 a 0 sobre o Umuarama. Jogava no LEC um tal de Uiliam, com U mesmo. Era tão ruim de bola quanto a grafia do seu nome. No crepúsculo da partida, quando o time da cidade goleava, o centroavante Uiliam entrou. Nas arquibancadas tudo era alegria. A bola rebatida pelo goleiro do Umuarama cai nos pés de Uiliam, em posição duvidosa. Gol aberto, era só tocar para o fundo da redes, e foi isso mesmo que Uiliam fez. O atleta comemorou seu feito como se fosse o último da sua vida. Ao ver confirmado o gol, comemorou no estilo Pelé/Jairzinho, dando socos no ar. Depois Uiliam jogou-se na grama deslizando de joelhos e foi parar na areia da pista de atletismo. Em seguida fez o sinal da cruz, agradeceu tanto a Deus que comoveu os que estavam no estádio. Dizem as más línguas que o técnico do Londrina comentou ironicamente: ‘‘Esse cara quer que eu perca o emprego’’. Por onde andam Zé Miguel e Uiliam?
- CARLOS YOSHIO OKAWATI, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

mockup