O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Cultura da violência
Depois de assassinar três pessoas e aterrorizar milhares em São Paulo, nos anos 60, o Bandido da Luz Vermelha ganhou pela última vez notoriedade e capa das primeiras páginas dos grandes jornais e comentários em horário nobre nos telejornais. Triste mundo em que vivemos, onde a noticia violenta é que ganha destaque e vende mais. Enquanto isso, em São Paulo, outro facínora, depois de cumprir quase o total de sua pena, será libertado em agosto. Depois de esquartejar mulheres e levar pânico a outras, o Chico Picadinho ao sair vai para os talk-shows, Domingão, Domingo Legal, Hebe, e Ratinho e Cia. Isto é Brasil... Onde a violência também é cultura...
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Genrocracia
A última palavra em ciência política é a teoria da genrocracia radical, em que o Estado deve estar preparado para uma interlocução em geometria variável: ouve todos, avalia e decide. Por exemplo, os rapazes do Banco Central dizem que falta dinheiro nas contas. Você avalia e decide: aumento de 10% no Imposto de Renda, de 28% no seguro obrigatório dos carros, de 100% nas taxas de embarque da Infraero. E está resolvido o problema.
É uma geometria variável. Se a interlocução leva você a criar a Secretaria dos Direitos Humanos, aí se forma aquela polêmica desagradável: você manda o secretário dar bastante entrevista e não dá verba nenhuma, atendendo outra vertente de interlocução, a do Banco Central.
Cada caso é um caso. O senador Humberto Lucena diz que o governo não tem sensibilidade em relação ao funcionalismo, que pede reposição de perdas salariais antigas, mas não é isso, porque aumento de salário é inflacionário. Aumento é só para impostos, taxas, tarifas e preços. Você avalia e nega, porque funcionário tem estabilidade e não há risco de pedir demissão. Essa teoria faz o maior sucesso na exposição da London School.
O cidadão não é mais simplesmente o eleitor. É um genro, uma tia... Você tem vaga, nomeia. Não tem? Você põe um na rua e abre a vaga. Não dá para demitir? Você cria uma agência nova, de preferência com muitos bilhões, e arruma um monte de vagas. Ajuda os amigos. Escolhe uma vaga melhor e enfia o genro.
A genrocracia radicalmente pluralista vai resolver o problema da exclusão. Entenderam? Agora, não vale ex-genro, nem genro dos outros. Sou fã incondicional da radicalização da genrocracia.
- PAOLO MARANCA, São Paulo
Comercial da Globo
É muito bonito o comercial da Fundação do sr. Roberto Marinho, dono da Globo, exaltando a Educação, e agora o Meio Ambiente. Certamente, outros tantos virão com o mesmo objetivo e com o mesmo tema musical. Só não concordo é com a omissão dos nomes dos autores do tema usado no comercial: Vinícius de Moraes e Baden Powell. A canção no caso é o clássico Samba em Prelúdio.
O fato de a Globo ter obviamente pago e - muito bem - aos herdeiros de Vinícius e a Baden Powell, não justifica a não vinculação do nome dos autores, mesmo porque, muitos pensam (as crianças e os mais jovens, principalmente) que a música foi feita exclusivamente para o comercial da Globo.
Nada mais justo, portanto, se a emissora divulgasse, junto com as chamadas, o nome de Vinícius de Moraes, autor da letra, e de Baden Powell, compositor do tema de Samba em Prelúdio.
- SERGIO GIAVARINA, Jataizinho
O governo não quebra
Quem está pagando a conta dos erros econômicos do governo é o povo brasileiro. Especialmente os servidores públicos, que estão há mais de três anos sem reajuste de vencimentos. Se a inflação acumulada nesse período é de 65%, essa é a perda imposta ao servidor pelo erro cometido na formulação econômica do governo. Que a inflação esteja contida, é uma necessidade. Porém, a que preço? O fato de o governo negar reposição da inflação aos seus servidores, ao meu ver, trata-se de uma confisco salarial.
Depois que tudo estiver privatizado, quando não haverá mais o que vender, provavelmente os servidores poderão ficar até mesmo sem os seus vencimentos. O governo não quebra. Quem quebra são os agentes econômicos.
Para que fosse mantido o câmbio congelado, foi preciso aumentar as taxas de juros, para que não houvesse fuga de capitais. Essas taxas de juros escorchantes levam embora, de forma brutal, todas as receitas obtidas com as privatizações e com as economias feitas em cima dos servidores.
Essa teimosia no congelamento do câmbio tem levado países ditos de economias emergentes a situações bastante complicadas. O Brasil, segundo alguns economistas, está entrando num beco sem saída. O governo não quebra. Quem quebra são os servidores públicos, sem reajuste há mais de três anos.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Guardadores de carros
Um dos fatos mais constrangedores que todos os motoristas enfrentam ao se deslocarem com seus automóveis, inicia-se quando são obrigados a estacionar seus carros em locais administrados pelos guardadores. Em princípio, esta é uma ocupação não oficial e muito menos regulamentada, que gera aborrecimentos e preocupações para todos aqueles que zelam pelo seu patrimônio. É muito comum vermos tais profissionais à espera de motoristas e seus trocados, que por medo (e não por colaboração ou altruísmo ) intimidam-se com as ameaças sempre sutis e implícitas quanto ao bem-estar da lataria e dos componentes do veículo.
- ERIC MICHELUCCI, Londrina
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