O LEITOR ESCREVE
Depois do Natal
‘‘Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho à sua terra’’. (Mateus, cap. 2, vers. 12). ‘‘Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio’’. (Salmos 90, vers. 12)
Os magos voltaram, mas por outra estrada... (Depois da festa, pode vir a nostalgia...). Mas eles voltaram com fé, alegria e a bênção de Deus, em Cristo revelada. Sem canseiras da longa jornada, não careciam mais da luz da estrela-guia. A luz do Senhor então os conduzia na senda espiritual, feliz, iluminada. 1998! Voltamos ao jornadear dessa vida, com a benção do Alto, a Graça imerecida. Não voltaremos à descrença ou à revolta. Quem contará os seus dias com sabedoria? Quem voltará a trilhar com fé, alegria e otimismo a sua estrada de volta?
- ÁLVARO FERREIRA NEVES, Londrina
MPs - uma urgente revisão!
Nosso ordenamento jurídico em vigor contempla o sistema da ‘‘Separação dos Poderes’’, onde cada Poder desempenha funções típicas, específicas. Ao Poder Judiciário, incumbe dirimir controvérsias jurídicas. Ao Legislativo, a elaboração de leis. Ao Executivo, administrar a máquina estatal. É o sistema de freios e contrapesos (‘‘checks and balances’’), em que a atividade de cada Poder caracteriza-se como forma de contenção de outro, coibindo, pois, a arbitrariedade, senda marcante nos Regimes Absolutistas.
A par das funções típicas de cada Poder Estatal, excepcionalmente, um Poder pode desempenhar funções do outro. É o caso, por exemplo, da medida provisória, que o presidente da República, presentes os requisitos da ‘‘relevância e urgência’’, acaba por Legislar. Tal medida, porém, há de ser submetida à apreciação do Poder Legislativo, e, se não convertida em lei, no prazo de 30 dias, perderá sua eficácia.
Na prática, porém, dificilmente o Legislativo aprecia a medida provisória em tempo hábil, e a solução é simples: o Executivo a reedita. De provisória, a medida passa a assumir feição de definitiva, em autêntica subversão à independência e harmonia entre os Poderes Estatais (CF, art. 2º).
Tais circunstâncias bem revelam a perene insegurança a que está submetido o povo brasileiro, sobretudo pela sempre provável edição de planos econômicos que, do dia para a noite, alteram todo um quadro político-econômico-jurídico institucional, compelindo o cidadão a se adaptar a novas realidades, por vezes sem os mínimos recursos financeiros, ‘‘e.g’’, Plano Collor.
Quer nos parecer que não seria este o móvel precursor da existência da medida provisória, qual seja fazer do presidente da República um verdadeiro legislador (ditador). Talvez o maior deles - pelo menos em termos estatísticos - nos últimos tempos. Diante deste cenário, urge uma reforma na matéria... No momento em que o Congresso se reúne, extraordinariamente, e ralaciona em sua pauta a revisão da matéria, é imprescindível que o cidadão esteja atento aos caminhos que seus representantes estejam trilhando para conter tais abusos.
- JOSÉ RICARDO ALVAREZ VIANNA, Londrina
Privatização, até quando?
O processo de privatizações começou no governo Fernando Collor. Já o governo Fernando Henrique Cardoso privatizou várias estatais e autarquias, inclusive a Vale do Rio Doce e Petrobrás - orgulho dos brasileiros e dos funcionários que lá trabalham. Como são mal administradas - geralmente por pessoas apadrinhadas e indicadas pelos grupos que mantêm diferentes interesses - o governo tira proveito disso e convence a mídia de que a única saída é privatizá-las.
Temos vários exemplos de estatais que fechavam no vermelho e que hoje dão extraordinários lucros. E não era a mesma empresa, o mesmo produto comercializado ou produzido? O segredo é a boa administração. Quantos bilhões de reais entraram nos cofres da União com as vendas das estatais? Onde foram? O que mudou? O que melhorou para o povo, se hoje pagamos mais impostos do que antes das privatizações? Há quatro anos, estamos descapitalizados. A classe média ficou pobre. E a pobre, paupérrima. Assistimos a tudo isso e até achamos que estamos no caminho certo. Até quando?
- CELSO ALEGRA - Nova Aurora (PR)
Cine Ouro Verde
Após pegar dois ônibus e andar quase 400 metros, sob um calor intenso, cheguei ao cinema mais tradicional de Londrina, um espaço conceituado como centro cultural da cidade, local onde sempre assisti a bons filmes.
- Um ingresso.
- Não posso vender.
- Por que?
- O senhor tem de aguardar ... Só iremos passar o filme se houver no mínimo três pessoas... Senão, teremos que cancelar a sessão.
Indignado com a explicação da jovem da bilheteria, voltei para casa, lembrando que o Cine Ouro Verde completou 45 anos sem que os desavisados suspeitem de qual tem sido a frequência por sessão nos últimos tempos. Tentem adivinhar, assinalando a alternativa: a) trezentas pessoas; b) trinta; c) cinco ou nenhuma. A opção mais próxima da verdade é a última.
Considerando a atual conjuntura econômica do país e que o cine-teatro Ouro Verde é vinculado a uma instituição educacional pública, o preço de R$ 5 pelo ingresso está salgado demais. Os outros cinemas comerciais semanalmente realizam promoções a R$ 2 ou R$ 3 para atrair público. Uma das alternativas para reconquistar os espectadores seria baixar o preço. Outra seria fazer promoções, além de um pouquinho de boa vontade e criatividade. Também merece um puxão de orelhas a chamada ‘‘elite cultural’’ da comunidade local, que não tem prestigiado a programação dos filmes alternativos de qualidade do cine Ouro Verde, nem mesmo quando lá exibiram ‘‘O Atalante’’, de Jean Vigo, clássico raro e restaurado, projetado para alguns gatos pingados. Uma pena, pois o cinema, além de boa diversão cultural, é uma palácio de sonhos onde não raro encontramos o melhor da criatividade universal.
- CARLOS OKAWATI, Londrina

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