O LEITOR ESCREVE
Ano do tigre
Em 1997, a contabilidade das perdas e ganhos foi grande. Aliás, como se repete a cada período do calendário gregoriano. Se foram Darcy Ribeiro, Antonio Callado, Paulo Francis e até Lady Di - dizem que a perda é nossa. Não sei por que, mas deve ser efeito da massificação imposta pela aldeia global, como dizia McLuhan. Ganhamos a luta contra as estatísticas inflacionárias, por mais manipuláveis que sejam. O dragão da inflação não assolou a parcela mais miserável da nação, embora o fantasma do desemprego tenha engordado em cada esquina. O Plano Real perdeu sua virgindade de moçoila inexpugnável com o pacote resultante do dominó avassalador vindo da Ásia. Mesmo assim, promete ainda ser a grande bandeira eleitoral deste ano.
Por falar nele, 1998 promete. O ano do tigre, calendário chinês, vai exigir nervos de aço. Na Corte brasiliense, o assanhamento com os olhos voltados para as urnas primaveris de outubro dá coceira como urtiga.
Tudo o que for feito após o Carnaval o será dentro da contabilidade eleitoral. A reforma tributária tão desejada e decantada deve ir para as calendas. A administrativa deve passar até abril. A previdenciária é um nó muito apertado que nem os escoteiros do planalto devem conseguir desatá-lo, apesar de todo o ‘‘tour de force’’ que deve ser feito. Na casa dos cidadãos, permanecerá a expectativa de que o mercado formal de trabalho não encolha mais. A esperança é manter acesso ao feijão, massa, arroz e frango.
O Movimento dos Sem-Terra promete muito barulho para conturbar a reeleição do presidente-estadista. Mesmo assim, muito crescerão as bancadas oposicionistas nas eleições de outubro, criando um calo no sapato com que FHC trilhará seus próximos caminhos.
- VILSON ANTONIO ROMERO, Brasília.
Olho no Congresso
O ano de 1998 começou muito bem, obrigado. Resta agora confiar nos órgãos de imprensa falada e escrita, no sentido de uma cobrança maior ao Congresso, que está emperrando o desenvolvimento do País. Não restam dúvidas: as Reformas Constitucionais são necessárias. Quaisquer crises na economia da Ásia nos empurrarão ao abismo das profundezas do mar inflacionário que recairá sobre nossos ombros de trabalhadores e batalhadores brasileiros, incansáveis na luta diária da sobrevivência. É preciso oferecer imediatamente um projeto viável à nação, e que os ‘‘pseudogovernistas’’ votem com o governo e que a imprensa denuncie que é quem, inclusive o sr. Delfim Netto, um dos responsáveis diretos pela situação atual, quando ministro da economia nos diversos governos militares e José Sarney, que empurrou o Brasil ao FMI e a uma inflação estrondosa. Senhores congressistas: ponham-se a trabalhar ou o povo não vai mais aturá-los.
- WILLIAM JAMES PEREIRA JUNIOR, Jandaia do Sul.
Árvore ameaçada
Sou teimoso, renitente, mas não tenho o prazer da baderna, da confusão. Luto por uma árvore porque ela é um emblema gritante de nossos confusos comportamentos em relação aos interesses frequentemente mesquinhos e retrógrados de moradores que se julgam donos dos terrenos públicos lindeiros às suas propriedades. São desmatadores-mirins, que contam frequentemente com o silêncio e a cumplicidade dos órgãos públicos criados para preservar o meio e melhorar a qualidade de vida. Por favor, parem de destruir o patrimônio verde de Londrina, voltem a exigir a replanta dos nossos verdes abatidos, enfrentem os argumentos de poderosos em poder, dinheiro, como de pobres de espírito comunitário. Com triste frequência, estas coisas andam juntas!
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, Londrina.
Paraná 12 meses
Li o artigo de autoria do sr. Marcos Elias Traad da Silva, intitulado ‘‘Paraná 12 meses e a sua história’’, publicado na edição de domingo da Folha esperando encontrar nele algo de interessante, e não o que de fato encontrei. Eu que fui e continuo sendo eleitor de Lerner (sem demérito para Requião e Álvaro Dias, que já governaram o Estado e se declararam candidatos à próxima eleição), não posso admitir que um político da estatura do atual governador não conhecesse, na campanha de 94, toda a problemática que envolvia o setor primário da economia paranaense. Mas é o que ficou dito no artigo referido, que, sinceramente, não devia ter sido publicado, uma vez que em nada vem ajudar a campanha de Lerner. Este certamente será reeleito e tem tudo para conduzir o Paraná ao lugar que ele merece, como já demonstrou ao colocá-lo como o segundo pólo automotivo do país, pelo arrojado plano viário em andamento, bem como tantas outras realizações que serão trazidas a público. Por isso, se o sr. Marcos Elias quiser ajudar Lerner (fato em que acredito) em sua campanha para a reeleição, que o faça com um pouco mais de perspicácia, não subestimando os conhecimentos e a capacidade do governador.
- WALTER DE OLIVEIRA, Bandeirantes
Igreja e Aids
A Igreja hoje vive pelo menos cinquenta anos atrás do povo católico, pois essa grande maioria já se conscientizou da necessidade de nos adaptarmos aos modos de vida atuais. Enquanto isso, a Igreja burramente bate nas teclas do não aos preservativos, não aos anticoncepcionais, não aos abortos, mesmo aqueles praticados em consequência de violência sexual. Será que Jesus quer que morramos precocemente de Aids ou soframos em demasia toda vez que olharmos para o fruto de uma violência sexual? O povo católico deve se rebelar contra algumas imposições feitas pela Igreja para que não seja taxado de alienado.
- PATRÍCIO COSTA, Londrina.
Correção
A foto da matéria ‘‘São Francisco quer surpreender turistas’’, publicada na página 3 da Folha Turismo de 5 de janeiro é da Bay Bridge e não da Golden Gate como foi publicado.

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