O leitor escreve

A fraude informatizada
Aproximam-se as eleições. O quadro é basicamente o mesmo: muita propaganda, muitas pesquisas, muito dinheiro gasto, muitas promessas mentirosas, muitas disputas, muitos debates, enfim, muito quase tudo. Pouco, só o tempo da apuração dos votos. Não há dúvidas. É só conferir.
Mas, da lisura, infelizmente, ainda não podemos muito confiar, uma vez que o sistema é idealizado, planejado, operado, supervisionado, apurado, fiscalizado, analisado, criticado e aperfeiçoado, enfim, realizado por pessoas normais que, embora decentes em sua maioria, acredito, são pertencentes a uma sociedade já internacional e desgraçadamente classificada como corrupta (vide recente visita do presidente Clinton). E os casos de fraudes nas eleições anteriores não são de memória tão remota, e muitos daqueles candidatos e apuradores, ou seja corruptores e corruptos, envolvidos naqueles escândalos, acredito, ainda andam por aí.
Por isto, entendo que somente a mudança material do sistema, ou seja, a informatização, não eliminará totalmente as fraudes, e que há uma real necessidade de medidas complementares, até porque, quando ‘‘informatizadas’’, aquelas são muito mais difíceis de ser detectadas e, principalmente, terem os seus responsáveis conhecidos, e consequentemente, punidos.
O atual sistema pode apurar rapidamente, mas só com ele nenhum eleitor terá, hoje, plena certeza que o seu voto digitado na maquininha do TSE foi verdadeiramente proporcionado ao candidato escolhido. Pessoalmente eu entendo haver maneiras (e simples, pelo menos tecnicamente) de se corrigir estas deficiências, e acredito plenamente na capacidade de nossos técnicos de fazê-lo ainda para estas eleições, embora creia que o código secreto recebido na hora da digitação, com sua posterior publicação relacionada ao candidato, seja uma idéia razoável de evitar-se as fraudes.
Espero apenas haver o já tão ‘‘cantado e decantado, em prosa e verso’’, interesse do(s) político(s) pois, se até agora nenhum deles apontou qualquer deficiência do sistema e quando, pelo menos acima os citados, entendem que tudo vai bem, nós, o povo, é que temos de tomar muito cuidado.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro, RJ.
Erros de português
Os milhares de leitores da Folha devem ter observado uma mensagem publicada no Caderno de Classificados-pág.3, em 31/12/97, com um gravíssimo erro de português (‘‘falace’’ ao invés de falasse), discordância verbal e inexpressividade. Por ser matéria paga e principalmente em respeito ao leitor, os editores ou revisores desse jornal, pela sua experiência e conhecimento no assunto, deveriam ter tido o cuidado de contatar o anunciante para tentar ajudá-lo a expressar os seus sentimentos e fazer as devidas correções no texto. Espero que a sugestão entre em vigência neste ano que se inicia.
- JOÃO TOMAZ DE AQUINO, Londrina.
Saúde mental
Um amigo foi convidado a participar do recente 3º Encontro Nacional da Luta Antimanicomial, em Porto Alegre. Na plenária, segundo ele me conta, os participantes entusiasticamente gritaram em coro: - Eu sou malucooo! Eu sou malucoo!.... Manifestação que leva ao sorriso e à comoção, num mundo em que tantas vozes de ‘‘bom senso’’ passam o ano clamando por seus interesses corporativos e políticos de todo tipo, defendendo seus negócios, suas paróquias e seus quintais, para em dezembro dizer coisas hipócritas em nome do Natal, como se seus apegos fossem exemplo do Amor maior.
O caso realmente é mais para sensibilizar que para rir, pois os testemunhos desse 3º Encontro comovem qualquer ser humano. Um rapaz viciado em maconha foi internado no manicômio, e todas as vezes que ia receber o tratamento de eletrochoque (eletroconvulsoterapia), ajoelhava-se, pedindo misericórdia e, num ato de desespero, lambia o chão sob a sombra do médico... Um outro recebeu várias pancadas no rosto. Como consequência teve ‘‘afundamento’’ na face e graves problemas neurológicos. Hoje ele ouve mal e se comunica com dificuldade. Estes depoimentos são os mais suaves em relação aos outros testemunhos.
Foi aprovada na Assembléia Legislativa do Paraná, em 1995, a chamada Lei do Deputado Rosinha, que estabelece a criação de serviços alternativos de assistência ao enfermo mental, em substituição ao atual modelo hospitalocêntrico. O prazo para ser aplicada é de três anos, expirando em novembro deste. Atenção governantes: tratem de arregaçar as mangas e mãos à obra na criação de hospitais-dia, pensões abrigadas, etc. Faltando dois anos para o final do milênio, esperamos que os princípios dos direitos humanos de 1789 sejam respeitados no Paraná.
- CARLOS OKAWATI, Londrina.
CORREÇÕES
- O vencedor da 73ª edição da prova internacional de São Silvestre, Emerson Iser Bem, é paranaense, e não paulista, como publicado pela Folha na edição da última quinta-feira. Ele nasceu em Santo Antônio do Sudoeste e reside atualmente em Piracicaba (SP). Erro foi originado por texto enviado à Folha pela Agência Estado.
- Por uma erro de informação, a Folha publicou na edição do dia 24 de dezembro, na página 4 da Folha Economia, como sendo o autor do projeto do empreendimento Agroshoping 2000 a empresa de consultoria Shopping Malls Expertise, de Curitiba. A autoria do projeto é do presidente do Agroshopping 2000, Orides Arantes, em conjunto com Cleytony Silva. O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Temístocles Spartalis (Grego).

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