O leitor escreve

Judeus e cristãos
Como judeu e conhecedor da história da humanidade não posso deixar de expressar surpresa ao me deparar com uma foto de um cardeal acendendo uma chanukyá - candelabro judaico - em pleno Vaticano na noite em que todo o povo judeu do planeta entrou em seu primeiro dia da Festa das Luzes, ou Chanuká.
Pessoalmente vejo neste encontro cristão-judaico, que ocorre apenas dois anos da virada do milênio no calendário gregoriano, um forte indício de que muitos mistérios estão em curso entre os céus e a terra. Soa como uma aproximação e reatamento de laços que já nasceram, pode-se assim dizer, cortados.
A comunicação aumenta a sua velocidade a cada dia. A ciência se multiplica a razões extraordinárias. Vemos tudo crescendo e se desenvolvendo na direção do bem e do mal, exatamente como sempre foi desde os dias da existência do homem sobre a terra. Só que tenho a nítida impressão de que a supremacia do bem sobre o mal é uma opção que a maioria dos seres está, hoje, muito mais inclinada a fazer... Talvez pela insistência em buscar na maldade as excitantes aventuras que pareciam estar reservadas aos que a buscavam tendo encontrado, apenas, decepções e perdas reais.
Não acredito na união das religiões e não é a esse respeito que vim me pronunciar neste jornal. Penso ser totalmente desnecessário que discutamos isso e que tentemos tal façanha. Não preciso que meu vizinho seja judeu para respeitá-lo. Creio no que creio e da forma como creio, com meu culto, com meus costumes e tradições. O judaísmo e cristianismo são diametrais em seus princípios básicos. Mas isso não faz para mim a menor diferença. O cristão deve viver suas convicções e também o judeu deve viver as suas. E não posso me esquecer do direito dos muçulmanos, místico-africanos, hinduístas, budistas etc. etc.
- ABRAHAM SHAPIRO BUCHAL, Londrina.
Belchior Cândido
Em nome da família agradeço publicamente à Paróquia São José de Assaí e às pessoas que direta e indiretamente contribuíram para que o novo Centro Comunitário inaugurado no dia 13/12/97, no Jardim Pérola, em Assaí, recebesse o nome de Belchior Cândido, prestando-lhe homenagem.
O Sr. Belchior Cândido nasceu mineiro em 18/12/30. Chegou ao Paraná ainda jovem e escolheu Assaí para fixar residência e constituir família. Trabalhando de sol a sol com muita determinação e dignidade, prosperou e depois de alguns anos, conseguiu adquirir seu primeiro lote de terras ao redor da cidade.
O tempo passou, e os filhos cresceram e a eles, além de boa formação, proporcionou, na medida em que podia, as chances para os estudos. A transparência, honestidade e equilíbrio fizeram de nosso pai um homem bastante popular que, se quisesse, poderia ter se enveredado pelos caminhos da política, mas preferiu ser político quando saiu em defesa dos seus direitos e dos direitos do próximo: os pobres.
Religioso, foi sempre fiel à família e contribuiu muito no trabalho de rebanhar as ovelhas desgarradas, com seus conselhos, conhecimentos e, acima de tudo, com sua vivência. Hoje, 16 anos após a sua morte, ao mesmo tempo que é homenageado alguns, sem menor senso de justiça e baseados em lei mal elaborada, tentam tirar parte daquilo que conquistou com o sangue e o suor de seu trabalho, digno e honrado. Podem até conseguir, mas jamais tirarão sua história, seu caráter e muito menos o valor de uma homenagem como esta. E foi representando todos estes valores que seu filho mais velho disse em discurso de inauguração: ‘‘Se pudéssemos nascer de novo e tivéssemos a opção de escolher alguém para ser pai, te escolheríamos novamente e iríamos querer os mesmos filhos como irmãos.
Valeu, sr. Belchior! nós continuaremos sua luta.
- JOÃO CÂNDIDO, Londrina.
Brasileiro, gaúcho
Sou um brasileiro - gaúcho - xiru - gaudério - paisano - índio - mestiço. Sou um descendente dos Charruas e Minuanos, que bem antes do descobrimento do Brasil já povoavam o Rio Grande do Sul, os primeiros gaúchos. Natural de Quaraí - fronteira oeste do Rio Grande do Sul, região da campanha ou pampa gaúcho. Nascido em 5/9/42, na terra sentinela do Jarau, família Pedroso, originados do Inhãndui, município do Alegrete, Rio Grande do Sul. Tenho antepassados que participaram de quase todas as guerras e revoluções no Rio Grande. Antes dos Farrapos e outras contra o Uruguai, Argentina e Paraguai e 1893 - depois 11-23-30-32.
Eu particularmente quase tomei parte de uma em 1961: ‘‘A Legalidade’’. Pois servia o Exército no 5º Regimento da Cavalaria Quaraí RS. Quaraí sempre foi palco de batalhas e escaramuças de quase todas as revoluções e movimentos políticos rio-grandenses, e invasões dos países do Prata. Quaraí, terra de lenço branco e do lenço maragato: branco e colorado. Meu pai, meu avô, meu bisavô de ambos os lados foram guerreiros, pela própria geografia da região de fronteira Brasil-Uruguai-Argentina.
Tenho um grande respeito por Guarapuava, por historiadores, e porque sou casado com uma guarapuavana; mas como gaúcho fronteirista da cepa, discordo da explicação da historiadora Gracita Gruber Marcondes, que diz que o gaúcho de Guarapuava nasceu antes do gaúcho do Rio Grande do Sul.
Pois se os campos de Guarapuava só foram descobertos em 1768, e os primeiros rebanhos de gado chegaram no Rio Grande do Sul em 1634, os rio-grandenses são os primeiros brasileiros gaúchos, e já eram bem antes através dos Charruas e Minuanos, índios da fronteira oeste, na divisa Brasil, Uruguai, Argentina. Índios cavaleiros que habitavam as planícies e o Cerro do Jarau, nos municípios de Uruguaiana e Quaraí e demais pontos da campanha pampa Rio-Grandense, litoral, serra, missões.
- ANTONIO E. U. PEDROSO, Curitiba.
Correção
O título correto do artigo de Maria Lúcia Victor Barbosa, publicado na edição de sábado, é As mulheres da‘‘Veja’’ e não As mulheres de‘‘Veja’’, como saiu publicado.

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