O LEITOR ESCREVE
Dê esmola
As festas de fim de ano alteram a vida das pessoas.
Perspectivas de grandes comemorações, para alguns.
As mansões se iluminam. O salário extra dos empregados faz a diferença e ajuda a atender aos apelos
comerciais, ainda maiores agora.
A necessidade de consumir aumenta, o materialismo predomina. As diferenças sociais continuam aflorando esplendorosamente. Os maltrapilhos e desamparados estendem suas misérias imediatas. Vivenciando o espírito de Natal não seria nenhum absurdo lembrar que o aniversariante e a Sua filosofia de amor não devam ser esquecidas. Dê esmola.
Abrir o coração, as carteiras e bolsas, usar de generosidade em toda a sua plenitude para com todos, sempre, certamente será uma contribuição valiosa para aqueles que buscam, de verdade, um Feliz Natal. Viva o momento da doação e agradeça ao Alto por situar-se como doador. Prolongue este mesmo momento e viva a felicidade de que está sendo lembrado. Em sua oração São Francisco exorta: ‘‘é dando que se recebe’’ e para que aqueles ‘‘sem moedas’’ também participem cabe enaltecer: dê um abraço, um sorriso, a sua presença...
É sabido que órgãos governamentais, em diversos níveis, estudam há muito tempo o problema dos carentes em geral, e acenam, quando acenam, com tímidos paliativos, e as ações não se concretizam porque as soluções emperram na burocracia, na falta de verbas, na falta de vontade política, na falta de vergonha etc., apesar da boa intenção de alguns.
Dentro de uma visão holística do problema social é sabido que somos todos irmãos, companheiros da mesma jornada onde há mais tristeza que alegria, que sob o látego do sofrimento experimenta-se a evolução espiritual, participantes que somos do patrimônio universal. As oportunidades da caridade são únicas. Nunca as perca nem deixe de atender ao pedido justo de uma criança. Dê esmola e um Feliz Natal.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, Londrina.
Não ao aborto (1)
Seus olhos eram azuis, sua expressão serena, sua respiração difícil, mas era a beleza da vida em seu esplendor. Tinha alguns centímetros de comprimento, membros superiores e inferiores perfeitos, mas não se mexiam, tamanha a fragilidade do ser. Respirou o ar da sala de cirurgia por dez minutos e expirou... Chamou-se Gabriel.
Em 20 de novembro de 1997, aos sete meses de gestação, adentrou, pela primeira vez ao hospital, uma pobre mãe apresentando sangramento. O ginecologista fez o ultra-som. Constatou-se anaencefalia, membros atrofiados e cistite. Buscou-se o juízo da pequena cidade para deferimento do aborto. Nomeou-se defensor dativo, que obteve do médico a informação de que a mãe não corria risco de vida.
Diante do quadro o defensor chamou o pai e expôs-lhe seu pensamento sobre a vida: cristão-espírita, sabia haver junto ao corpo, malformado, uma alma que pensava e sentia e tinha o direito de nascer naturalmente. O pai e a mãe concordaram. Medicada e cercada de cuidados, a mãe retornou ao lar. Em 25 de novembro de 1997 retornou ao hospital com deslocamento natural da placenta. Foi feita a cesária e ali, diante de nossos olhos, estava Gabriel. Por longos dez minutos ocorria o milagre da vida, daqueles expressivos olhos azuis.
Guardei na memória a oportunidade da vida por Deus concedida. Os pais, resignados, providenciaram o enterro, mas ficaram felizes em ver seu filho nascer e desencarnar naturalmente. Tinham, assim como os médicos e assistentes, que não interferiram nas leis da Natureza, a consciência tranquila.
- WILLIAN JAMES FERREIRA JÚNIOR, advogado, Jandaia do Sul
Não ao aborto (2)
A religião, queiramos ou não, influencia nossas vidas. De sorte que não concordo com a exclusão do ponto de vista religioso sobre qualquer matéria de relevância social. Só o materialista, que não concebe a idéia da perpetuidade da essência (Espírito) humana, carregando consigo a responsabilidade dos próprios atos, propugna pela legalização do aborto. Entendo, porém, como o deputado Hélio Bicudo, que a Constituição, acima da lei menor - o Código Penal -, estabelece o respeito absoluto ao direito à vida. E quer me parecer que o feto, embora agasalhado no útero da mulher, tenha vida autônoma.
Além disso, bem pode acontecer de o feto corresponder a um fruto (do ventre) bastante nobre, que ajudará a humanidade a realizar seu verdadeiro bem. Jesus fez isso... porque não lhe frustraram a chegada ao Mundo.
- ADAUTO QUIRINO SILVA, Birigui (SP)
Desenvolvimento
Como brasileiro que paga todos os seus impostos, que são muitos, estou entristecido principalmente por estarmos em clima de Natal e ver nossos milhões de irmãozinhos recebendo a demissão do emprego como ‘‘presente’’ em todos os segmentos da sociedade. O governo lançou um pacote para manter o Real forte em relação ao dólar e, como presente de grego, são os trabalhadores e a classe média baixa que estamos pagando essa conta, via aumento do Imposto de Renda e da CPMF, prorrogada até 1999 e com o bruto desemprego, principalmente no ramo de autopeças, principal segmento atingido pela elevaçao dos juros e IPI.
Quando os economistas americanos Rudiger Dorbusch e Jefrey Sackes disseram que o Brasil teria que ter feito há mais de seis meses uma desvalorização cambial, eles ironizaram os especialistas em economia. O mais triste de tudo isso é que o Governo retirou-se das negociações com os metalúrgicos, deixando que as empresas façam o que achar melhor...
Com o fantasma da globalização, vivemos a redução de mão-de-obra, dando lugar à robotização, racionalização pela informática, mecanização nas lavouras. O ser humano viverá as crises de depressão. Poderemos ter uma convulsão social mundial se nada for feito para revertermos a situação. Na Ásia as coisas estão difíceis. Mas lá os governos, apesar de tudo, investiram em educação, capacitação tecnológica e cursos profissionalizantes. Aqui, muita gente não sabe o que é uma máquina de escrever. Educação nunca interessou aos governantes e donos do poder. Triste Brasil. Nossos jovens não têm um sonho. Como disse Martin Luther King, nas universidades entram aqueles que frequentam cursinhos de elite.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba.

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