O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Alcides e Bruschi
Alcides Carvalho e Luis Carlos Bruschi foram dois ótimos secretários da administração do ex-prefeito Cheida. Mui disso sabedor, folgo-me, e prazeirosamente, em declarar-lhes a admiração sincera e o agradecimento cordial da comunidade londrinense. Falo da porção que vê com olhos límpidos, analisa com juízo desprevenido e confere sem preconceitos a presença laboriosa e eficiente do homem público. Ambos, no longo período de quatro anos, lutaram pela elevação e brilho da cidade no que ela tem de mais sagrado e produtivo: a cultura e a educação. Ou importa menos a riqueza da mente e o refinamento do espírito do que a lisura do asfalto e o erguimento de elefantes brancos?
- EDUARDO AFONSO, Londrina.
Administração pública
A administração pública como um todo passa por uma das mais graves crises da sua história. Contaminada por males crônicos, de fácil diagnóstico (e prevenção), assistimos à sua lenta agonia sem que a maioria dos administradores se proponha a aplicar-lhe a necessária terapia. Os princípios da necessidade, indispensabilidade, relação de custo-benefício parecem não fazer parte do dicionário dos nossos legisladores e administradores do Executuivo. O critério político, no seu pior sentido, alimenta a maioria das ações em prejuízo da correspondente viabilidade técnico/financeira. A escolha dos agentes dos principais escalões atendem mais ao critério de conveniência político/partidária do que o interesse público, representado pela competência e probidade funcional.
Como consequência, retribui-se muito pouco às necessidades básicas e fundamentais da população, ao mesmo tempo em que se investe muito em obras e eventos de aparência e de fácil retorno político. Administração moderna é aquela que faz com eficiência aquilo que é da sua competência e correto administrador é aquele que age com transparência e em conformidade com o munus que lhe foi confiado. Nos dias de hoje, a administração precisa mais de executivos, na verdadeira acepção do termo, do que de príncipes ou imperadores. De técnicos competentes, em lugar de agentes intuitivos, para a gestão dos complexos desafios que inquietam a todos. No plano legislativo carecemos de vereadores que legislem de fato, que fiscalizem de verdade, que não compactuem com a pilhagem dos cofres públicos, que valham os polpudos salários que recebem e, acima de tudo, respeitem os eleitores. É evidente que o aspecto político não pode ser excluído desse universo que é a administração, porém deve ser norteado pelas regras que lhe são essenciais como honestidade, competência, probidade e sensibilidade no trato com a coisa pública e os anseios legítimos da população.
Ao agente político compete ver, com instrumentos seguros as várias faces da realidade global; julgar, com reto discernimento, essa mesma realidade e, finalmente, agir em conformidade com os melhores princípios, em busca do escopo fundamental da administração, que é o bem comum.
- ANTÔNIO DE JESUS, Cascavel.
Políticos vulneráveis
Tudo ia muito bem no Congresso quando estavam em discussão as propostas das reformas constitucionais. De repente surgiu um ministro, como quem não queria nada, expondo o seu ponto de vista, pessoal, procurando influenciar os congressistas, com relação à idéia de ser alterada a Constituição, de tal forma que viabilizasse a permanência do atual presidente da República. Quase não foi considerado. Era até criticado na TV. Instado sobre o assunto, o sr. presidente se fazia de esquerdo, não querendo saber de nada de reeleição, isso é idéia dele. Temos muito o que fazer. Mas a idéia do ministro Sérgio Motta prosperou. Influenciou os nossos políticos e foi tomando corpo até chegar ao ponto em que chegou, de ser constituída uma Comissão Especial, priorizando sobre as reformas. E toda a sociedade política está galvanizada. Os contrários à idéia foram obrigados a se posicionar, evitando que o atual presidente permaneça, indefinidamente, em nova versão getuliana.
Foi uma boa prova para vermos a moral de muitos dos nossos políticos: vulneráveis, interesseiros em alguma jogada pessoal, calças fouxas, aderentes fáceis, provocando racha no PPB e lágrimas no sr. Paulo Maluf. O Plano Real é a causa, a desculpa; está dando certo a ponto de provocar uma subversão institucional, de modificar a estrutura sucessória. Não se pode estabelecer uma lei regulamentando a matéria, para cumprimento perene? O presidente não pode deixar um manual com as regras básicas do Plano Real para os futuros administradores? Ele não pode ser reconduzido ao Ministério da Fazenda, se é que tem o carisma real de protetor do plano?
- JOÃO LISBÔA DE MACÊDO, Ladário-MS.
Maconha
O mais novo assunto a agitar os palpiteiros de plantão é a aprovação pela Câmara dos Deputados de um projeto de lei que descriminaliza o uso da maconha no Brasil. Para começar, devemos considerar que o uso da erva é muito comum no país há séculos e atinge todas as classes sociais. O uso da maconha faz parte da nossa cultura desde o início da colonização. Portanto, não podemos abranger a questão simplesmente nos manifestando contra ou a favor do uso da cannabis, mas encarando como fato que considerável porcentagem da população brasileira fuma maconha, e por motivos culturais. E o que fazer então?
Desde sua proibição, o fumo vem sendo combatido de diversas formas. Repressão policial, campanhas estatais e civis de informação e conscientização, tratamento médico dos usuários etc. Isto tudo foi feito durante anos e a única coisa que aconteceu é que o hábito de fumar maconha cresceu junto com a população. Não podemos generalizar a questão, mas muitos dos usuários não podem ser classificados de bandidos. Há pais de família, estudantes, donas de casa, profissionais das mais diversas áreas e dos mais variados níveis sociais e econômicos que participam normalmente da comunidade e contribuem para a sociedade com a sua produção, que fazem uso regulamente da erva. E, por este simples motivo, acabam sendo vítimas do preconceito da sociedade, sem contar com o constrangimento de, caso forem presos, serem tratados como criminosos comuns: assassinos, estrupadores, ladrões, estelionatários.
- FERNANDO DELICATO DE OLIVEIRA, Maringá
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