O LEITOR ESCREVE
Zona Azul
Sempre parti do princípio de que as boas e más atitudes devem ser exaustivamente debatidas, criticadas ou divulgadas. Sendo assim, resolvi utilizar este espaço para parabenizar nosso prefeito, Antonio Casemiro Belinati, por sua atitude louvável ao implantar o sistema de Zona Azul em toda a extensão da Avenida Bandeirantes. Estava na hora de ser tomada alguma atitude para garantir a segurança e a liberdade do contribuinte, como também as inúmeras pessoas de nossa região que fazem uso dos excelentes profissionais da área de saúde, notadamente concentrados naquela avenida. Era simplesmente inadmissível ver o cidadão coagido e obrigado a autorizar que marmanjos desocupados ou menores explorados por seus pais (que não têm coragem de trabalhar) zelassem do nosso patrimônio, conseguido a duras penas, sob pena de termos uma desagradável surpresa ao retornar ou ser alvo de desaforo e palavras de baixo calão. A atitude de nosso prefeito merece ser aplaudida.
Confesso que fiquei preocupada com a integridade física dos meninos que ali trabalham. Porém, logo percebi a presença de seguranças nas imediações, com certeza já prevenidos das possíveis represálias que poderiam sofrer nossos garotos pela ‘‘máfia dos guardadores de carro’’. Meu desabafo espelha o sentimento de significativo contingente de pessoas que ali circulam diariamente, trabalhando, em consulta etc. que sofriam caladas com os desmandos dos ‘guardadores’ de carro, simplesmente engolindo a revolta e sucumbindo. Vale ressaltar que o mesmo deve ser feito em outras regiões da cidade, para que, num país assolado por tantas crises, tenhamos salvaguarda ao menos a liberdade de ir e vir. Devemos ponderar, ainda, que fazendo o uso da Zona Azul estamos colaborando com uma entidade notadamente idônea, que beneficia inúmeras crianças, como é a EPESMEL. Parabéns, Prefeito.
- EDILEINE D. F. GARCIA LEAL, Londrina
Do lar
Mulher londrinense: quando alguém lhe perguntar a profissão responda, sem medo e sem constrangimento, com orgulho e euforia: ‘Do lar’. Sabe o que significa? Embora o saiba, vou dizê-lo com verdade e justiça: ‘‘Sou do lar, isto é, sou esposa e mãe, sou cozinheira e arrumadeira, sou enfermeira e educadora, sou estímulo e conforto, sou guarda e defensora. Afinal, é o que todos dizem e cantam - sou dona de tudo’’. Foi uma socióloga quem disse isso aí, e sou eu quem o repete com respeito e gratidão. E respondam-me: é preciso mais?
Haja, pois, altanaria e brilho na sua voz, mulher de Londrina, ao declarar - diante de quem quer que seja: ‘do lar’, sim senhor. Vale mais, e quanto mais, meu Deus, do que dizer, com tom sonoro e desafiador: sou empresária, sou artista, poetisa, cantora, esportista, e não sei quanta beleza mais. Tudo isso seria um belo ‘post scriptum’ ao melodioso ‘do lar’. Que Deus abençoe largamente a todas as mulheres de Londrina 63 - as que deram mão forte na construção da majestosa Capital do Café, ou do Norte, ou do ‘Natal de luzes’, e as que, hoje, no silêncio inefável do lar, pontilham de beleza e carregam de bondade nossas famílias e nossa comunidade.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Reforma Agrária
O que é reforma agrária? Quando o Movimento dos Sem-Terra está invadindo propriedades, matando gado, saqueando fazendas, desrespeitando determinações judiciais, derrubando matas, afrontando as leis, desafiando o poder policial, está propondo a modificação da política agrária? Lavradores perderam suas terras por desapropriação do poder público, por inadimplência bancária, empréstimos tomados de agiotas, incapacidade de gerar na exploração da terra, falecimento de arrimo de trabalho, má gerência, sem saber aplicar o fruto do trabalho, por perda de emprego no trabalho da terra?
Não sendo lavradores que perderam suas terras, seriam trabalhadores ou proprietários tentando alcançar algum quinhão na distribuição dos lotes?
Haveria também elementos políticos tentando receber algum quinhão ou galgar postos de comando grupal ou postos eletivos bem remunerados?
O Movimento dos Sem-Terra, embora não se defina dentro da profundidade ideal da reforma agrária, é de valor histórico dentro do princípio do ditado popular que ensina que ‘quem não chora não mama...’ Se não alcança a finalidade última do que é a necessidade da reformulação de toda política nacional, sacode as estruturas para que se faça alguma coisa em benefício da ocupação do solo, visto que a concentração urbana faz a desocupação do rural, cria os dramas urbanos e degrada tanto os que vivem na marginalidade das favelas e dos conjuntos populares mal estruturados, como degrada os que vivem em palácios e no trânsito das vias públicas encontram a miserabilidade vegetante.
A reforma agrária deve ter por finalidade dar ao produtor rural a dignidade do profissional orgulhoso da sua contribuição social com independência financeira capaz de cuidar da sua família sem favores políticos, com filhos capazes de ser sustentados no aprimoramento social, profissional, moral e espiritual, fazendo a ocupação do território nacional sem se concentrar em megalópolis e democraticamente tendo capacidade de discernimento para eleger livremente seus representantes no governo.
- FAHED DAHER, Apucarana
Plano de obras
Em minhas ‘voanças’ (andanças de piloto) pelo mundo tive oportunidade de observar o comportamento de outras sociedades. Uma vez, compondo um grupo em visita a organizadíssima Academia da Força Aérea Inglesa, um nosso companheiro brasileiro intrigou o oficial inglês que nos ciceroneava com uma pergunta sobre como seria um Plano Diretor de Obras britânico, denominação dada no Brasil a um programa de obras de longo prazo (dez anos) para as nossas organizações.
Após rápida ‘pesquisa’ o oficial nos informou que a Força Aérea Inglesa não dispunha de tal instituto administrativo, o que nos provocou um ar de admiração e até um comentário meio debochado de um dos nossos: ‘‘Como, então, uma Força Aérea tão organizada como a inglesa executava suas obras sem o citado plano?’’ O cicerone esclareceu: ‘‘Não havia necessidade de nenhum plano, pois a Força Aérea inglesa não realizava nenhuma obra há 25 anos’’. E ninguém mais fez comentário ou pergunta.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro
CORREÇÃO
No primeiro parágrafo do artigo ‘‘Frei Beto e os jovens de Brasília’’, da socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, publicado ontem na página 3, por erro de digitação, foi escrito a palavra ‘teocentrismo’, quando na verdade a palavra correta é teoricismo.

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