O LEITOR ESCREVE
Foguetório
Sexta-feira passada, 28, acordamos, eu e minha mulher, com o espocar violento de foguetes. Sinceramente, jamais ouvi tamanho estrondo, longo e assustador. Corremos para a janela acreditando que algo de anormal estaria acontecendo na tranquila manhã londrinense. Bem no coração da cidade, às 6h30. Soube depois, pela ‘Folha’, que era a comemoração da chegada de fábrica de pneus a Londrina. Desculpem-me os festejadores, mas foi demais. Milhares de pessoas - crianças, velhos e velhas, doentes, despertados de sono sereno e bom, de maneira tão brutal. Foi fora de hora. Fora de jeito. Se ao menos soubéssemos o porquê! Não teria sido mais interessante, até mais oportuno e eficaz, se o horário escolhido fosse às 12 horas - sabendo já a população do que iria ser festejado?
Esperamos que, doutra feita, não se repita assim tão poderoso e descabido escarcéu. Alvissareiras notícias enchem de alegria o coração de todos nós, que amamos Londrina. Se a cidade as merece, fruto do seu amor ao trabalho, louvor aos que por ela - faz dezenas de anos - dão suor e sangue! Nos sessenta e três anos de vida, Londrina se nos desenha como mulher adulta - formosa e fascinante - atraindo o olhar admirado do mundo e entrelaçando fortemente os corações que aqui palpitam. Os céus derramem sobre os tetos londrinenses catarata de bênçãos e sobre a cidade querida uma onda imensa de paz.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Políticos
Não sou partidário de nenhuma agremiação política ou mesmo eleitor deste ou daquele candidato. Apenas analiso o candidato (independente de partido) na hora de dar meu voto. Mas fico indignado com os políticos que se elegem por determinado partido, após o que mudam de partido por acertos, conveniência ou outros motivos. Isso é desrespeito muito grande com o eleitor, pois este alia o candidato a determinado partido. Os políticos teriam por obrigação terminar o mandato pelo partido em que se elegeram. Se quisessem mudar deveriam passar o cargo ao suplente que continuariam na agremiação. Pode não melhorar nada, mas dificultaria muitos acertos.
- CELSO LUIS RUIZ, Campo Mourão
Aborto
Há um meio racional de acabar com a celeuma da regulamentação do art. 128 do Codigo Penal Brasileiro. Quando a gravidez resulta de estupro há dois valores constitucionais em jogo: 1 - A vida de um ser humano inocente, que tem por crime ter sido gerado por um ato verdadeiramente indigno e traumatizante; e, de outro, 2 - A dignidade humana da mulher que está ‘sendo submetida a um tratamento cruel e degradante. Qual desses tem maior valorização: a vida de um inocente ou a dignidade da vítima do estupro? Gerar a criança será um tratamento cruel e degradante?
Todo trauma pode ser amenizado. Daí existirem psiquiatras, psicólogos etc. Se dada for à criança a oportunidade de nascer e a mãe rejeitá-la, existem leis que autorizam a adoção dela por pais que hão de lhe dar condições de ser futuro cidadão honesto e capaz, podendo a sociedade receber em seu seio um brilhante ser humano, seja no campo cultural, político ou quaisquer outros.
- WILLIAM JAMES PEREIRA JUNIOR, Jandaia do Sul
Acordo do Banestado
Com relação à matéria ‘Conselho nega reajuste salarial no Banestado’, publicada na Folha de Londrina dia 29 de novembro, o Sindicato dos Bancários de Londrina - CUT esclarece: Ao contrário do que a matéria em questão leva a crer, o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, votou contra o acordo coletivo do banco, defendido por ele no dia 19 de novembro, em assembléia em frente ao complexo de Santa Cândida, em Curitiba. Apesar de ter assegurado a dirigentes sindicais que manteria sua palavra e votaria pela manutenção do reajuste de 5%, que só seria pago em julho de 1998, o sr. Neco Garcia aceitou a interferência do governo do Estado, tendo ajudado a derrubar o acordo.
A justificativa apresentada pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, de que a situação difícil do banco impede qualquer tipo de reajuste nos salários, também veiculada na matéria em questão, não procede. A proposta de acordo vetada pelo Secretário estabelecia que os funcionários só receberiam o reajuste de 5% e os dois abonos no próximo ano, refletindo neste caso somente no balanço financeiro de 1998. Este período, de aproximadamente um ano, acreditamos ser suficiente para que a reestruturação referida pelo Secretário seja concluída.
Ressalte-se também o aporte de R$ 1,5 bilhão que, segundo Giovani Gionédis, o banco necessita para estabilizar suas contas. Este socorro anunciado é uma forma de o governo do Estado honrar seus compromissos com o Estado, que há muito vem sendo utilizado politicamente na liberação de verba para cobrir publicidade do Governo. Exemplo disso foi a liberação de R$ 2 milhões que o Banestado fez para a realização dos Jogos da Natureza, o mais recente produto de marketing do governador Jaime Lerner (PFL).
Estas considerações são necessárias para esclarecer que os funcionários do Banestado não estão reivindicando nada além do que a categoria já negociou para a data-base deste ano. Se a partir de amanhã formos à greve é porque acreditamos que já não há nada mais a ser negociado com o Banco. Vamos à luta somente para garantir uma proposta de acordo coletivo patrocinada pela diretoria do Banestado, que deveria estar capacitada a negociar com o funcionalismo sem interferência de políticos, como ocorreu nos últimos 69 anos no Banestado.
- JOSÉ FRANCISCO DA SILVA, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina
Correção
Os valores expressos no segundo parágrafo do artigo ‘‘Orçamento superestimado’’, de autoria de Dr. Rosinha, na edição de ontem, vieram originalmente incorretos do autor. O certo é R$ 6,508 bilhões (orçamento de 97) e R$ 4,5 bilhões (previsão realista).

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