O leitor escreve

Medicina
Londrina é pólo de grande respeito nacional (em certos setores, a nível internacional) na área médica. Naturalmente, isto é fruto do trabalho de muitas décadas em estudos, viagens, congressos e cursos, pois as coisas, em ciência, não ocorrem de graça, ou por milagre político. A Associação Médica de Londrina, referência nacional, nasceu em uma cidade nova, pequena, mas imbuída de um alto espírito de luta pelo progresso médico. Sua ação na atualização e como mensageira de novas técnicas e métodos, foi e é absolutamente fundamental para as cidades da região, cujos médicos, já há 50 anos (Londrina ainda era tão pequena...) aqui vinham para conhecer as grandes novidades, as novas cirurgias, as mudanças na ciência.
As Semanas Médicas, precursoras dos atuais congressos médicos, fizeram pela medicina norte-paranaense o que a Associação Rural e Associação Comercial realizaram em suas áreas, levando este rincão à relevância nacional que nos caracteriza. E a própria AML foi vital e instrumental na criação desta brilhante Faculdade de Medicina, e um de seus membros, Ascencio Garcia Lopes, foi o reitor que pautou e implantou a magnífica UEL. A coalescência dos dois grandes rios, medicina e ciência, desaguaria no panorama profissional que tanto nos enobrece e orgulha.
Lutar contra o abuso e abastardamento de tal patrimônio médico-hospitalar não é tarefa exclusiva dos médicos e dos hospitais: o povo, nosso grande incentivador e beneficiário dos atos médicos que aqui realizam, deve entrar na luta de proteção da classe e profissão médico-hospitalares, contra os ataques hostis, mercantilistas e insensíveis de alguns grupos de medicina de estritos fins lucrativos, para as quais a saúde do povo e a labuta médica são mercadoria para auferir lucros.
Nosso povo, grande e único interessado legítimo na luta pela saúde e controle de doenças, jamais encontrará na comunidade médico-profissional os milionários ou banqueiros, corretores, vendedores de planos, fundos de investimentos, interesses políticos claros e ou velados, no meio dos hospitais, médicos ou Faculdade de Medicina e afins. Somos individualmente pequenos e fracos, e nossa força repousa no respeito e apoio do povo, a quem atendemos e por quem lutamos, há décadas. Afinal, nosso prestígio provém de como cuidamos de nossa saúde, como progredimos, do quanto estudamos e nos atualizamos. Como cidadão, é seu direito e dever fiscalizar o seu médico, seu hospital, seu tratamento, e estará fazendo uma parte muito importante, que resultará na melhora de seu atendimento.
Numa democracia como a nossa o consumidor tem um papel de importância vital, em que pese nosso Judiciário ainda ser dolorosamente lento e caro. Mas procure saber cuidadosamente o que está escrito em sua apólice, aprenda como funcionam esses ‘‘planos de saúde’’, até que ponto você pode influenciar no seu funcionamento (nada, se não nos unirmos, ficará bem claro), e, então, nos apoie. Temos pecados, maus atendimentos, incompetência, abusos e desleixo, pois que a classe média é feita de pessoas, como todas as outras, e nisto reflete o perfil da nossa gente.
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, médico em Londrina
Noite de Carnaval
O bairro encontrava-se todo enfeitado para a primeira noite daquele Carnaval. Bandeirinhas de todas as cores deixavam as ruas alegres, prenunciando que a noite de folia que se aproximava seria uma das mais inesquecíveis. Os moradores cotizaram-se e construíram um imenso tablado no sopé do morro, já que a Prefeitura comunicou a falta de recursos para a realização de qualquer evento naquele local. Entretanto, a situação não era de toda má, pois, segundo a promessa do Secretário de Turismo, uma parte da grande Banda de Música da municipalidade ia abrilhantar os festejos.
Os moradores estavam jubilosos desde o raiar do dia. De quando em vez, surgiam os chamados blocos de sujos, vindos também de outros bairros, animando as ruas repletas de confete e serpentina. Como acontece nessa época do ano, o calor era intenso, mas não intimidava os foliões que encontravam, naquele fato meteorológico, um bom motivo para o consumo de líquidos, principalmente cerveja, aguardando, assim, o início da grande noite de Carnaval.
Por volta das vinte horas, o conjunto musical começou a tocar. Homens e mulheres, crianças e idosos entregavam-se à pândega sem o mínimo de preocupação com isto ou aquilo. Devido à exagerada canícula, houve uma pancada de chuva que não passou de cinco minutos. Aproveitando a estiada, o pessoal voltou a lotar o tablado, pois não havia tempo a perder. Todavia, como se estivesse querendo participar da festa, a chuva voltou, voltou mais forte. Tão forte que parecia uma cachoeira, provocando um deslizamento no morro; deslizamento que soterrou o tablado, os carnavalescos e o bairro.
- DARIO LIVINO TORRES, magistrado aposentado de Curitiba

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