O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
ICMS
Estamos assistindo, perplexos, os efeitos da anistia concedida pelo Governo do Estado, para pagamento do ICMS. De um lado os que se sentem aliviados por terem oportunidade, de forma favorecida, de saldar débitos vencidos. De outro, os que preferiram sacrificar seu capital de giro arcando com a obrigação tributária no seu devido tempo. Se analisarmos as causas que levam à inadimplência no recolhimento dos tributos, veremos que são de diferentes naturezas: decorrem de mudanças na economia, do acirramento da concorrência; da falta de capacidade gerencial, do próprio montante astronômico dos tributos, da deficiencia na cobrança e outras; mas sem generalizar, não se pode afirmar que o não pagamento descorreu de safadeza ou malandragem dos contribuintes, como leva a crer a publicidade do governo sobre a anistia.
É contraditório entender que quem esteja com a barra suja receba prêmio, e quem fez o dever direitinho seja penalizado, pois teve reduzido seu potencial frente a crise. Seria de se esperar uma compensação para estes últimos, que seguraram a barra do governo, enchendo suas burras. Como consequência, teremos no futuro a maioria aguardando anistia e o Estado perdulário implacavelmente criando novos impostos, que serão pagos por uns e sonegados por outros. A exceção vira regra quando é demasiadamente repetida. Quem pagou, como fica?
- ANTÔNIO DERSEU CÂNDIDO DE PAULA, contador em Foz do Iguaçu
Pacotão
A economia é ciência exata? Temos a impressão que não. Esta ciência está mais para o campo da achologia do que para a exatidão dos números. Fazemos isso ou aquilo, este ou aquele pacote, que achamos que poderá dar certo. Mas certeza de que dará, ninguém tem. Torna-se campo fértil para os palpitosos. Vira torre de babel, todos falam e ninguém entende. As causas e os motivos das crises quase sempre não vêm ao conhecimento público. Tratam-na como segredo de Estado.
Na verdade, somente as coisas boas é que são faturadas. As coisas ruins continuam sendo varridas para baixo do tapete. O verdadeiro culpado nunca aparece. Nessa complexidade econômica há sempre alguém levando vantagem. A classe média é sempre convidada a pagar a conta. Anunciaram juros estapafúrdios, mas antes deram uma garfada nos detentores de depósitos em fundos de renda fixa, que em média superou a 2,30% sobre o último saldo creditado. Em alguns casos atingiu o próprio capital. Isto é confisco.
Será que haveria necessidade de manter o câmbio valorizado? Alguns economistas dizem ser este o grande erro de quem elaborou o plano Real. A oposição se refere ao fato dizendo que não souberam fazer a lição de casa. Onde está a verdade? Estão escondendo alguma coisa? A única coisa que sabemos é que estamos sendo convidados a pagar a conta.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Jacqueline
Minha filha, um ano sem você. Quanta saudade. Saudade de ouvir você dizer Mãe, amo você. Éramos mais que mãe e filha. Éramos verdadeiras amigas. Saudade de ouvir todas as noites: Bênção, mãe, durma com Deus. Um ano passou e você continua viva no meu coração. Tiraram você estupidamente de mim e hoje meus dias são tristes. Ao anoitecer olho para o céu e vejo as estrelas brilhando. Nelas imagino você e converso com elas como se estivesse falando com você. Jacque, lembre-se da frase que eu lhe dizia sempre: A distância traz saudades, mas nunca o esquecimento. Sua mãe.
- SILMARA CARNEIRO LOBO, Londrina
Cumprimento
Congratulamo-nos com a direção e funcionários da Folha pela conquista do Troféu Ouro, da Aberje - Associação Brasileira de Jornais, pela qualidade, precisão e caráter informativo que confere à área empresarial e de negócios. Essa conquista, a par de premiar o inegável mérito e progresso do Jornal, é motivo de orgulho dos paranaenses e dos londrinenses em particular, que têm na Folha seu principal representante na mídia impressa.
- ROBERTO KANASHIRO, primeiro secretário da Câmara de Vereadores de Londrina
Avanço e recuo
Há certas atitudes de difícil entendimento, por mais que se esforce em tal sentido. Refiro-me à ameaça que paira sobre o Novo Código Nacional de Trânsito, recentemente sancionado pelo Presidente da República e que entrará em vigor em janeiro de 1998. Esse estatuto vinha sendo esperado com bastante ansiedade pela população brasileira, cansada dos desatinos praticados por maus motoristas e que ceifam milhares de vidas anualmente, quando não deixam nessas vítimas deformidades de caráter irreversível. Uma das suas particularidades é a imposição de multas pesadas para coibir abusos.
Nada mais acertado, porquanto só assim existe a possibilidade de sucesso contra os marginais do volante. É a ação de mexer no bolso que, juntamente com uma fiscalização eficiente, poderá reduzir, sensivelmente, o que de ruim ocorre nos centros urbanos e nas estradas. Todavia, surge a notícia de que o próprio governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei que tem como desiderato a redução do valor das multas. Num pequeno espaço de tempo, avançou e recuou.
Um dos tecnocratas que estão elaborando o projeto declarou que o problema não é a arrecadação, é educar o motorista (sic). O ponto de vista não está correto. Arrecadar e educar não são procedimentos conflitantes. Podem ser usados ao mesmo tempo. Assim, antes de cometer qualquer tipo de infração, o condutor do veículo irá pensar duas vezes na quantia que vai desembolsar, além de outras providências para tirá-lo de circulação por algum tempo. Pensar e agir de modo contrário é tapar o sol com a peneira. É querer que a situação fique como está.
- DARIO LIVINO TORRES, magistrado em Curitiba





