O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Concepcionais
Então o prefeito Élcio Berti, de Bocaiúva do Sul, baixou decreto proibindo a venda de camisinhas e outros anticoncepcionais na cidade, para que aumente a população e com isto a arrecadação do município. É absurdo, mas vindo de político não surpreende, porque existe cada projeto, cada idéia... Para ajudar o povo pouco faz. É bom ele expor esta idéia para mostrar ao povo de Bocaiúva do Sul que ele não se importa se a AIDS vai aumentar ou como a população vai fazer para criar seus filhos, já que quem acaba tendo muitos filhos é sempre o mais humilde. A preocupação do prefeito era o dinheiro. Como sempre a mulher, que poucos direitos têm, é a mais prejudicada. O povo tem o dever de votar e devia poder desvotar para tirar do cargo político como aquele.
- LOURDES APARECIDA MARTHO, Ibiporã
Diagnóstico errado
Através de um trabalho de assistência social, promovido pela Igreja Luterana, à qual pertenço, deparei com fato interessante e triste. Dentre as famílias carentes assistidas havia duas jovens senhoras (uma com 20 e outra com 23 anos), cada uma com 4 filhos, vivendo num barraco velho de madeira, de apenas um cômodo e com os respectivos maridos desempregados. Ambas, em comum acordo com os maridos, estavam procurando uma forma de evitar definitivamente a possibilidade de ter mais filhos porque não tinham condições de sustentar nem os que já possuiam. Depois de pesquisar junto à Secretaria da Saúde Pública da nossa Prefeitura tive a decepção de saber que: os médicos se recusam a fazer a cirurgia de laqueadura em mulheres novas (independente do número de filhos que tenham ou da necessidade financeira da família) e que o nosso Conselho Regional de Medicina está pronto para punir qualquer médico que faça esse tipo de cirurgia. Gostaria de pedir ao CRM a sua real posição diante desta situação e convidar alguns dos seus representantes para visitar comigo uma dessas famílias carentes que, por falta de condições, são obrigadas a ter filhos e lhes dar, como café da manhã, um pouco de repolho que sobrou do jantar de ontem porque não há dinheiro para o pão. Evitar a miséria também faz parte do juramento de salvar vidas, pois Deus quer que a vida que Ele criou seja vivida com dignidade.
- ALEXANDRE FONSECA DE MELO, Curitiba
Economia
De tanto ouvir, anos a fio, a sabedoria dos economistas estou convencido de que a astrologia, a futurologia e o achismo são matérias irmãs da Economia, primas da economia política e da economia de Estado. Não se trata de ciência, sim de chute sem base científica alguma. Até porque os pró-homens da Economia, na sua teoria e na sua execução prática, negam, hoje, o que afirmaram ontem; desmentem assertivas de semanas atrás, destroem supostas verdades de ontem e assistem à queda de pilares que diziam indestrutíveis. Economia não é ciência, sim arte praticada por economistas gênios. Desses que no Brasil são chamados de Lara Rezende, Belluzo, Campos, Nóbrega, Simonsen, Bulhões, Gudin. Entre vivos e mortos. Eles sabem que não sabem nada. Mas é bom manter a pose. Outro dia, na TV Bandeirantes (Fogo Cruzado), uma vez mais provei que minha tese é correta. Os economistas fazem de conta que sabem da verdade, como videntes e quejandos que nos enganam. Nesse jogo de engana-engana, eles acabam imaginando que sabem mesmo e aí reside o perigo.
Na verdade, o que essa gente conhece de vivência própria ao lado dos governos é aumentar os impostos. É simples: Há uma crise cambial: mais imposto. É preciso construir a estrada tal: mais imposto. Quebra a bolsa: mais imposto. O País precisa de grana para pagar os credores: mais imposto. Governar, para essa gente, é aumentar impostos. Nada mais simples. Essa aritmética hedionda, que reduz algarismos podres a impostos, o Jeca Tatu, do saudoso Monteiro Lobato, praticaria com grande talento. Não precisa ser um dos maiores sociólogos do mundo nem PHD por Harvard nem pela Unicaos do Piauí. Tudo, neste país, pode ser resolvido com mais impostos. Para que tanta ciência, quando a solução é tão simples? Chamem ao Planalto o Tiririca e ele, na sabedoria sertaneja, poderá achar a saída. É problema de Jeca Tatu, não de intelectual de renome internacional. Aumentar imposto é elementar. O que não é elementar é pagá-lo.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão





