O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Plano de saúde
Os meios de comunicação social têm mostrado a deplorável realidade brasileira dos contratos de adesão denominados planos de saúde. Se na concepção são louváveis, na prática se verifica a repugnante deturpação e até inversão completa do espírito desse contrato. Por um lado temos pessoas feitas reféns, tanto do temor de doenças e de seus custos, quanto da falta de um satisfatório sistema de saúde pública. Por outro, temos uma nada ética visão empresarial (até selvagem) daqueles operadores do plano.
Presentes todos os ingredientes para capturar os reféns nos tentáculos desse monstrengo contratual: a mórbida inclinação das pessoas em assinar um plano de saúde, pelo temor das doenças, e a avidez dos corretores dessa mágica solução, em se apoderar rapidamente de suas comissões, auxiliados pela poderosa e bem elaborada propaganda comercial. Nessa estranha relação, pessoas vendem e compram as mais felizes ilusões. Convenhamos, o que menos quer a pessoa doente é contratar advogado e bater à porta da Justiça para conseguir fazer assegurar aquilo que pensava ter direito.
Um capitão indagou a um sargento sobre o motivo de um recruta estar apenas olhando outros cavalgarem e a resposta foi de que o soldado nunca montara. O capitão ordenou: Arrume um cavalo que nunca foi montado. Ambos aprenderão juntos. Havendo generalizado desconhecimento dessas fórmulas contratuais, relativamente novas no país, o consumidor fica na mesma situação do recruta. As pessoas que pagam o preço desse noviciado estão a imaginar que no momento da necessidade do uso do plano, chegarão a ouvir: O plano é de saúde. Se ficou doente você violou o contrato... Que o alerta da imprensa sirva para o aprimoramento do sistema, sob pena de completa desmoralização dos planos de saúde. Daí nosso alerta para que você escolha e tenha a ventura de celebrar um contrato que constitua um plano de doença. Saúde não se contrata nem se paga. Saúde Deus dá...
- ELIAS MATTAR ASSAD, advogado em Curitiba.
Farsa do prefeito
É reconhecido o fato de que aqui, nos Estados Unidos, pouco ou quase nada se sabe a respeito do Brasil. A maioria das pessoas considera o espanhol como nossa língua, o Rio como nossa capital e a Floresta Amazônica como a cobertura vegetal da maior parte do país. Às vezes até se surpreendem quando descobrem que a área do nosso território é maior que a área continental americana. Apesar disso, normalmente se mostram interessados em aprender sobre a nossa realidade, nossas paixões e preferências. Infelizmente, no entanto, com exceção do triunfo de Guga no Aberto da França, neste ano, o Brasil só foi notícia aqui pelos seus problemas. Menores de rua, chacina nos morros do Rio, crash das bolsas, e last but not least, a bizarra idéia do prefeito de Bocaiuva do Sul.
Pode-se dar crédito ao digníssimo prefeito e ao seu não menos bizarro decreto, de mais uma vez termos sido motivo de chacota pública, desta vez em boa parte dos programas matinais de notícias nas rádios e jornais americanos. Note-se que o fato é apenas uma constatação, mais do que a expressão de opinião própria. Note-se ainda que, uma vez liberada a notícia, é difícil veicular uma contra-notícia alegando que o decreto era só uma brincadeirinha. Creditado ao prefeito o mérito de ter divulgado internacionalmente sua cidade (não exatamente do modo que seus moradores gostariam, é claro), é justo e digno solidarizarmo-nos com seus moradores, com o povo de Bocaiuva do Sul, no sentido de rechaçar tal idéia. Afinal, somos um pais sério (pero no mucho...)
- RUBEM OLIVEIRA, Universidade de Minnesota, St. Paul, Minnesota, Estados Unidos
Trânsito
Os acidentes de trânsito em Londrina têm aumentado assustadoramente. Muito se deve à displicência com que os motoristas agem, porém muito se deve à inadequação do sistema viário. Vejamos o caso das obras da rodovia PR-445, que passa pela UEL e Catuaí etc. Quando os avanços mundiais em segurança no trânsito mostram a necessidade de se investir na duplicação das pistas para diminuir os riscos, o DER despendeu grande soma de dinheiro para construir três pistas de duplo sentido neste trecho, triplicando os riscos, mantendo cruzamentos em nível.
Aliado a isto há a total ausência de sinalização, permitindo que motoristas façam verdadeiras barbaridades, como utilização do acesso das marginais em contramão (Catuaí) ou não sejam devidamente informados da existência de um acesso à rodovia em desnível, ou seja com viaduto muito mais seguro (UEL). O acidente fatal de anteontem em frente a UEL teria sido evitado se o motorista do Gol utilizasse o viaduto do acesso pela Castello Branco. Para tanto ele teria que ter sido informado desta possibilidade através de sinalização ou obrigado a fazê-lo em decorrência de um sistema viário mais racional.
Este trecho possui outros pontos negros que são o acesso ao Catuaí, a região que cruza o Novo Bandeirantes e as confluências com as avenidas Harry Prochet e Arthur Thomas, em que as alças de acesso e saída possuem pelo menos três interseções com o fluxo de tráfego. Portanto, o poder público é muitas vezes responsável pelos acidentes, e só vai se aperfeiçoar quando for devidamente acionado por tais responsabilidades. A economia de recursos não pode ser a justificativa para pôr em risco os usuários das vias públicas, ou seja, os contribuintes, os cidadãos.
- RICARDO RALISCH, Londrina
Lula e Brizola
É estranho o artigo em que Lula e Brizola lançam suposta dobradinha de candidatura à Presidência. Em épocas passadas (eleições anteriores) eram como cão e gato, não podiam nem se olhar. Mas como na política nada se cria, tudo se transforma, retornam como bons e velhos amigos. Disto tudo só tenho uma certeza. Em um país em que o rei do futebol faz campanha para a alfabetização das crianças, não podemos ter um presidente analfabeto, sem instrução acadêmica (não pretendo e não desejo fazer nenhuma crítica quanto a pessoa), pois assim sendo, como poderei cobrar dos meus filhos o estudo, a necessidade de possuir uma formação acadêmica? Com certeza terei deles uma bela resposta. Vejo, com tristeza, educadores que apóiam esta candidatura. Compete ao povo, a nós e aos educadores tomar esta decisão.
- PAULO MAGNO LEITE, Londrina
Correção
Por erro de digitação, foi publicado em reportagem na página 3 da edição de ontem da Folha da Sexta que a Folha vai fazer 60 anos. O correto é 50 anos.





