O leitor escreve
Pacote econômico
Não sou nenhum especialista em economia, mas essas medidas econômicas do governo mais uma vez nos mostram que o Plano Real não passa de uma ilusão ou nada mais do que mais um ‘milagre econômico’. O Governo, em vez de implementar a reforma tributária, tenta iludir o povo brasileiro de que, primeiro, é necessária a reforma administrativa e a da Previdência. Ora essa, o aposentado recebe uma miséria de R$ 100,00, pelo menos a maioria. Já o funcionalismo público nem se fala. A maioria recebe miséria, com exceção nos cargos de primeiro, segundo e terceiro escalão. Na verdade estes últimos, sim, é que quebram o Estado, por produzir pouco e ganhar demais. Desde quando aumentando impostos se deixa uma economia sólida? Desde quando cortar verbas da saúde e educação para 98 se enxuga a máquina? Aumenta-se, sim, os miseráveis pelas ruas, sem emprego, educação, saúde e muito menos um teto para morar!
- EDUARDO TOLOMEOTTI, Londrina
Perda auditiva
Hoje já se realiza exames destinados à detecção da perda auditiva em bebês com 24 horas de vida. Grande progresso. Diante do resultado de qualquer exame que constate a perda auditiva é um choque para qualquer pessoa. As reações são as mais diversas. Afinal, a pessoa está diante de uma situação nova. E como situação nova deve-se conhecê-la antes de qualquer atitude. Surdez é a ausência ou dificuldade para ouvir sons puros, ambientais e sons da fala humana. Identificar a surdez o mais cedo possível irá favorecer a escolha de atendimento adequado, em tempo hábil para que não haja defasagem no desenvolvimento da linguagem e da interação do portador ao seu meio social.
Identificado o grau da perda auditiva a criança deve usar um aparelho auditivo, que consiste em um microfone, um amplificador e um emissor. Deve-se fazer um trabalho para que a criança perceba e se familiarize com esses sons. Mas nem sempre a criança suporta esses sons, e então ela rejeita o aparelho. O uso do aparelho nunca deverá ser forçado. Afinal, depois de certo tempo e trabalho a criança saberá o que é melhor para ela. Devemos respeitar a decisão da criança surda, pois sua educação não pode ser apenas terapêutica, ser vista apenas como ausência da fala. Precisamos dar importância ao desenvolvimento cognitivo, pois é fundamental para o ser humano.
Ao impormos apenas a oralidade para o surdo estamos impedindo sua língua natural de fluir. Estamos tirando-lhe o direito de desenvolver sua personalidade, a formação da sua identidade, bloqueando seu pensamento e linguagem, que terá como consequências emocionais o medo e a insegurança pela falta de informações importantes que o levará a ter conduta fora dos padrões, como indiferença, nervosismo etc.
Aprender línguas de sinais para se comunicar com os surdos é dar-lhes oportunidade de adquirir conhecimento igual uma pessoa ouvinte, desenvolver sua linguagem igual de pessoa ouvinte. As línguas de sinais são naturais, pois refletem a capacidade psicobiológica humana para a linguagem, porque surgiram da mesma forma que as línguas orais. São línguas que não derivam das línguas orais, mas que fluíram de necessidade natural de comunicação entre pessoas que não utilizam o canal auditivo-oral, mas o espaço-visual. Se o atendimento ao surdo se dá por esse caminho com certeza teremos sucessso na sua educação, não apenas na escola, mas como ser humano capaz e feliz. Assim quando lhe oferecermos uma segunda língua encontraremos mais facilidade de aceitação. ‘No caso da pessoa surda, a língua de sinal é essencial - a criança surda precisa da sua língua natural para garantir o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, do pensamento. E a língua oral é necessária, pois a criança surda precisa dominar a língua oral para fazer valer seus direitos diante da sociedade ouvinte.’
- MARIA DE FÁTIMA FAVORETO CATARINO, Londrina
Corretores
Como a lei da gravidade e outras naturais, a da oferta e da procura não é obra de nenhum político, não foi discutida, votada nem aprovada em nenhuma assembléia, e muito menos promulgada, outorgada ou sancionada por nenhuma autoridade competente. No entanto, ninguém consegue descumpri-las, desobedecê-las ou burlá-las, embora algumas pessoas, e até investidas de altos cargos, muitas das vezes pensem ser isso possível.
É o que nos parece quando o governo de Fernando Henrique Cardoso, representado (às vezes) pelo ministro Sérgio Motta, estabelece ‘normas reguladoras’ para a transferência de linhas telefônicas entre particulares, insurgindo-se contra os respectivos corretores (Não sou um deles e nem tenho interesse financeiro no assunto. Sou simples cidadão cessionário de uma linha telefônica particular), como se fossem eles os responsáveis por este caos telefônico em que vivemos. Para não dizer as comunicações como um todo. Vide concessões de emissoras de comunicação, rádios piratas e até os Correios, de saudosa eficiência.
Esquece-se a contraditória autoridade que o preço de mercado do telefone é o que é simplesmente por faltarem linhas para os usuários. Quanto mais faltarem, mais caras serão. E uma das funções do seu ministério é exatamente a de disponibilizá-las ao máximo (não o faz com a desejável eficiência) a quem tem o respectivo poder aquisitivo e direito legal de obtê-las, e não colocar a culpa nos corretores, intermediários que apenas facilitam sua transferência, assim como os de imóveis, automóveis, ações e outros bens que para isso hão de ser remunerados como quem exerce qualquer outro tipo de atividade legal e moral, diferente do imoral episódio da compra e venda de votos para a aprovação da emenda da reeleição, onde quase todos sabem quem figurou na imprensa como o maior dos ‘corretores’, o que deve ter contribuído para gerar o conceito de corruptos a nós, brasileiros honestos, atribuído no relatório elaborado por ocasião da visita do presidente Clinton, e que manchou de forma vergonhosa a imagem do nosso País.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro

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