O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Sulamericanês
Tenho observado o espírito otimista da Folha em relação ao Mercosul, a única grande solução, se bem executado, para a América Latina ter voz, como bloco, no terceiro milênio. É preciso reforçar tudo que nos seja peculiar, tudo que tenha alma índio-luso-hispânica, nessa mescla pluricentenária de culturas, línguas, hábitos e pátrias.
Não perdemos, sequer, se analisarmos mais a fundo, nossas raízes incaicas: Estão aí o aymará (língua falada por mais de 1 milhão) e o quíchua, idioma que saiu do aimará, falado por 5 milhões na Bolívia, Peru, Colômbia, Equador e na divisa Bolívia-Argentina. Quando se observa o quão forte é a expressão popular e quão profundamente adentra a alma dos povos a língua, séculos afora, podemos confiar que mais próximos, cultivando resquícios da cultura dos últimos povos testemunhos de sua destruição, os povos transplantados, no dizer do saudoso Darcy Ribeiro, poderemos sonhar com a Grande Pátria Sulamericana, em que possamos falar nossas línguas, cultivar nossas tradições, longe do colonialismo cruel e da globalização redutora da individualidade. Podemos ser nós mesmos participando da Grande Pátria índio-luso-hispânica, que cada qual adaptará ao seu caráter nacional.
Nesta parte do mundo, no afã de sairmos do atraso e da pobreza, da espoliação e das injustiças, há que surgir grandes condutores de gente, orientadores de povos, não políticos medíocres, que nos causam asco. O Mercosul tem grande possibilidade de transformar em realidade o sonho de Bolívar, de OHinngs, de Sarmiento, mas há mister, além da doutrina econômica, dar-lhe dimensão social, filosófica e saber o que o Mercosul deseja para a América do Sul. Faltam-lhe doutrina, rumos e metas para sonhar. Quais os sonhos do Mercosul? O primeiro grande passo, no plano da integração: Seremos bilíngues português-espanhol. Do uso comum desses dois idiomas surgirá o sulamericanês até 2.100, que será falado por 700 milhões. Nossas diferenças maiores: o ão e o J gutural serão transformados em algo mais suave.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Irregularidade
Em matéria neste jornal, do dia 6, o Tribunal de Contas alerta os prefeitos e vereadores sobre possíveis irregularidades em relação a salários. No tópico final da reportagem lê-se: Segundo a legislação, os vereadores exercem cargos eletivos e não são servidores públicos; por isso não podem receber gratificações natalinas ou remuneração extra a título de 13º salário. Baseado neste dispositivo legal, entramos com mais alguns munícipes com ação popular pedindo a devolução, aos cofres públicos, das importâncias relativas ao 13º salário de 1995 e 96, pagos aos vereadores de Londrina. Ganhamos em primeira instância, conforme decisão unânime da 2ª Câmara Civel do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.
Quando resolvemos ir à Justiça não tínhamos outro objetivo senão exercer nosso direito de cidadania e fazer justiça aos milhares de contribuintes que pagam seus impostos. Já eram do conhecimento as advertências que faz o Tribunal de Contas. Agora, na aludida matéria insistem alguns em encontrar saída para as irregularidades. Veja-se, por exemplo, o que fez a legislatura passada da Câmara de Vereadores de Londrina. Num ato de resolução em que por lei estava obrigada a estabelecer vencimentos para a futura legislatura e para o Prefeito, criam um artigo letra C, em que tentam regularizar a situação, para pagamentos futuros. Alertamos os vereadores da atual legislatura para que revoguem o artigo no sentido de evitar que algum munícipe o faça através de ação judicial.
- WALTER COSTA BARROSO, Londrina
Velho órgão
Que pena! O velho órgão da nossa Catedral voltou ao noticiário. A Igreja, na manifestação do padre Bernardo Gafá, continua achando que ele é apenas um estorvo. O velho órgão é tratado como todos nós, os velhos do Brasil, um estorvo. Lembro com tristeza dos grandes musicistas e virtuoses do passado, que sempre viveram à sombra das catedrais e capelas, como mestres de música, nas capelas, compondo divinas obras em vetustos órgãos de fole aspirante-premente com tubos de madeira, como o nosso estorvo, traduzindo dos seus tubos sonoros os sons celestes ouvidos no campo do sonho e da inspiração, música das esferas.
Temos a promessa de construção de um teatro em Londrina. Não sei se a FUEL poderia colocar o órgão provisoriamente no Teatro Ouro Verde. É um bom lugar para armazená-lo até que se construa local digno de abrigá-lo definitivamente. No futuro teatro ele não seria um estorvo. A orquestra da FUEL poderia, com todo o direito, assumir a proteção dele e futuramente integrá-lo ao seu acervo, dando-lhe destino digno e útil até para os cursos de música e os nossos já internacionais festivais de música.
- FRANCISCO BRUNO, Londrina
Feira do Comtour
Desnecessário dizer que 1997 tem sido um dos piores da história do varejo londrinense. A esperança do varejista se resume neste mês e em dezembro, quando esperam recuperar um pouco das vendas não realizadas durante o ano. Porém, o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região foi informado de que uma feira de Natal será realizada no Comtour entre 12 e 21 de dezembro. Se as empresas que vão participar da feira são de Londrina não temos nada contra, mas se empresas de outras localidades também pretendem participar, entendemos que não deveriam conseguir alvarás, pois nada mais são do que garimpeiros. Empresas de fora não têm nenhum compromisso com a sociedade londrinense, com o consumidor e muito menos com o empregado que será eventual, levando para suas cidades o resultado da sua garimpagem. Estamos preocupados em reservar aos londrinenses o nosso mercado interno, negando alvará a forasteiros.
- IGARASSU LOUZADA, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região.
Brizola
Experiência administrativa e política, com três mandatos de governador (um no Rio Grande do Sul e dois no Rio de Janeiro), qualifica Leonel Brizola para candidatar-se a Presidente da República, numa coligação com o PT e Lula na vice, podendo unir a esquerda, centro esquerda e alguma parcela da direita. Nos Estados o candidato a governador de ambos os partidos (PDT e PT) seria quem estivesse encabeçando nas pesquisas. Até à convenção deve ser o candidato da coligação.
- ANTONIO SELEME, Curitiba





