O LEITOR ESCREVE
Perspectivas do mercado
Ao alcançar o controle das taxas inflacionárias, o panorama da economia brasileira vem apresentando sinais de desaquecimento nos índices de consumo e de produção industrial. Os aspectos mais preocupantes continuam sendo a política cambial com reflexos na balança de pagamentos e os gastos públicos, que colocam o Brasil como campeão da América Latina (31% do PIB), ao lado da Venezuela. A mudança do perfil dos gastos públicos está vinculada ao andamento das reformas no Congresso. Pelo andar da carruagem, os projetos mais fundamentais para reformar o Estado devem ir sendo postergados para depois das eleições... sempre para depois das eleições, o que nos remete, provavelmente, para o próximo milênio. Logo as expectativas de sedução do ‘Custo Brasil’ são só para quando o calendário virar para 2000.
As grandes quedas dos mercados internacionais, nas últimas semanas de outubro, nos induzem a prever dificuldades com a entrada de capitais externos, os quais estão financiando o déficit do Governo, o que certamente acarretará alta nas taxas de juros, aperto no crédito e no consumo. Os investidores nacionais e internacionais deverão aumentar sua percepção a respeito dos riscos em decisões de investimentos, o que resultará em novos perfis de portifólios. A proteção contra ativos de risco, como ações, irão dificultar o logro de grandes ágios, quando das privatizações. Ou seja, as empresas passam a ter valor menor, o que dificultará ainda mais os planos do Governo de diminuir a dívida interna.
- VILSON DECONTO, Curitiba
Era espacial
Finalmente o Brasil resolveu lançar um satélite no espaço. O mundo ficou surpreso. A data real seria quinta-feira, 30 de outubro. Falha num dos motores (recondicionado) obrigou os técnicos a adiar o lançamento. Que fazer? Aí surgiu a alma salvadora: ‘Xa comigo. Trabalhei cinco anos na Retífica Tupi. Motor recondicionado é comigo mesmo. Tô com bagageiro na Brasília. É só carregar.’ No sábado foram em busca do motor. O tal mecânico explicou: ‘Seguinte. O pobrema é na partida. Tive de colocar uma de trator, que é mais resistente...’
Trabalharam sábado, dia e noite, até a madrugada, pois o novo disparo teria que ser domingo, entre 9 e 10 da manhã. Já havia sido reservado horário na TV e o mundo inteiro iria assistir... Silêncio total, olhos fixos na geringonça, cordão de isolamento, policiais, sorveteiro, marinheiros patrulhando o mar, pura expectativa. Contagem regressiva: 3... 2... 1... Nem chiado... Até que, finalmente, o foguete resolveu subir. Subir em tese, porque o danado do motor não funcionou, não pegou. Todo torto, fora de prumo, desgovernado, foi ganhando altura. Então veio a ordem: ‘É preciso abatê-lo! Atirem, ordenou o chefe de segurança. Atiradores de elite da Polícia, com gorro e máscara, não se sabe porque, desfecharam infernal e interminável salva de tiros e nada do monstrengo despencar. Até que um desconhecido conseguiu abatê-lo, além das nuvens. Era um contraventor com arma mais potente que as da Polícia.
Populares presentes comentaram o estrago que o tal foguete faria no espaço. Acabaria com os satélites americanos, ingleses, russos, paraguaios, etc. que orbitam o infinito. O combustível era quase inesgotável: álcool hidratado, bagaço de cana, óleo de mamona e dendê, calculado para anos de estripulias no espaço. Desta vez não deu, mas a luta continua. Juntos chegaremos lá...
- ESMERALDINO FRANCO, Cornélio Procópio
Oswaldo Diniz
Parabéns à ‘Folha’ e ao Ranulfo Pedreiro pela reportagem sobre Oswaldo Diniz. Logo que cheguei a Londrina, vindo do Rio, e sem opções de bares onde uma pessoa do sexo feminino pudesse entrar sozinha e beber uma cerveja sossegada, descobri (desde a inauguração) aquele oásis que foi o Pão, Filé e Cia. Lá conheci aquela figura rara, maravilhosa, do Oswaldo. Vendia cerveja, sentava na mesa da gente pra beber e papear e ainda fazia a ata da noite anterior. Onde foram parar aquelas atas? Sugiro a algumas figurinhas constantes por lá (Tomazzi, por exemplo) trabalhem em cima delas para que se possa recuperar essa pequena crônica da vida boêmia de Londrina. Aquela reportagem me deu uma saudade imensa do Oswaldo...
- MÁRCIA S. DE CARVALHO, Londrina
Crash nas Bolsas
- Tão grave quanto a crise do México, agora o Brasil foi vítima do crash das Bolsas e teve que entregar 5 bilhões de dólares aos especuladores internacionais pela fragilidade do Plano Real no exterior. O mais triste ainda foi como reagiu o todo-poderoso presidente do Banco Central, Gustavo Franco, dizendo que iria aguardar ainda ‘‘novas emoções’’. Hipócritas disseram que iriam usar armamentos leves ou pesados para estancar a crise. Os leves foram a entrega dos 5 bilhões e os pesados, a alta na taxa de juros, comprometendo ainda mais o Plano e o comércio e a indústria, que se preparavam para o Natal. Além do principal, nós, da classe média e população de baixa renda, é que iremos pagar a conta nos juros de financiamento e cheque especial nos bancos. Não satisfeitos, os especuladores não foram embora porque, com a alta taxa de juros pagos pelo governo, eles ficam no Brasil até beber a última gota de sangue, onde, como disse o mártir Tancredo Neves, quem paga a conta é o povo brasileiro, com a miséria e a fome. Com tristeza.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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