O LEITOR ESCREVE
Papa e o Evangelho
O espetáculo digno de um megashow musical, proporcionado por Fafá de Belém, Roberto Carlos e outros artistas no Maracanã e no Aterro do Flamengo, não serviu para disfarçar o impacto dos temas papais sobre a família e o aborto. A imprensa brasileira, como se esperava, reagiu objetivamente comentando os aspectos relevantes. A constatação geral é de que a Igreja continua com o mesmo discurso e o de que a população católica brasileira continua católica nominal em sua maioria, todavia menos católica na prática.
Essa discrepância entre fé e realidade socio-religiosa guarda suas raízes na história primitiva da própria Igreja. Quando os bárbaros começaram a invadir o Império Romano, a partir do século IV, a Igreja já havia se unido ao Estado romano e começara a imitar os costumes das cortes imperiais, tendo seus clérigos investidos em cargos civis e civis adotando o hábito religioso para usufruir dos privilégios políticos e temporais. Dava status não ser médico ou político e sim ser clérigo da Igreja. Os papas, durante muitos séculos, ligavam-se ao imperador e muitas vezes serviam a seus interesses. O mais grave se deu naquilo que mais caracterizava a Igreja primitiva: a pregação da Palavra de Deus, a evangelização.
Com as invasões bárbaras a língua latina, que dominava todo o Império Romano, foi se transformando em diversas línguas e dialetos. A Igreja sempre pregava em latim e o povo entendia, pois era a língua universal da época. Porém, devido ao perigo das heresias religiosas e ao desejo de manter uma igreja unificada hierarquicamente, a Igreja ficou com a língua latina e o povo não mais entendeu, até o Concílio Vaticano II, aquilo que se falava no púlpito. A mensagem evangélica ficou restrita aos meios eclesiásticos e o povo acabou criando sua própria devoção aos santos que o ligavam, de alguma forma, à Igreja e preservou sua ligação com ela..
- RENATO BERTIN, Londrina
Mercado de trabalho
Não constitui mais novidade que na preparação para o trabalho, neste final de século, o ser humano precisa ser mais do que técnico para continuar integrando o universo dos empregos. É preciso ter, cada vez mais, formação omnilateral personificada num processo contínuo de aprendizagem. O profissional que se prepara para exercer atividade no século 21 precisa estar ciente da dinâmica dos empregos, que desaparecem e surgem com grande velocidade. As possibilidades futuras de trabalho, diante da globalização, estarão cada vez mais atreladas ao limite cultural que soubermos criativamente nos impor. Pois está cada vez mais remota a possibilidade de se ter emprego garantido após vários anos de árdua preparação, como estivemos acostumados a pensar ao longo deste século, que está por findar.
Dados divulgados pela FUVEST demonstram que a maior concorrência no vestibular gerenciado por ela não se relaciona mais às carreiras clássicas, ‘nobres’. A carreira mais disputada este ano é Publicidade e Propaganda, com 84 candidatos por vaga, o que inevitavelmente é forte indicativo na preferência e tendência de empregos relacionados a esta área. Em seguida aparecem, na preferência, Fisioterapia, Jornalismo e Turismo, algo bem distinto do que se ouvia falar há alguns anos, quando se tratava de fazer opção por uma carreira universitária.
Segundo a professora Norma Viapiana Golfetto, pró-reitora de Graduação da Unioeste, em editorial do Jornal do Vestibular, ‘a possibilidade de passar por um processo de formação e ao final não encontrar, já construído, preexistente, um espaço no mundo do trabalho, é realidade que precisa ser considerada na caminhada da profissionalização. A professora prevê que a capacidade de criar novos espaços de trabalho ‘depende do conhecimento, da vontade, da motivação, da cultura, muito mais do que de habilidades técnicas de saber fazer para exercer uma função. E frisa que ‘a profissionalização não se completa com o término do curso. Buscar a profissionalização, segundo ela, é ‘aceitar o desafio de ter de estudar sempre’, postura considerada adequada, diante das profundas mudanças provocadas pelo avanço tecno-científico atingido pela sociedade.
- TARCÍSIO VANDERLINDE, docente da Unioeste, Cascavel
Criança surda-muda
Constatado pelos exames que a criança tem deficiência auditiva ou que é surda, embora não seja fato agradável, pois o sonho dos pais é ter filhos belos e perfeitos, não cabe desesperar, mas buscar recursos para o melhor desenvolvimento e melhor processo de sociabilização e comunicação. Com um ano e meio a criança normal pronuncia palavras. A linguagem é associação de símbolos sonoros memorizados pela fixação da audição. Hoje, com modernos aparelhos eletrônicos pode-se diagnosticar a surdez já nas primeiras idades. Se confirmada cabe aos pais se preocupar, sem se alarmar, tratando a criança de maneira normal e igual às outras crianças, não lhe impondo a idéia de piedade ou rejeição.
Os familiares devem falar muito com essa criança, normal mas procurando que ela acompanhe o movimento dos lábios de quem fala e associando a fala com elementos ou figuras sensíveis que associem a fala gesticulada e labial com os objetos. Embora deva frequentar ambientes e companhias normais de todo o aprendizado da fala e da comunicação, se fará melhor numa escola de surdos-mudos, com professores especializados e aparelhos de estimulação visual, tátil e auditiva. A criança deve sentir orgulho e confiança. Que é amada e valorizada. Deve ter oportunidade de desenvolver suas habilidades com liberdade. Entenda dele as coisas próprias da idade, da condição social e física. Aplauda seus sucessos. Coopere com o médico, a escola e os professores. Seja paciente, amoroso e mantenha a fé.
- FAHED DAHER, médico em Apucarana
Cumprimento
Cumprimentamos a ‘Folha’ pelo editorial do dia 2, intitulado ‘Apelo à união’, onde, de maneira precisa e oportuna, manifesta sua opinião sobre o momento econômico e político.
- ROBERTO KANASHIRO, vereador em Londrina

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