O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Voto da mandioca
Houve época em que no Brasil se tentou dar direito ao voto em função da produção de farinha de mandioca. Naquela época as mulheres, os negros e os analfabetos também não tinham o direito de votar. Esse espírito preconceituoso do voto, a bem da verdade, nunca deixou de existir. Agora, novamente ele se manifesta, desta vez dentro da Universidade de Londrina. É que alguns mal-intencionados querem esvaziar o poder do voto dos funcionários e alunos nas eleições para reitor. Alegam que somente docentes têm a responsabilidade pelos rumos da Universidade e, por isso, merecem um peso maior de voto.
No último dia 27 de outubro, funcionários e alunos da UEL promoveram manifestação em defesa do voto paritário, isto é, o voto cuja proporcionalidade entre as categorias são equivalentes. Na verdade, tratou-se de uma luta interna contra aqueles mesmos personagens que, há alguns anos, precisaram do nosso voto (de forma paritária) para derrubar a ditadura dentro da Universidade, mas que, no entanto, foram contaminados pelo espírito do voto preconceituoso. Lamentamos profundamente que, nesta batalha, nossos principais adversários sejam os aliados de outrora. Entretanto, não podemos ficar calados diante do péssimo exemplo de cidadania que alguns dos nossos educadores estão dando à comunidade. Voto da mandioca... nunca mais!
- ITAMAR ANDRÉ R. NASCIMENTO, Londrina
Insegurança
Estamos nos defrontando com período eleitoral. Coisas da democracia. Se é ruim ou bom somente o tempo dirá. País do terceiro mundo, o Brasil não está plenamente consolidado político e economicamente. Isso trás para os brasileiros grande insegurança. Dependendo, ainda, de muitas reformas na Constituição. Será preciso mesmo reformar a Constituição? O presidente José Sarney disse, há mais de oito anos, que com essa Carta Magna o Brasil seria ingovernável. No entanto, passados mais de dois mandatos presidenciais o Brasil aí está, firme e desabrochando para o mundo. A inflação foi contida e o País entrou na corrida da globalização econômica.
Todavia, permanece na memória do povo a síndrome do medo. Sucessivos planos econômicos têm causado ao povo e ao empresariado sérios prejuízos. Quem não se lembra do confisco da poupança, da corrida ao boi no pasto, do represamento dos juros nas cadernetas? Toda vez que se aproximam as eleições o País fica parado, na expectativa do que poderá acontecer. Enquanto estivermos buscando um salvador da pátria a dúvida continuará. Sem o fortalecimento das instituições partidárias, o cumprimento fiel dos programas de cada partido e o respeito absoluto às leis e à Constituição não haverá democracia que resista.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Londrinatal
Em nome do Fã Clube Família Lima e de muitos outros do grupo musical gaúcho, solicito às autoridades competentes que aquele conjunto venha participar da abertura do Londrinatal, dia 30 de novembro, pois assim teremos uma comemoração natalina com mais amor e paz. Os integrantes são dotados de grande talento e carisma, com os quais conquistam o Brasil e o exterior.
- NAYÁ IZABELLA VILANOVA, Londrina
PT-PSDB
Conversas preliminares entre o PT e o PSDB, buscando entendimento para as eleições de 1998, surpreendem os meios políticos paranaenses e causam lamentações dentro do PDT, que se aproxima dos petistas tendo como ponto de partida o combate ao neoliberalismo, em nossa visão manifestado tanto pelo PFL de Antonio Carlos Magalhães quanto pelo PSDB de FHC. Seguindo postura semelhante à de Leonel Brizola, no esforço para viabilizar a unidade nacional das oposições, a direção estadual do PDT não coloca qualquer restrição a uma eventual candidatura do PT a governador do Paraná, mas mantém-se também confiante na reciprocidade e segue defendendo a candidatura própria.
Além de perder tempo com a iniciativa, o Partido dos Trabalhadores revela que não há recíproca com o PDT e a idéia de formarmos juntos a grande e verdadeira alternativa oposicionista, popular e democrática para as eleições de 1998 vai ficando para planos secundários. Bem que poderíamos observar a advertência que o presidente nacional do PT, José Dirceu, fez no jornal Folha de S.Paulo do dia 29: Depois da vitória da oposição na Argentina, seria burrice a esquerda não se unir no Brasil.
- VALMOR STÉDILE, advogado e secretário de Comunicação do PDT/PR, Curitiba
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