O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Jovens advogados
Com o exclusivo intuito de esclarecer os jovens advogados, cuja adjetivação a princípio parece criar uma outra classe, o candidato pela Chapa XI de Agosto, Edgar Albuquerque, na edição de 30 de outubro, caderno Cidade de Londrina, página 3, destacou séria preocupação com os destinos do recém-compromissado nos primeiros anos de sua vida profissional. Tão séria que dos 34 integrantes, 7 deles são advogados com inscrição de menos de 10 anos, repudiando a norma estatutária que veda a elegibilidade daqueles com menos de 5 anos de inscrição.
Eles, com voz e voto no Conselho Estadual, serão os incrementadores de outras medidas para melhoria do exercício profissional, em todos os níveis. O que de resto sempre foi preocupação constante da diretoria estadual em exercício, posto que convênio com o Estado do Paraná, de modo pioneiro, remunera o patrocínio de demandas sob o pálio da justiça gratuita, favorece a todos os advogados, mas em particular aqueles que ainda não solidificaram uma banca. E, mais, permitem a projeção e o estímulo profissionais.
Em sede local, de igual modo, a atual administração, também XI de Agosto (digo de cadeira, na condição de ex-presidente da Subseção) é a que mais medidas implementou em favor de todos causídicos e diretamente aos advogados iniciantes, ao ligar-se à Internet e disponibilizar acesso imediato a diversas formas de informação jurídica etc.
O advogado, ser político por natureza, certamente, no momento de depositar seu voto na urna, saberá visualizar seus anseios, seus projetos, dentro das propostas que se lhe apresentarem. Mesmo porque a Ordem dos Advogados do Brasil é a sua casa e merece constante e dinâmica vigilância.
- JOÃO TAVARES DE LIMA FILHO, advogado em Londrina
Órgão da Catedral
Li a reportagem da Folha e fiquei impressionado pelo fato de o órgão da Catedral de Londrina ser considerado coisa velha etc. Um instrumento fantástico, maravilhoso, impressionante até, quando bem tocado como aquele, nunca fica velho. Por si só é magnífico o velho órgão, construído em 1940. Velho? E que dizer então do órgão da Catedral de São Marcos, em Veneza, lá colocado em 1470, trinta anos antes da descoberta do Brasil. Ele já sofreu inúmeros restauros (o nosso só teve um e incompleto) e todos os domingos inunda aquela igreja com seu som potente, maravilhoso e inigualável.
Ao passar pela Áustria, em Insbruck, tive o privilégio de assistir ao concerto de reinauguração do órgão da capela do palácio da Prefeitura, lá colocado em 1600. É igual ao nosso, feito somente com tubos de madeira. Isso o torna uma preciosidade maior ainda, pois é raríssimo um conjunto de quase mil tubos de madeira, com o som espetacular, peculiar do instrumento, denominado pelos grandes compositores como o rei dos instrumentos musicais.
Por que tanto espaço e esforço para tentar salvar o órgão da Catedral de Londrina? Porque seria pena privar a comunidade cristã e londrinense de um dia poder ouvir o som imponente e maravilhoso daquele instrumento ímpar que jamais será igualado pelos teclados eletrônicos mais avançados que se possa engenhar, em registros, tons e sons originais. Sugiro outra campanha para novo restauro do órgão e sensibilização do monsenhor Gafa a fim de que ele permita que um dia possamos ouvir aquele instrumento.
- ANTONIO CARLOS PAZINATTO, Londrina
Alarme falso
Fato estranho aconteceu, quinta-feira, por volta das 20 horas, na Universidade de Londrina. Um funcionário da UEL entrou em nossa sala (111, CCH, 2º ano de História) e avisou que a segurança pedia que todos evacuassem as instalações da instituição, pois ela havia recebido, pelo telefone, ameaça de bomba. Todos saíram da sala e foram para os corredores.
Aí começa o fato estranho: Os alunos não acreditaram muito na ameaça - e me incluo no grupo - e nem se protegeram da possível bomba. Ficaram conversando nos corredores e até fazendo piadas da situação (se fosse em Beirute o aviso seria dado depois...). Afinal, estamos em período de provas e comentava-se que alguns alunos tinham motivos para causar o tumulto, adiando as temíveis provas.
A Polícia foi acionada e vistoriou as salas, departamentos, centros acadêmicos, banheiros, enfim, tudo. A Polícia foi acionada mas não os bombeiros. O aparato militar que a protegia eram coletes à prova de bala (não de bomba) e a vistoria foi para inglês ver. Não sou especialista e nem é preciso para perceber que a atuação foi falha. Os policiais entraram nas salas e reviraram tudo, sem o menor cuidado ou perícia para tratar da situação. Davam a impressão de estar procurando qualquer coisa, como droga, produto de furto, meliantes, menos uma bomba.
Tive a impressão de assistir a um teatro, uma comédia, onde o terrorista enganou a UEL, que enganou a polícia, que enganou os alunos que, na figura do terrorista, enganou a UEL novamente, não indo fazer a tal prova, se for aluno realmente. Será que a UEL ainda não possui um aparelho como o Bina, que identifica a origem do telefonema? E a Polícia Militar não treina seus soldados para situações assim? E se realmente houvesse bomba lá? Morreríamos?
- JÚLIO SEVERINO CARDOSO NETO, Londrina
MST X MNP
Participei, dia 28, do debate promovido pela Sociedade Rural do Paraná, com a presença de um vice-almirante da reserva e de um jornalista mexicano especialista em movimentos neopolíticos, incluídos dos zapatistas, do México, ELN, do Haiti, e do MST do Brasil, além de outros da América Latina e África. No debate fiquei surpreso com o oficial da Marinha, que disse: Por favor, respeitem as minorias deste país. O apelo partiu de um digno representante da força ditatorial que dominou o Brasil por muitos anos.
O surpreendente foi dito numa platéia formada por grandes latifundiários, que esperavam por uma intervenção das Forças Armadas e compareceram ao debate na expectativa de que o vice-almirante reforçaria seus desejos de retaliação, mas ele foi taxativo: A violência causada por alguns de seus ancestrais, o acúmulo indiscriminado de riqueza por alguns e o processo de escravidão imposto por alguns ao trabalhador rural, aos chamados bóias-frias, abriram brechas para que estrategistas (do MST, Pastoral da Terra, ONGs, Governo britânico e teólogos da Libertação) impusessem suas teorias.
- LUIZ FURTADO, Londrina





