O LEITOR ESCREVE
Segurança
‘‘Industrialização, mais empregos, mais receitas para o Estado.’’ Num dia vemos que o governador assina protocolo para instalação de mais uma empresa, claro, na região metropolitana de Curitiba. No outro, nova tentativa de rebelião em presídio de Londrina, gerando insatisfação e preocupação dos londrinenses, como eu. Não é de hoje que a segurança (ou a falta de) vem se tornando notícia corriqueira em Londrina. Se o governo gastasse em segurança metade da verba que utiliza com propaganda Londrina ou qualquer outra cidade paranaense teria mais condições e alternativas de enfrentar a questão.
Não entendo o porquê de tanto desinteresse do governo em procurar soluções para resolver parte do problema de segurança da cidade que, infelizmente, ajudou a colocar Jaime Lerner no Palácio Iguaçu. Espero que visitas oportunistas de última hora não apaguem os 4 anos decepcionantes de sua administração. Afinal, as eleições estão por vir e com certeza Londrina estará na agenda de campanha do governador.
- DIEGO PRAZERES, Curitiba
Defunto
A palavra veio do latim - defunctus vita = que já se desobrigou do encargo da vida. O Aurélio devia conhecer bem o latim. Sua definição, sobre ser elegante, é exata. O verbo latino, depoente, isto é, forma passiva e sentido ativo, é composto de fungor e vale, como o primitivo, em português, cumprir, desobrigar-se. A vida é uma obrigação. Desde o berço. Pessoal, intransferível. Só Deus pode tirá-la. É soberano. E não admite que alguém - seja lá quem for - se arvore em matador. Categórico o quinto mandamento. Viver, porém, não é - definitivamente - lazer ou gozo. É encargo. Muitas vezes, queiramos ou não, encargo pesado. Nem vale a costumeira expressão: cada um leva a vida que quer. Muitíssimos a levam como a não queriam. Tanto assim que vale, igualmente, o dizer, ao findar da vida: descansou. Isto explicado vamos ao momento que interessa.
Dia 2 de novembro é Finados: defuntos. Celebramos, em pia e triste lembrança, os entes caros que descansaram da obrigação de viver. Muitos descansaram mesmo, outros... Todos se desobrigaram do encargo de viver. Cabe-nos celebrá-lo com carinho e respeito. Na certeza que uns e outros se desobrigaram bem dos dias vividos. A maioria, acreditamos, nos longos dias de trabalho, de bondade, do dever cumprido leal e fortemente. Merecido descanso. É importante, porque decente, não seja o dia 2 ocasião de comércio barulhento, de encontros e bate-papos festivos. E mais: seja nossa lembrança uma lembrança proveitosa. Recordando o que sabiamente afirmou Santo Agostinho: ‘Tudo o que fazemos pelos mortos somente aproveita aos vivos.’ Aproveitemos, sim, do belo nome que deixaram faiscando aos olhos como luz de verdade e de bondade. Aproveitemos no empenho sincero de bem nortear nossa vida no cumprimento das obrigações assumidas a fim de que, na hora da desobrigação do viver, tenhamos paz e esperança.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Desvio de livros
Não é gratuita a repercussão dos casos de permuta irregular e desvio de livros envolvendo as duas principais bibliotecas locais. Os responsáveis insistem em declarar que esse chocante descaso com o patrimônio cultural não passa de ‘permutas normais’, o que duplica a gravidade da situação e pede os cuidados e esforços dos responsáveis pela sindicância, pela defesa do patrimônio público e demais providências cabíveis. Quem entende de livros e ajudou a investigar o caso sabe de sua extensão: grande quantidade de obras, nacionais e importadas, inexistentes nos acervos locais, sistematicamente desviadas para comércio.
Um absurdo total, envolvendo doações como a coleção do arquiteto Luís Cesar da Silva. Fazia tempo, aliás, que eu estranhava a não-atualização do acervo da Biblioteca Municipal e a não-inclusão das obras doadas. Escritores locais doaram suas próprias obras e não as viram incluídas no acervo. Até 1990, me lembro, as obras doadas eram corretamente catalogadas e tornadas disponíveis. A recente avacalhação com o acervo coincidiu, curiosamente, com a informatização da biblioteca, estando coerente com a violenta imbecilização promovida pela ideologia informática, que vê no cheiroso e suave papel um ‘grosseiro meio físico’, a ser urgentemente substituído pelo que supõem ser a diáfana e etérea leveza da fétida e desajeitada parafernália de suporte da informação eletrônica. É simplesmente o fim da picada: seria o caso de criar agora cargos de fiscais de bibliotecas, não bastasse a inflação de fiscalização existente?
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Natureza morta
Nada como chegar num museu e ver telas, esculturas, instalações que dimensionam a nossa leitura em outra linguagem. Dentre as obras vemos ‘Natureza morta’, a representação da própria vida. A coisa muda quando estamos na vida e vemos a natureza morta. Deixou de ser representação, é real, é verdade. Não nos maravilhamos com essa leitura. Diariamente nos defrontamos com esse tipo de obra. Nestes dias mesmo, passeando pelo Igapó, vi centenas de peixes mortos, que têm sintonia perfeita com aquela árvore morta chamada da vida, que enfeia solenemente a paisagem. Que leitura fazer dessa obra? O que causou desastroso resultado, com que há uma semana somos obrigados a conviver? Fatos assim se tornarão constantes tão-somente pela omissão que nos torna analfabetos, cegos, surdos e mudos.
- ZULMI VIOLA, Londrina
Infância
Parabenizamos a ‘Folha’ pelo compromisso, ao mesmo tempo jornalístico e social, que claramente norteou a reportagem ‘Imposto de renda pode ajudar criança’, publicada dia 9 de outubro. A Agência de Notícias dos Direitos da Infância - ANDI e seus parceiros celebram o nascimento de novo perfil profissional de jornalismo, mais preocupado com seu papel social na busca de soluções.
- MARCO TÚLIO ALENCAR, Brasília

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