O LEITOR ESCREVE
Professor
Um dos nossos canais de televisão apresentou há dias uma reportagem sobre duas professoras. Uma delas percorre, a pé, longa distância para ministrar suas aulas a um grupo de alunos que a esperam ansiosamente todos os dias. A outra também percorre uma grande distância, mas a cavalo, para cumprir a nobre missão de ensinar. A primeira, atuando num acanhado espaço físico, divide o ambiente com um pequeno fogão a lenha, onde cozinha os alimentos para si e os alunos. A segunda reparte a sala com uma colega, sua auxiliar na transmissão de conhecimentos às crianças da região.
São dois exemplos excepcionais de esforço em prol da educação. Essas mestras abençoadas, que recebem irrisórios vencimentos, têm como tônica o prazer de lecionar, não demonstrando a preocupação e a certeza de estarem sendo aviltadas por um sistema educacional que não se importa com a valorização delas. Para esse sistema, pelo que se vê, o professor não passa de um simples adorno de pequena cotação no mercado do ensino. Não se pensa na razão principal de sua existência, a educação. Tem-se a impressão de que, se houvesse outro meio de educar, mas de modo eficiente, o professor seria sumariamente banido da nossa sociedade. Felizmente, não há; por mais que tentem. A presença dele é imprescindível.
Houve um tempo em que esse enviado divino teve o reconhecimento que lhe é devido . Forneciam-lhe as condições necessárias para o exercício de seu mister. O magistério apresentava-se como carreira atrativa. As famílias sentiam-se orgulhosas quando qualquer de seus membros optava por ela. Foi a fase áurea dessa majestosa profissão. Hodiernamente, muitos, imbuidos de sonhos e esperanças, ingressam nela, deixando-a, não raras vezes, em busca de novas oportunidades que lhe ofereçam melhores subsídios para sua subsistência. Os que continuam na classe lutam, com todo o heroísmo, para que ela suporte as injustiças. É a luta dos bravos, que servirá, sem qualquer dúvida, para reconduzir o professor ao seu trono: o trono da honra e da dignidade.
- DARIO LIVINO TORRES, magistrado em Curitiba
Ippul ou Infraero?
Acerca de nota publicada dia 20, nesta seção, o Ippul responde: ‘‘O Ippul - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina explica ao leitor Carlos Roberto Borba Navolar que não errou ao proibir o estacionamento de veículos nas proximidades do aeroporto de Londrina. Apenas seguiu orientação traçada pela Infraero. É importante informar que a área é de jurisprudência da Infraero e, num contrato com a Prefeitura de Londrina, para realização das obras de reforma do Terminal de Passageiros do Aeroporto, ficaram estabelecidas ações de ambas as partes.
A reforma do Terminal de Passageiros, no total, representará à Infraero um investimento de mais de 4 milhões de reais. À Prefeitura de Londrina coube, entre outras atribuições, realizar obras de recapeamento asfáltico e implantação de completa sinalização horizontal e vertical do local, de acordo com diretrizes da Infraero.
Sobre possível interdição do atual aeroporto, o Instituto informa que já existe, dentro do Plano Diretor de Londrina, proposta de construção de novo aeroporto, em outra região da cidade’’.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA DO IPPUL, Londrina
Furto de livros
Os recentes casos de furto e ‘nebulosa’ permuta de livros, em Londrina, encerram um alerta para os bibliotecários. Embora muitos profissionais tenham dado brados de alarme, poucos avaliam a magnitude e a significação do problema. Os leigos, usuários ou não, desconhecem o fato de que a permuta é procedimento corriqueiro e nunca amparado legalmente. Descaso, explicações simplistas e acusações gratuitas, porém, devem ceder lugar a um amplo debate sobre o assunto. A situação exige uma defesa responsável calcada na prática da biblioteconômica e, mais do que isso, nos interesses da sociedade. Afinal, seriam coisas distintas? O transtorno causado é consequência comum da falta de diálogo entre o poder público e os cidadãos.
- EUGÊNIO MARCELO MUNARI, Londrina
Omissão
Nos últimos dias a Contribuição Provisória da Movimentação Financeira está novamente no noticiário nacional. Artigo do ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, na revista ‘‘Veja’’ da última semana, trata do assunto lamentando o desvio do dinheiro da CPMF para outros gastos do governo e não apenas na Saúde, que foi o motivo da luta dele para sua aprovação. O artigo deixa clara sua decepção. O editorial da Folha de Londrina, de quinta-feira, também de maneira brilhante, foca a CPMF e, através de análise lúcida, conclui: ‘‘Se a CPMF não se destina integralmente à Saúde é melhor ser extinta’’.
E os hospitais como estão? Os hospitais públicos e filantrópicos que atendem ao SUS mais uma vez ficaram na mão. Lutaram junto ao então ministro Adib Jatene pela aprovação da CPMF para poder receber suas faturas sem atraso e acrescidas de pelo menos os 25% prometidos na portaria 2.277, de 22/11/95, já que o pretendido reajuste de 40%, solicitado, lhes foi negado por falta de condições de financiamento para a Saúde, não porque o Governo achasse que o reajuste pedido era indevido. Ao contrário, sempre deixou claro que reconhece os baixos valores pagos, mas que a falta de recursos o impede de melhorá-los.
E agora mais uma vez o Governo deixa de pagar os 25%, interrompendo cronograma de pagamento dos atrasados de 1996 e, o que é pior, também começou a atrasar os 25% das faturas atuais, alegando, apesar da CPMF em pleno vigor, falta de recursos para a Saúde. Neste contexto, como vai ficar o atendimento ao SUS? Que bom seria se o empresário pudesse, frente aos seus compromissos, simplesmente dizer: ‘‘Não vou pagar porque não tenho dinheiro...’’ É assim que o Governo age. Apesar da sua omissão e irresponsabilidade, continua prometendo ao povo saúde gratuita. É fácil dar bom dia com chapéu alheio.
- IZABEL APARECIDA DA SILVA, Londrina

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