Prefeito Cheida

‘Finis coronat opus - o fim coroa a obra’. Velho axioma latino que vale, em vernáculo, ‘como comecei, termino’. Chegar lá, o mais das vezes, já é um triunfo. Mesmo que não tenha conseguido como desejaria, quando se chega bem - com a consciência do dever cumprido - então, a coroa brilha mais. Sua corrida de prefeito de Londrina foi longa e fadigosa. Quatro anos à frente da máquina complexa, carregada de problemas, exigiram empenho ingente no objetivo de consertar, edificar e aprimorar. Nem tudo, porém, foram flores. Sabemo-lo: foi-lhe impossível atingir as metas programadas. Surgiram obstáculos não esperados, frustrou-se, de maneira persistente, a garantia de ajuda, cortou-se-lhe, sem aceitáveis motivos, o estímulo de meios e de apoio financeiro. Sem o que não há administrador que possa fazer algo mais. É duro quando a resistência inesperada barra o impulso generoso. Desanimador, até. Ainda assim sua vontade firme ultrapassou os embaraços e as contestações impertinentes.
E ao invés de depositar as armas na derradeira arremetida empunhou-as com mais aguerrido destemor. Bravos, senhor alcaide. Termina bem, com as notas marcantes de sua personalidade - o respeito e a dignidade. Representou à altura nossa soberba Londrina - a cidade gigante de apenas sessenta e dois anos. Na minha opinião, e pude colhê-la de muitos, foi uma presença correta e fidalga. Palavra segura, gestos moderados, não exagerou nem se empertigou. Imagino que a ninguém agrediu com tal ou qual atitude. Foi prefeito de Londrina - uma subida honra e uma tremenda responsabilidade. Somos-lhe gratos e lhe desejamos uma caminhada vitoriosa. Cabia-me dizê-lo. E disse. Não costumo deixar para amanhã. Outros tempos virão e outras porfias. Avante. Quem não deve não teme. Deus o guie.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina.

Ética na economia

Seria possível estabelecer uma ética para a economia? A economia é o meio utilizado para satisfazer as necessidades humanas? É possível obter justiça social através da economia de livre mercado? As desigualdades são naturais ou existe uma ética na economia capaz de pôr fim às desigualdades sociais? Um bem só tem valor porque é escasso e desejado. Portanto, a maximização dos recursos, que são escassos, nos parece ser a premissa para uma distribuição mais equânime e desejável. Marx seria ingênuo ao abordar a questão da partilha, pura e simples, como se tudo fosse abundante. A produtividade e a competição são os fatores que norteiam a economia moderna, neoliberal. Aquele que não for competitivo estará fadado ao fracasso. Isto vale para tudo. Nas artes, na escola, na inteligência, na educação, nas fábricas, na agricultura, na formação tecnológica etc.
A desigualdade é natural e as pessoas são fundamentalmente individualistas.
Partilha e justiça social são coisas utópicas para os vencedores. Somente os perdedores clamam por estes princípios. Não há como introduzir na economia moderna o princípio da solidariedade, visto que o principal combustível que alimenta este sistema é a competitividade. As pessoas não valem mais por aquilo que elas são, mas por aquilo que aparentam ter. Na economia moderna as pessoas se relacionam como coisas, a identidade pessoal de cada um. Seus atributos e sentimentos não têm mais valor.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina.

Boas Festas

A Folha de Londrina agradece e retribui os votos de Boas Festas enviados pelas seguintes pessoas e empresas: Air France, José Jabur, Abelardo Lupion, Sercomtel, Jornal Tudo Bem, Gaudêncio Torquato, GT Marketing e Comunicação, Aguiar & Frigeri, Associação Médica de Londrina, Pessoal do Museu Histórico de Londrina, Âncora Publicidade, Francisco Takio Tan, 9ª Delegacia Regional da Receita, Associação dos Funcionários e Fiscais de Maringá, RBS, Spectro, Maria Amélia Solci, Alô Comunicação, Alvino Aparecido Filho, VASP, Agência Estado, Irmandade da Santa Casa de Londrina e suas unidades, Meta, Subaru, Secretaria Municipal de Cultura, Marson, Caíto Quintana, Nitis Jacon, Agência O Globo, SEST/SENAT - Capit 6, Agência JB, Secovi-SP, Ricardo Yasbek, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis, São Paulo; Revista Alimentos & Tecnologia, Sistema Estaminas de Comunicação, Crillon Palace Hotel, Sociedade Rural do Paraná, Jornal Dii Troya Information Club, Jaime Câmara e Massayoshi Shimoda.
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Virgindade

Vi com tristeza, outro dia, na televisão, no ‘Grande Júri’, a pífia defesa da virgindade (Mantenha-a quem a desejar como virtude e troféu) pelo jesuíta reitor da PUC-Rio, que não herdou, infelizmente, a tradição de cultura dos padres da Companhia. Sua argumentação me pareceu tão pobre que fiquei com vergonha. A virgindade - entenda-se como um valor quando o puro, o casto, a deseja como troféu pessoal. Obviamente, entre um casto e um devasso, a humanidade optará pelo primeiro. Não se trata de matéria de fé, de disputa entre religiões. Se ficar casto faz de alguém mais feliz, que se mantenha assim, não para satisfazer o ‘sexto mandamento’ mosaico nem para alegrar Alá, mas para gáudio íntimo, para a sensação mais pura. A abordagem do tema virgindade é que está errada, como se quem a pratica, mantendo-se longe do intercurso sexual, fosse um criminoso. Por que levar o jovem a fazer sexo precocemente? Só porque a Martinha Supla quer? Só para parecer moderno? Enebrie-se de cama e mesa se assim o desejar, doe-se a Baco e a Eros quem quiser, mas deixem que os castos preservem-se para a satisfação interior deles mesmos, como alguém que guarda os bons vinhos para as festas mais importantes. Não pelo argumento ultramontado do padre Horta, cuja defesa da virgindade deve ter envergonhado jesuítas outros como os grandes: padres Bastos D’ávila, Gonzaga Monnerat, Lima Vaz, filósofo à puridade. Os jesuítas deveriam selecionar melhor quem vai às grandes redes de televisão para defender temas tão polêmicos. Que bela demonstração de cultura esse jesuíta reitor da PUC-Rio poderia ter dado .
Faltou-lhe talento e arte. A virgindade é muito mais que o hímen preservado; é a sensação de estar perto dos anjos pela ausência de sexo, que é bom e saudável, mas não tem a beleza dos lírios do campo. Virgindade é tesouro que cada um cultiva ao seu modo, jamais submissão a dogmas. Foi Olavo Bilac quem poetou: ‘Quando um virgem morre, uma estrela aparece’. Deixai as virgens em paz.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão

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