O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Despreparo
Quem tiver ações do Sistema Telebrás e for ao escritório da Telepar em Londrina para tentar transferi-las vai esbarrar em várias exigências e situações no mínimo absurdas. Primeiro: os funcionários insistem em exigir um documento que não existe e sem ele o procedimento não anda: certidão de registro e/ou baixa na Junta Comercial de empresa prestadora de serviço. Só que prestadores de serviço têm seus estatutos registrados em Cartório de Títulos e Documentos. É no mínimo desconhecimento de causa para não falar outra coisa. Segunda: após você comprovar que o uso da firma é individual, será pedido que todos os sócios assinem a transferência das ações. Pergunto: qual a razão de ser exigido e demonstrado que o uso da firma é individual? Em banco esta situação permite que os sócios assinem cheques da empresa, façam empréstimo etc. Na Telepar não. Terceiro: para a Telepar só têm fé pública os documentos emitidos ou autenticados pelos cartórios de Londrina. Documentos emitidos por cartórios da região (que por lei têm fé pública) têm que ser reconhecidos em Londrina. Para finalizar, o gerente do Distrito de Serviços de Londrina, Carlos Augusto Justus, quando foi solicitado a prestar esclarecimento sobre a situação, comprometeu-se a me atender e simplesmente não o fez, esquecendo que quem paga seu salário somos todos nós, usuários e acionistas.
- JOSÉ FLÁVIO CARSTEN DA SILVA, Rolândia
Crime ambiental
As acusações proferidas aos sem terra, em matéria do Jornal Nacional, dia 6, que se referem ao assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, PR, deveriam ser revistas e aplicadas aos donos da empresa Giacomet-Marodim, hoje Araupel Indústria de Papel e Celulose, em co-responsabilidade com o Ibama. Vale a pena lembrar que historicamente quem sempre devastou intensamente, através de madeireiras e da monocultura, foram latifundiários. Querem atribuir aos pobres o ônus do crime ambiental realizado pelos antigos proprietários. Além de má fé, é tentar criminalizar, a qualquer custo, a luta pela terra. Na verdade, essa denúncia envolvendo o assentamento Ireno Alves dos Santos, o maior do Brasil, com 900 famílias, está inserida numa estratégia de criminalização do Movimento Sem Terra e que procura reverter o imenso apoio que a opinião pública tem pela luta a favor da vida que se desenrola no campo. Do apoio que a população vem dando à marcha dos excluídos.
- JOÃO BELO, do Fórum da Reforma Agrária e Urbana do Paraná, Curitiba
Canudos e a Igreja
O Brasil está comemorando os 100 anos (5 de outubro de 1897) da destruição de Canudos, cujo fim Euclides da Cunha descreveu com enorme precisão e trágica beleza, em Os Sertões, fazendo do seu livro uma obra-prima da literatura brasileira. Neste centenário falta alguém dizer a sua verdade ou pedir perdão: A Igreja Católica. Até hoje nenhum cardeal primaz do Brasil, nenhum bispo ou arcebispo escreveu sobre Antonio Conselheiro, cuja vida de pobreza e dedicação ao povo, nos tempos atuais, o aproximaria da Igreja progressista. Não vi nem ouvi pedido algum de perdão. A Igreja apenas silenciou em relação aos eventos que se sucedem: filmes, livros, debates, artigos, simpósios sobre Canudos.
Foi um capuchinho, frei João Evangelista de Monte Marciano, que envenenou a vida do Conselheiro, através de relato minucioso ao arcebispo da Bahia, o conservador dom Jerônimo Thomé. Diante do homem tão perigoso, nocivo à Igreja, o mais acertado seria combatê-lo dura e implacavelmente. E assim, insuflado, dom Thomé contribuiu para o grande genocídio que foi Canudos. Não interessa à Igreja, hoje, relembrar esse erro. Mas seria bom como ato penitencial, já que todos que estudaram a vida do beato Antonio Conselheiro viram nele uma figura excepcional, amante do povo, simples, intencionado para o bem, incansável na luta em prol dos que amava. O que lhe faltava? Ser membro da hierarquia da Igreja? Por certo. Guerreado e combatido para a perplexidade dos que o seguiam, o Conselheiro ainda hoje não mereceu, na história do Brasil, lugar à altura da sua bondade e do seu valor.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Caso de Polícia
Somos cidadãos londrinenses, trabalhadores, geradores de impostos e empregos. Temos um estabelecimento comercial (cópias xerográficas) e atendemos das 8 às 21 horas, não porque gostamos de trabalhar neste horário, mas porque atendemos o Cesulon, UEL etc. e precisamos do dinheiro que ganhamos. Mas corremos riscos. Está havendo uma onda de assaltos, geralmente com características similares: dois indivíduos morenos e de bicicleta. Isso já aconteceu numa padaria da Rua Paranaguá, bem próximo de onde estamos e em outros locais não tão próximos, mas com detalhes iguais. Já tivemos nosso carro arrombado, ano passado, mesmo local, com prejuízo de R$ 600. Foi elaborado o boletim de ocorrência e a Polícia fez a perícia. O relógio da Copel foi danificado e arcamos com o prejuízo.
Estou apavorado, não pelo bandido, mas pelo dinheiro que ganhamos com
tanto sacrifício e perdemos em minutos. Não queremos nos armar porque quando isso acontece alguém sai machucado. Não estou defendendo só os meus interesses, mas também do meu concorrente, das pizzarias, dos vendedores de cachorro-quente, bares e todas as pessoas que têm de trabalhar naquele horário. Já fiz duas ligações para a Polícia. Sou muito bem atendido, prometem mas não mandam nenhuma viatura. Não a queremos plantada na porta do estabelecimento porque os policiais têm mais o que fazer, mas ao menos de hora em hora. Na última vez que telefonei um soldado me ouviu com atenção e até lamentou comigo, mas sugeriu que mandássemos ofício ao sub-comandante. Não temos tempo de esperar resposta de ofício. Podemos ser a próxima vítima. A quem recorrer?
- VALDECI TEÓFILO RIBEIRO, Londrina
Correção
Cesar Brustolin é o autor da foto do escritor Nelson Padrela, publicada ontem na Folha2.





