O LEITOR ESCREVE
El Ni¤o
Sem considerar os sustos que estamos levando nos últimos dias, só nos resta a esperança de que possa haver algum erro nas previsões do tipo ‘O pior está por vir.’ Estou me referindo aos efeitos do fenômeno El Ni¤o, que até os anos 80 era pouco conhecido e, quando se manifestava a partir do aquecimento das águas do Pacífico, os cientistas não imaginavam sequer que seus efeitos poderiam ser trágicos e numa perspectiva mundial. As ventanias e chuvas que têm passado por aqui, no entanto, não se comparam às que se manifestaram no litoral sul do México, trazendo devastação e mortes na primeira quinzena de outubro.
O fato de sermos surpreendidos frequentemente pelos efeitos deste fenômeno climático demonstra que, apesar do aparato tecnológico existente, pouco conhecemos sobre ele. E não é do senso comum, mas de aparelhados centros de observação climática que chega à constatação de que decifrar a lógica do El Ni¤o é, somando aos demais, um dos grandes desafios neste final de século.
- TARCISIO VANDERLINDE, professor da Unioeste, Cascavel
Respeito
Os comportamentos humanos aceitos por uma sociedade passam a integrar um arcabouço denominado ‘usos e costumes’. As leis devem estar aí assoalhadas. O Código de Direito Canônico estabelece no Can.27: ‘Consuetudo est optima legum interpres’ (O costume é o melhor intérprete da lei). Se leis que contrariam ‘usos e costumes’ anulam-se na prática, podemos afirmar que o costume é mais forte, estando para a lei como o esqueleto está para o corpo humano. Violar a lei é uma grande preocupação, mas devemos voltar atenção maior para o rompimento com os costumes do nosso povo, pela gravidade. Preocupamo-nos com a ‘desobediência civil’ enquanto a ‘desobediência moral’ e a violação dos nossos costumes contém real, infinitamente maior, e incontornável potencial lesivo.
Os antigos romanos temiam os bárbaros que habitavam ‘fora dos muros’, tendo-os como rudes trogloditas ou primitivos. Invasão bárbara inquietava-lhes o sono, aliás realizada e derrubado aquele império. Estremeço e temo ante a intocada questão envolvendo aqueles que a nossa sociedade está se encarregando de ‘barbarizar’. Esses excluídos absolutos que habitam as ruas e as prisões... Enquanto nossos costumes impõem respeito à vida dos nossos semelhantes e de suas famílias, que respeito podemos exigir daquelas pessoas que perderam o respeito pelas próprias vidas? Exigir que um homem nos respeite, ou a nossos filhos, quando já abandonou os seus próprios, nas ruas, ou querer, em verdade, obrigar alguém a valorizar outras vidas, quando nenhum valor atribui para sua própria, não é contradição?
Sequer ousaria argumentar em exigir desse nosso ‘bárbaro’ valorizar bens alheios quando sequer possui algum, ou sonha possuir... Estéril discutir cidadania antes de superar o verdadeiro desafio, do próximo milênio, de previamente resgatar esses irmãos, civilizá-los, catequizá-los, fazer com que resgatem a auto-estima, amor aos seus familiares, aos seus semelhantes, enfim, reprojetar luz em seus caminhos. Com contradições internas semelhantes o império romano soçobrou a não restar pedra sobre pedra...
- ELIAS MATTAR ASSAD, Curitiba
Empresas
O Brasil tornou-se a ‘menina dos olhos’ dos investidores estrangeiros, coincidindo com a ânsia do setor privado de se inserir no contexto de economia global. O mercado de capital internacional se animou com a perspectiva de estabilidade e crescimento econômico trazida pelo Plano Real e fomentou a atração em torno de um país com 150 milhões de habitantes. Do outro lado, estima-se que existam US$ 3,5 bilhões em fundos comprometidos com investimentos na América Latina e, desse valor, perto de US$ 2 bilhões podem ser injetados nas empresas brasileiras.
No entanto, apesar dessa convergência de fatores e desse clima de interesse pelo Brasil, poucos negócios têm sido efetivamente concretizados. O que estaria emperrando a realização desses investimentos já que os investidores têm à frente um cenário favorável no Brasil e o empresariado brasileiro quer crescer e fazer parte do mercado global? A resposta pode estar na resistência dos empresários brasileiros e na falta de profissionalismo e transparência na condução dos negócios em suas empresas. Uma das maiores dificuldades para os investidores estrangeiros está em analisar a real situação financeira das empresas - e quase sempre escamoteada pelos seus donos - para poder avaliar os riscos envolvidos. É natural que surja certa insegurança.
- HAROLDO FLESCHFRESSER, consultor financeiro, São Paulo
Corrupção
Contrariando o entendimento de quase 70% das pessoas entrevistadas por importantes institutos de pesquisas, cidadãos que não acreditam na idoneidade dos políticos brasileiros, o presidesnte Fernando Henrique Cardoso, em encontro mantido com jornalistas norte-americanos, disse que seu governo é transparente e não está envolvido em corrupção. No mesmo dia, o processo de impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso, foi arquivado pela Assembléia Legislativa daquele Estado, a despeito da existência de provas de falsificação de documentos e desvio de dinheiro arrecadado com a emissão de títulos públicos para pagamento de precatórios.
Também no mesmo dia, em Brasília, a Câmara dos Deputados livrou da perda do mandato os deputados Osmir Lima, Zila Bezerra e Francisco Brígido, todos acusados des vender votos, em janeiro passado, para aprovar a emenda da reeleição, em operação dirigida pelo governador do Acre, Orleir Cameli, manobra que interessava ao próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.
- LUIZ BORDENOWSKI,Curitiba
Correção
O recital realizado ontem no Teatro Crystal, em Londrina, foi de cravo e flauta e não de piano e flauta, como informava o título (pág.6 da Folha2 de ontem). No texto a informação estava correta.

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