O LEITOR ESCREVE
El Ni¤o X El Hombre
Um homem senta na cama às 5 horas da manhã e reza para que o vento se acalme, para que cessem os trovões que rondam furiosos e chacoalham sua casa; que um raio não parta ao meio o seu teto e as luzes dos relâmpagos se apaguem para que a noite possa prosseguir com suas trevas calmas devolvendo o sono reparador a eles e à sua família. Assim como ele, milhares de outras pessoas estão acordadas, impressionadas com o furor dos elementos que se chocam contra fortalezas, contra rochedos, derrubando árvores, postes e os fortes abrigos que o homem criou para se proteger dos aleatórios ataques do El Ni¤o, o fenômeno que abala as previsões da meteorologia e semeia a destruição, mostrando uma vez mais que o homem não está a salvo da natureza que o criou.
Com mais razão, ainda, muitos outros milhares de desabrigados em toscos barracos e casinhas incrivelmente frágeis. Nas ruas nuas e embaixo de pontes e viadutos outras famílias esperam e confiam unicamente no Companheirão do Alto, já que na terra não tiveram oportunidade de conseguir se proteger das intempéries do tempo. São os sem-terra, sem-teto, sem-sorte e sem-atenção da sociedade, que rezam apenas para uns poucos entes queridos, que Deus ajudando já está bom. O ser humano, pobre ou rico, prossegue a luta tentando compreender o universo e se proteger dos caprichos que a natureza reserva como o presente El Ni¤o, os vulcões, terremotos, ciclones, tufões e tantas outras surpresas que mudam bruscamente o cotidiano das pessoas.
Luiz Vaz de Camões, grande poeta lusitano, disse em um dos seus poemas: ‘‘Onde pode acolher-se um fraco humano? / Onde terá segura a curta vida? / Que não se arme e se indigne o céu sereno / contra um bicho da terra tão pequeno?’’ E o homem busca respostas para compreender os mistérios que envolvem as espécies em sua relação com a força do mar, do ar, das águas. Será que tudo é simplesmente natural ou é regido sob a batuta de um Ser Supremo que tudo criou e pode tudo alterar e mudar, numa engenharia incompreensível e divina?
- JACOB BITTENCOURT DE MORAES, Nova Santa Bárbara
Reforma política
Esperamos que o Congresso Nacional mostre à Nação o seu ‘animus faciendi’ moralizador no sentido de aprovar as seguintes mudanças de ordem político-eleitoral-partidária reclamadas pela sociedade brasileira: 1 - Extinguir todos os institutos, fundos de previdência, caixinhas etc. e as aposentadorias especiais em vigência nas assembléias legislativas e câmaras de vereadores, adotando-se igual procedimento à extinção do IPC; instituição dos votos facultativo e distrital misto. 2 - Redução dos partidos políticos, com total reciclagem, transparência e ampla divulgação de sua ideologia e programas. 3 - Exigência da fidelidade partidária e punição severa para os infratores. 4 - Distribuição, em parcelas iguais, entre os partidos, dos recursos do Fundo Partidário e do tempo do horário político no Rádio e TV. 5 - O financiamento do Fundo Partidário deve sair do bolso dos políticos e dos eleitores filiados aos partidos políticos e não do Tesouro Nacional. 6 - Redução do número de cargos eletivos de senador, deputados (federal e estadual) e de vereador.
- JOSÉ LOPES FILHO, Juiz de Fora
Isso é arte?
Refletindo sobre artigo publicado domingo, na ‘Folha’, fiquei profundamente curiosa. Quem julga? Quem são os juízes que definem o que é arte? Chegou-se ao absurdo de alguns salões importantíssimos exigirem fotos para selecionar as obras, as quais não precisam mais ser bem executadas, e sim bem fotografadas, ou, quem sabe, xerocadas. Qual o critério de avaliação? Será que um quadro da dimensão de Van Gogh ou Iberê Camargo, com suas várias camadas de tinta, poderia ser avaliado apenas por uma simples fotografia?
As pessoas sabem, sim, definir o que é arte. Anos atrás uma minoria falava que os brasileiros eram ignorantes; não sabiam votar. Agora outra minoria fala que as pessoas não sabem o que é arte. Como explicar as grandes filas e visita em massa de pessoas extasiadas em apreciar Monet ou Rodin? Sorte das outras artes, como o cinema, teatro ou balé, que dependem do público para ser julgadas verdadeiras obras de arte. Tristes artes plásticas, que dependem de pequena minoria para ser considerada arte.
- PAULA FADDUL DE ALMEIDA, Londrina
Aroma melhor
Curvo-me ante os ponderados argumentos da leitora Icléia Gomes que, tendo dado aulas na Universidade Federal do Mato Grosso, agora reside na nossa querida Londrina. Aparentemente a ilustre professora, com a delicadeza com que discordou da construção ou não de um monumento aos ingleses na rotatória central, posicionando-se pela singela manutenção do lindo canteiro de flores ali já instalado, nos dá uma lição de como os homens de bem devem se preocupar menos com orgulho racial e patrulhamento ideológico, deixando, assim, que a aspereza de alguns posicionamentos e os cheiros da comida de nossos colonizadores sejam, sem rancor, substituídos pela beleza e o perfume da simplicidade.
- OTÁVIO PAULO GENTA, Londrina
Plano de saúde
Por mais que a questão da regulamentação dos planos e seguros privados de saúde tenha sido abordada amplamente, nos últimos dois meses, por todos os meios de comunicação, em âmbito nacional, o assunto está longe de se exaurir, mesmo porque, embora haja grande empenho de deputados do bloco de oposição e alguns da base do governo, que se preocupam com a população (infelizmente uma minoria) e também o empenho dos Procons, das entidades civis de defesa do consumidor, do Conselho Nacional de Saúde e entidades de profissionais da saúde, os consumidores poderão ser atingidos por um grande golpe, que legalizará os abusos e a selvageria praticados pelas empresas nos últimos anos, em prejuízo de doentes e idosos.
- ELISA GONÇALVES MARTINS, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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