O leitor escreve
O leitor escreve
Trinta anos
Se o século 20 foi um momento crucial na história humana os anos 60 foram a mais importante das décadas. Outras importantes houve, como os anos 20, ou os anos 30 e 40, quando a cultura brasileira passava por um grande momento. Ou os anos 50. Fundadores e pioneiros do que estava por vir. Mas os 60 foram simplesmente a explosão, ponto de mutação e momento da consciência humana. Ninguém pode falar em velocidade das mudanças se não sabe de tudo que se passou naqueles anos, no terreno da política, do pensamento e da arte, passando pela tecnologia. A Apollo gerou a Mariner, a Viking e as Voyagers, obras-primas da engenharia espacial. Hoje não é fácil encontrar parâmetros para sintetizar tudo o que ocorreu e talvez baste lembrar que nos dez anos seguintes até a publicidade adquiriu status de arte.
Para entender os motivos que levaram toda a elite de uma geração a contestar o poder e as instituições basta citar a absurda guerra do Vietnã, que parecia começar a ilustrar profecia de Yves Cassert: Esses anos (1960-2000) verão em seus postos de comando apenas delinquentes refinados, que provocarão mais desastres que o dilúvio universal. O desastre só não foi maior devido ao trabalho da geração da década, de Martin Luther King a John Kennedy, passando por Che Guevara e Jimi Hendrix.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Adolescente
Décimo filho aos oito anos, era encarregado de cuidar, com o irmão, dos pequenos animais do quintal e manter a horta. Aos 11 anos, nas primeiras férias escolares: Terminou sua escola? Então vá para a loja do seu cunhado aprender a trabalhar. Lá fui para uma loja de armarinhos e tecidos trabalhar a troco apenas de aprender a trabalhar e não ficar com o tempo ocioso a bater perna na rua.
Se a Justiça do Trabalho fosse naquele tempo como hoje e o INSS ali estivesse eu não teria tido aquela oportunidade. E se o Estatuto do Menor existisse meu pai e o cunhado seriam punidos.
Como aceitar a condição imposta de proibir que algo se construa dentro da formação do adolescente? Fazer apenas lei e dar as costas e ver essa pessoa pela rua, sem destino, sem lar, sem esperança? Não basta ser a lei ou só teoria na construção do mundo imaginado, longe do nosso chão, da realidade. Proiba-se a exploração, a maldade, o sacrifício, a inércia e o descaso. Mas dê-se ao menor a ocupação, o labor, a visão da aurora e não do ocaso.
- FAHED DAHER, Apucarana
Ippul ou Infraero?
Simpática funcionária do Ippul informou-me que a colocação de placas, proibindo o estacionamento de veículos nas proximidades do aeroporto de Londrina, fora solicitada por funcionários da Infraero. Errou o Ippul ao atender ao pedido. Os planejadores urbanos se esqueceram dos cidadãos londrinenses que trabalham no aeroporto e outros, que fazem pequenas compras (jornais e revistas), utilizam o caixa eletrônico ou levam os filhos para ver pouso ou decolagem das aeronaves. Estes londrinenses só podem estacionar seus veículos longe do aeroporto.
Seria conveniente que o Ippul examinasse melhor a proibição do estacionamento de veículos em ruas na frente e nas proximidades do aeroporto e desenvolvesse estudos para a interdição deste, por situar-se em área urbana. Há mais de quinze anos, cidadãos de Cascavel impediram o uso do aeroporto na área urbana. Em consequência foi construído outro, que dista mais de 10 quilômetros da cidade. Os representantes de Londrina terão a mesma cautela?
- CARLOS ROBERTO BORBA NAVOLAR, Londrina





