O LEITOR ESCREVE
Aniversário de Cambé
A matéria especial sobre o aniversário de Cambé trouxe-me uma visão da Colônia Bratislava: sou neta de eslovacos e italianos (Emílio e Tereza Konievalik e João Fini e Claudina Fini). Meus pais (Waldomiro Fini e Margarida Konievalik Fini) foram de São Paulo (Capital), ainda crianças, em companhia de seus pais para a Bratislava em busca da cultura do café. Frequentaram a escola apenas para não ser analfabetos. Minha geração já estava chegando à televisão, e só o primário era muito pouco para nós. Então houve necessidade de mudança para outras cidades (Londrina, Cambé, Curitiba e São Paulo). Isso foi muito antes da geada negra de 1975. Estou em Recife, não esqueci das minhas origens, procuro notícias pela Internet e de seis em seis meses volto a Cambé e a Bratislava, em visita a familiares e amigos. Parabenizo a excelente reportagem sobre o aniversário de Cambé, muito oportuna e gratificante.
- MARIA MARGARIDA FINI PEIXOTO, Recife (PE).
Bigorrilho?
No caderno ‘Folha Cidades’, de 30 de setembro, deparei com artigo que veio resolver ou, pior ainda, acender uma polêmica muito importante. Trata-se do artigo com o título ‘Afinal, é Bigorrilho ou Champagnat’? O artigo em questão, além da ‘elevada importância’, transcendente mesmo à história paranaense, deixa em aberto a definição sobre a denominação de bairros curitibanos. Para nós, de Londrina, o assunto é de relevância, já que, no caso de irmos a Curitiba, não saberíamos se nos dirigiríamos ao Bigorrilho ou ao Champagnat. Que dúvida cruel. Embora o artigo tome meia página do jornal, ele só faz aumentar a dúvida. Ainda bem que um ‘nobre edil’ de Curitiba propõe um plebiscito para definir a questão. Aí então se resolverá tudo, graças a Deus.
Igualmente a polêmica deve ter causado um ‘frisson’ danado ao padre Marcelino Champagnat, em seu túmulo, na França. O referido padre deve ter saído desse túmulo em alguma época para ir a Curitiba fundar o bairro Champagnat, conforme nos instrui o preclaro artigo. Pena que a imprensa continue a encher o papel de coisas sem importância, incluindo aí coisas sem fundamento verídico. O loteamento não pode ter sido criado pelo padre Marcelino Champagnat, vez que faleceu em 1840 e nunca esteve no Brasil. À guisa de informação canônica, ele é beatificado pela Santa Sé, estando em vias de ser canonizado. Foi fundador da congregação dos Irmãos
Maristas. Seria interessante o articulista voltar
ao assunto e definir, de vez por todas, quem fundou o bairro Champagnat (ou Bigorrilho?).
- JOSÉ OSCAR GOULART RAMOS, Londrina
Colonizadores
O advogado Dr. Genta é contrário à idéia de se erigir, na nova rotatória central da cidade, um monumento-homenagem ‘‘aos ingleses colonizadores de Londrina’’. Referindo-se a um sociólogo entendido de estórias que criam mitos e historiadores que criam heróis, o Dr, Genta tinha argumentos dos bons para convencer leitores: os ingleses inventores dos ‘‘muffins’’, que fossem ter monumentos noutra freguesia porque nesta seria justo homenagear os inventores de ‘‘shushis’’,‘‘bolinhos de bacalhau’’, ‘‘provolones’’ e ‘‘esfihas’’, únicos cheiros que ficaram e persistem nestas plagas.
Com igual zelo recortei também daqui, no domingo 21, o texto da lavra de outro leitor, o também advogado Dr. Venegas, em que discordava do anterior e dizia, em linguagem um tanto sisuda, do ‘‘desprezo’’ e ‘‘atrocidades’’ de portugueses, japoneses e espanhóis.
Proponho aos iluminados advogados, e a todos que venham passando pela dita rotatória central de Londrina, que nos movamos por essa lógica outra que, afinal, não é tão ‘‘outra’’ assim, mas temperada com um pitada de senso heraclitiano de mutação do rio. Assim movidos, passamos a desconfiar dos discursos de referência já saturados que nos têm levado a essa sanha mortífera de nos preocupar demais com a gênese das coisas e das gentes, escarafunchando demais o passado, ou nos preocupar demais com o futuro deixando de nos ocupar um pouco mais e melhor com o presente em torno de nosso umbigo. O presente em torno da rotatória central de Londrina vem clamando por quem dele se ocupe. E na rotatória as flores ali plantadas, belas porque simples, não parecem carecer de alguma estátua que as enfeite...
- ICLÉIA RODRIGUES DE LIMA E GOMES, professora da UFMT, hoje residente em Londrina.
O desarmanento
Os Azevedos e os Lourenços eram proprietários de fazendas vizinhas no Vale do São Francisco. Por questões de divisas iniciaram uma rusga que foi se empolando num crescendo, com a ajuda nefanda de ofensas mútuas e intrigas sorrateiras. Já se odiavam mortalmente quando Euzébio Azevedo soube que Antonio Lourenço tinha comprado, à socapa, uma metralhadora com munição farta e algumas bananas de dinamite. Sentindo-se rudemente apoucado, Euzébio Azevedo comprou, também, por vias escusas, uma metralhadora com abundante munição, bananas de dinamite e uma bazuca.
Quando o vigário da aldeia próxima tomou conhecimento das aquisições ameaçadoras dos dois paroquianos, iniciou diligências zelosas, de um lado e de outro, procurando mostrar o absurdo daquele rancor mútuo e alertando sobre o perigo de armas tão destrutivas. Afinal, depois de muito vaivém entre as duas fazendas, o prestigioso cura obteve um acordo em que as partes envolvidas afirmavam com moderação e entregavam ao amável mediador as dinamites, as armas de fogo maiores, bem como espingardas, revólveres e garruchas.
Numa tarde amena, o vigário, de alma leve, acomodado em sua varanda, e embalado por uma brisa macia e gorjeios de pássaros num arvoredo próximo, recebeu, em horários distintos, como fora combinado, os apetrechos dos dois vizinhos belicosos. Naquela noite, Antonio Lourenço e Euzébio Azevedo não dormiram bem. E logo, ao raiar do dia, apressaram-se em afiar as suas foices, suas facas, seus facões e canivetes.
- RICARDO SATHLER, Londrina.

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