O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Justiça
Falo da Folha da Justiça, do dia 13, onde um magistrado da mais alta investidura afirma redondamente que em breve, se não se corrigir um ato legislativo referente à classe judiciária, se poderá comprar sentenças judiciais. Não acredito. Não devo acreditar. Não vou acreditar.
Na verdade, não saberia orientar meus filhos, a partir da premissa de que a Justiça, pela palavra de um dos seus mais insígnes togados, poderá entrar no rol dos leilões. Querido meritíssimo, sinceramente, acho que foi pura hipérbole emocional, infinitamente distante das lições de serenidades e circunspecção, que ainda exalam de nossas cortes.
Tenho sobre a Justiça queixas e ressentimentos quanto à velocidade de processos, mas nunca me ocorreu duvidar da sua retidão. Reclamo muito, mas creio nos juízes, como a imensa maioria de paranaenses. A retidão ainda é um valor que sinto presente no povo, e a corrupção, um mal que a quase todos desagrada. Vejo minha profissão médica abastardada, desassistida, atrasada, limitada, a cada dia mais incompetente por um desrespeito ao ato médico, que deveria ser de atendimento calmo, seguro, confortável, atualizado, neste ofício tão cheio de incertezas, de ignorância científica, de atrasos técnicos. Há dias, na revista Veja, me emocionei com o depoimento de um neurocirurgião que se negou a persistir no ato médico incompleto, ao abandono dos pacientes. Foi heróico, bom. E corajoso. Gritou que não se compra consciência, nem compactuou com o baixo clero.
Ele é como muitos que, silenciosamente, percebem a decadência destes tempos em que as mordomias, como o digno magistrado ressaltou, frequentam o Poder. Só que protestou. Foi coerente. Como muitíssimos injustiçados e feridos, não coonestou com os corruptos. Brigou pelo correto, pelo digno, por seus pacientes. Deu uma bela mensagem, a partir do seu pobre hospital. Como ele, graças a Deus, há muitos por aqui. Um dia, afirmo nem que seja para meus descendentes longínquos, esta terra será uma pátria de democracia e igualdade, de direitos claros e de deveres inalienáveis. Nossa lamentável realidade de corrupção e desigualdades, creio, será o embasamento das tristes memórias que inspirarão todo um manancial de leis e fiscais que erigirão o grande País neste imenso território, onde medra a ética do esperto, a lei do Gerson. Trocar a ordem-e-progresso por quem-chega-primeero-bebe-água-limpa não ocorrerá.
LINCOLN BRASIL E SILVA, médico em Londrina
MST
Embora não sociólogo, entendo que a sociologia é a ciência que estuda, de forma sistemática, a organização e funcionamento das sociedades humanas. A denominação, criada por Auguste Comte, adquiriu fisionomia própria, com as elaborações teóricas de Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber. Portanto, conhecer a história de um povo não é apenas uma abordagem didática, mas também uma trajetória sociológica que define o comportamento social através dos tempos. Sou leitor e admirador de Maria Lúcia Victor Barbosa. No que diz respeito ao artigo sobre O artificialismo do MST, publicado na Folha, acrescentaria que o sociólogo professor Fernando Henrique Cardoso, ao aceitar a adoção da teoria de Karl Marx ou Leonardo Boff, tem dado mau exemplo para a nossa cultura: a omissão do Estado, permitindo que a evolução social se processe truculentamente, à margem da lei e dos valores éticos, está contribuindo artificialmente para uma trajetória sociológica que não corresponde aos anseios da sociedade brasileira.
Esse consentimento, atribuído à atividade marginal, delinquente, só não é mais difundido porque recebe a complacência de alguns segmentos, no ensejo de se incorporar aos que se acham excluídos da sociedade. Tenho certeza de que os danos causados pelo MST, com a aquiescência, consciente ou inconsciente, das autoridades federais e estaduais, é um péssimo exemplo para a nação e terá um custo social-cultural muito alto, bem maior do que o valor da terra que hoje nos esbulham e furtam.
Mais uma vez cumprimento a socióloga e a Folha, desejando a ambos que continuem produzindo e divulgando excelentes artigos, de conteúdo didático e pedagógico, que muito bem ilustram o nível intelectual de seus leitores.
- JOSÉ AUGUSTO CORRÊA SANDRESCHI, Londrina
Fafá e o papa
Que excelsa predestinação preparou o caminho de Fafá de Belém para aquela noite sublime, no Maracanã, encantar o Brasil e o mundo com sua Ave Maria? Nascida numa terra de tantas Marias de Belém, crescida no amor à virgem e na oblação marial, devota da Virgem de Nazaré, teve essa notável cantora a oportunidade singular, rara na história da Igreja (quando presente se faz o Santo Padre) de cantar aquela linda composição, cuja letra nô-lo prova a beleza da língua portuguesa e suas possibilidades quando se tem talento.
Fafá de Belém fez lacrimejar a todos, especialmente aos nascidos em Santa Maria de Belém do Grão Pará, terra marial por excelência, onde desde a mais angelical infância aprendemos, durante o Círio de Nazaré, na emoção da passagem do andor, do carro de fogos e da nau dos milagres, a entender e a sentir o misticismo caboclo, a devoção ingênua do amazônida. Fafá cantou por milhões de Nazarés e de Marias e de Josés, que buscam na Virgem refrigério para suas dores, bálsamo para seus sofrimentos. A emoção de Fafá é a nossa emoção, povo sentimental, chorão, afetuoso, que pede tão pouco e é capaz de tanto afeto.
A mensagem do Santo Padre alegrou a todos nós que amamos a família, temos filhos e esposa, acreditamos no amor e na fraternidade. Essa visita do Papa fez muito bem à nação e leva a pátria brasileira a pensar nos grandes valores da existência e, sobremodo, no amor, de que a família é a emanação mais próxima, a felicidade mais aconchegante e perceptível. Ninguém idolatrou o papa, como poderiam criticar alguns, sim a sua mensagem de amor, o exemplo que ele é. Basta ser humano, ter coração e nervos, sentimento e compreensão da vida para amar João Paulo II.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão





