O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Educação
Estamos preocupados com a educação no País. Todos nós, pais, acompanhamos aflitos os problemas na área do ensino. Muito se critica o governo, que tem sua parcela de culpa. No entanto, há um descaso generalizado com a escola. Esta semana inteira várias escolas da cidade estão fechadas. Milhares de alunos, que poderiam estar na sala de aula, estão em casa. A justificativa é absurda: é a Semana do saco cheio. Um professor me explicou que, como os alunos estudaram muito durante o ano e estão próximas as provas finais, eles precisam de tempo para descansar. Estão de saco cheio de estudar, como o professor definiu. Aprender é, antes de mais nada, privilégio e prazer. Nos colégios, os pais que ousam contestar o feriadão são informados que estes dias sem aula já estavam previstos no calendário escolar. E pronto. É assim que se resolve. No início do ano a Secretaria da Educação divulga o número mínimo de dias letivos. As escolas organizam seu calendário e se sobrar uma semana... maravilha. Fica decretado mais um feriado.
Como se não bastassem os feriados nacionais e essa mania feia que o brasileiro tem de emendar feriados e dias úteis, ainda temos os recessos escolares, outros tantos dias sem aula para que os professores façam cursos de capacitação. Esses cursos acontecem sempre no meio do período letivo. Porque os professores não aproveitam as férias escolares para colocar seus cursos em dia? Afinal, temos férias em julho, dezembro e janeiro. Como trabalhadores comuns os professores têm direito a 30 dias de férias por ano. Como se não bastassem esses dias sem aula, agora temos ainda a Semana do saco cheio.
Fico cada vez mais indignado ao perceber que o ensino tornou-se um negócio como outro qualquer. As mensalidades são cobradas rigorosamente em dia, com multas e juros. E nenhum feriado, nenhum recesso escolar é descontado da mensalidade dos alunos. Sugiro aos pais que entremos nós também em recesso, em feriado, bem no dia do pagamento das mensalidades.
- WALTER W. MARTINS, Londrina
Professor na globalização
A chamada globalização da economia apresenta elementos fundamentais à sua compreensão. Entre eles destacamos a formação de um mercado financeiro global, que tem seu marco recente no início da década de 80, com a reestruturação financeira dos Estados Unidos. Dentro desse processo ganha relevância a transnacionalização das tecnologias e o crescimento da obsolescência das inovações tecnológicas, levando à necessidade do avanço rápido na produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico. Nesse contexto, destaca-se o papel da concorrência, que atinge nível extremamente elevado, obrigando as economias periféricas, por força da chamada vantagem competitiva, a buscar a diminuição dos gastos através das propostas de desregulamentação das relações de trabalho, reduzindo o custo do trabalho, pelo arrocho salarial e descompromisso do Estado com a proteção social.
Os professores de todos os níveis de ensino, nessa era da globalização, estão diante de um quadro de incertezas. Reconhecem os governos que os professores são immportantes nessa era de mudanças, preparando a atual e futuras gerações para o domínio das transformações econômicas e culturais, porém não garantem condições de trabalho e de salário, gerando instabilidade quanto ao futuro da categoria. As instituições federais de ensino superior, responsáveis por 96% da pesquisa em âmbito nacional, encontram-se hoje, pela política do governo federal, num processo de desmonte sem precedentes. Os acordos feitos pelo governo brasileiro, por exigência das agências internacionais (Banco Mundial e FMI), obrigam à privatização progressiva dessas instituições, forçando-as, dentro da lógica neoliberal, a buscar no mercado recursos para a sua manutenção, condicionando a pesquisa aos interesses imediatistas, relegando seu papel estratégico para o futuro do País.
Os professores que dedicaram e têm dedicado longos anos de sua vida ao ensino e à pesquisa, dando contribuição inestimável para o desenvolvimento da ciência em benefício da maioria da população, são, verdadeiramente, heróis, pois não se dobram diante das dificuldades e encontram, no cotidiano das salas de aula e na pesquisa, forças para manter um ensino de qualidade, apesar dos descompromissos dos governos com a educação pública no País.
- LAFAIETE SANTOS NEVES, Curitiba
Salário do professor
Ao governador Jaime Lerner. Neste 15 de outubro, Dia do Professor, sei que o senhor providenciará para que seus escribas de plantão teçam loas aos mestres, exaltando a grandeza da profissão. Alguns até lembrarão da primeira professora e derramarão algumas linhas saudosas ou até versos brejeiros, bregas, aborrecidos e até sinceros. Tudo isso estampado em todos os jornais, sob as bênçãos dos cofres públicos. Minha longa experiência no ensino do nosso vernáculo me diz que o senhor bem poderia orientar seus prestimosos auxiliares para que poupassem suas verves e transcrevessem diretamente O mestre de primeiras letras, que está em Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra imortal do maior escritor das Américas, Machado de Assis. Assim, no mínimo, algumas pessoas teriam, quem sabe pela primeira vez, contato com um texto do bruxo do Cosme Velho.
Algo me espanta na lógica de seus magos, governador, quando repetem em todos os meios de comunicação que os salários dos professores estão bons. Ou nada entendem da dinâmica da atividade docente de 1º e 2º graus ou são de um cinismo de corar estátua. Trovejam aos quatro cantos o quanto nos pagam, pelo trabalho em sala de aula, mas nada dizem sobre a outra jornada, três a quatro vezes maior, que desenvolvemos em casa, preparação de aulas, correção de provas, elaboração de exercícios, etc., sem nenhuma compensação financeira. Isto é trabalho escravo que em nada dignifica seu governo. Ao contrário, é uma nódoa que o senhor, junto com todos os que fizeram ouvidos de mercador aos nossos reclamos, levarão pelo resto da vida. Mas ainda há tempo. Defina logo, sr. Jaime Lerner, a implantação da hora-atividade, que parte, pelo menos, desse trabalho extra, sem remuneração, será compensado. E um grande passo estará sendo dado em direção a uma escola pública de qualidade. Dentro do percentual apontado pelo seu Secretário de Educação, o custo final é tão baixo, perto de outros gastos governamentais (propaganda, por exemplo, que não entendo a demora numa definição.
- ROMEU GOMES DE MIRANDA, presidente da APP-Sindicato
Cumprimento
Gostaria de parabenizar a Folha, um ótimo jornal, independente e que não publica apenas notícias da capital, privilegiando também o interior. Jamais trocaria a Folha por qualquer outro jornal.
SALIM NASSAR SFEIR - Paranaguá, PR





