O leitor escreve


Raça humana
Estamos vivendo coisas que transcendem a racionalidade. O homem é ser racional. Não podemos imaginar que ele despreze a própria espécie. A competitividade desenfreada relega ao abandono aqueles menos favorecidos pela sorte. São pessoas cuja capacidade e preparo não conseguem atingir a média suficiente para entrar nesse mercado competitivo. São os excluídos. Excluídos não são somente os miseráveis. São também aqueles que não conseguem emprego ou ser aprovado em concurso público etc. As ofertas de oportunidades são extremamente reduzidas em relação aos que precisam delas. Entristece-nos saber que neste mundo competitivo, escasso de afeto e oportunidades, muitas vezes tem mais valor um cachorro, boi ou cavalo de raça do que um ser humano. É comum verificar o trato que se dispensa a esses animais pelos donos. Contudo, há pessoas morando embaixo de pontes e não tendo o que comer.
O neoliberalismo estimula a ação da competitividade e se esquece do homem, como ser humano, sujeito a defeitos, mas também virtudes. O ser humano não é uma máquina que pode ser substituída por obsoletismo. A sociedade terá de encontrar fórmulas que contemplem a todos. Caso contrário não valerá a pena viver. Em nome de oportunidades mais abrangentes, os governos têm lançado os seus planos, quase sempre impotentes, diante do liberalismo competitivo. O neoliberalismo exerce uma pressão muito forte sobre a classe média, capaz de comprimir salários e aumentar, ainda mais, a diferença entre ricos e pobres. Qual seria a fórmula ideal? O comunismo também não deu certo.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Deboche
Já estou acreditando que o presidente Fernando Henrique Cardoso não confia na inteligência do povo brasileiro. Primeiro afirmou que, com o preço reduzido, a galinha seria o primeiro símbolo do seu governo. Ora, este fenômeno é econômico (a reprodução da galinha é muito maior e mais barata do que a da tradicional e histórica carne bovina, cada vez mais cara, em razão da nossa cultura criatória extensiva e a constante diminuição dos espaços para o pasto) e não social, como ele quer nos convencer. E começou muito antes de vislumbrar-se a possibilidade de sua candidatura ao cargo que ocupa.
Depois, praticamente debochou de todos nós ao ‘eleger’ a dentadura como outro dos símbolos, quando somos o terceiro país mais desdentado do mundo. Agora, mostrando caótico o atual quadro da educação, pede que a sociedade o ajude na solução (principalmente na parte financeira) desses problemas que, constitucionalmente só a ele, governo, cabe. Mas, simultânea e contraditoriamente, ‘garante’ um piso salarial de R$ 315 aos professores, em 1998, o ano da recandidatura. A não ser que já tenha começado ostensiva e cara-de-paumente a repropaganda eleitoreira.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro
Horóscopo
Leitora assídua da ‘Folha’, acabo de me decepcionar. Leio todas as seções e, como não poderia deixar de ser, o horóscopo não me escapa. Com decepção descobri algo que suspeitava: as previsões astrológicas diárias não são levadas a sério e, quem sabe, são feitas pelos próprios funcionários do Jornal. No domingo, dia 28, li uma previsão que me espantou no signo de Áries: ‘dia bom para ir ao dentista e ao médico etc.’ Estranhei porque no domingo nada funciona. Na segunda-feira veio surpresa maior: a mesma previsão do dia anterior, com pouquíssimas alterações no texto. Não preciso dizer mais nada.
- IOLANDA SANTOS, Curitiba
Yara Ramos responde:‘‘A Lua leva entre 27 e 28 dias para percorrer o Zodíaco. Seu movimento médio diário é de 13 graus e 10 minutos. Permanece em cada signo (na atuação de influência) de dois dias a dois dias e meio, em média. Assim, a cada dois, até três dias, sua atuação neste ou naquele aspecto é parecida, com pequenas variações. Nos dias 28 e 29 de setembro a Lua estava na casa astral de Virgem, a sexta casa de Áries. A sexta casa astral diz respeito exatamente à saúde, a tratamento médico e dentário. Refere-se à juventude, aos escritos e documentos, aos negócios rápidos e comissionados, entre outros.
A natureza humana é variável, sujeita aos fluxos astrais. Em qualquer dia da semana alguém pode sofrer dor de dente e qualquer problema de saúde. Eventualmente pode precisar de médico ou de dentista, apesar de que esses profissionais não atendem em seus consultórios aos domingos. Mesmo assim, aquele dia favorecia isso.’’
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Qualidade total
Nas empresas, hoje, a competitividade é acirrada, clientela à procura de produtos que satisfaçam suas necessidades, em todos os sentidos, principalmente financeiro. Com isso o cliente deixou de ser bairrista. Ele vai à procura daquilo que lhe convém. Aí entra a globalização, adquirindo produtos do Japão, China, Argentina, Uruguai etc., não importando de onde é, mas sim preço e qualidade. Empresários de todos os países vão em busca de solução que o empresário procura: transformar sua empresa numa empresa de qualidade. A qualidade está nas mãos do ser humano, aquele que opera o serviço, que atende o próximo. É o trabalho humano que torna sua empresa de qualidade, pois sem ele não existiria empresa.
Estamos preparados para implantar a Qualidade total? Será que não precisamos fazer, primeiro, um trabalho com o primeiro escalão da empresa ou até mesmo com o proprietário dela, que quer a implantação? Demonstrar-se-ia aos superiores que primeiro temos que tratar os subordinados com humanidade, respeito e atenção, explicando como trabalhar, para que se sintam seres humanos dignos, que trabalham por uma causa justa, em comum acordo. Agindo assim os funcionários farão os cursos, palestras, etc. com qualidade e descobrirão o que é Qualidade total, para ser aplicado no seu dia-a-dia, familiar ou profissional. Primeiro o funcionário verá sua qualidade de vida e depois será possível demonstrar desafios e se motivar, por uma empresa que lhe dá condição de se sentir bem e respeitado.
- WAGNER LUIZ MARQUES, professor da Unipar, Cianorte
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