O LEITOR ESCREVE
Sem-terra
Assisti à passagem dos sem-terra pela Rua Prof.João Cândido. Notava-se no público uma visível indiferença, quando não franca hostilidade. Pois o público sabe que os assentamentos, na palavra do Presidente da República, estão longe de ser um êxito. Os assentados sobrevivem graças às mesadas governamentais. (Pergunte a qualquer contribuinte de onde sai o dinheiro.) Nem podem fugir à regra absolutamente geral: Nos países em que foi aplicada a reforma agrária confiscatória e a agricultura coletiva, a produção de cereais não aumentou sequer em um saco ao ano. Bem poderíamos aprender com a experiência de outros povos. Até parece que somos os primeiros no universo a tentar essa pseudo-solução.
A União possui no mínimo oitenta milhões de hectares de terra agricultável no Centro-Oeste e o Norte do País. Por que não aplicar lá, com as necessárias adaptações, o sistema - que funcionou - da nossa Companhia Melhoramentos, que nunca é ouvida nem cheirada pelo INCRA? Será pura má vontade com o Paraná? Ou estão reservando aquelas imensas áreas para serem ocupadas pelos excedentes populacionais da Ásia, no terceiro milênio?
- ÊNIO JOSÉ TONIOLO, professor em Londrina
O sonho não acabou
O torcedor vestiu a camisa do LEC. Londrina era toda azul e branco, não importando o dia da semana, principalmente aos domingos. Tivemos uma das melhores campanhas dos últimos anos, não em termos classificatórios. Por nossa união em torno do ‘Tubarão’, fomos respeitados até mesmo pelos mais temíveis adversários e o futebol londrinense elogiado pelo Brasil afora.
Aí veio a desclassificação contra o Naútico, em pleno Estádio do Café, quase na reta final. Restaram-nos, agora, umas perguntas. E agora? A SAL vai continuar? Apesar de tantos esforços, apregoaram que o time morreu e que a SAL e seus abnegados homens derreteria! Será que podem ignorar o choro de milhares de torcedores de todas as idades, jogadores e comissão técnica e todo trabalho ali realizado pela SAL? Estaria tudo acabado por erros? Como o de perder nos penaltis?
Será que devemos pensar assim? A cidade, com mais de 450 mil habitantes, estava descrente de seu próprio time. De pouco mais de 1.800 assíduos frequentadores, o Estádio do Café se tornou o referencial de centenas de torcedores. A média de público por jogo girou em torno de 8 mil. Uma festa azul e branca. Mas o nosso Londrina Esporte Clube está fora da disputa, este ano, por uma vaga na Primeira Divisão. Mas não está morto. Ao contrário. Com o mesmo ímpeto vamos disputar o Paranaense e o Campenato Brasileiro da Série B do ano que vem. Lógico que com mais experiência. Serviu a lição. Os erros de hoje podem e serão os acertos de amanhã.
E como londrinenses, habitantes de uma terra marcada pelo pioneirismo e fervor no amanhã, continuaremos trabalhando, torcendo e acreditando que nosso glorioso Londrina Esporte Clube fará, sim, em 98, parte da elite do futebol brasileiro. Afinal, o sonho não acabou.
- CÉLIO GUERGOLETTO, vereador em Londrina
Frango e dentadura
Depois que o Presidente da República informou que o brasileiro pobre está em condições de comprar frango, todo dia, e nova dentadura, ando imaginando sobre a possível ligação entre as duas dádivas. Será pelo fato de usar dentadura nova que o brasileiro está comendo mais frango? Ou come mais frango porque, como o preço não está tão alto como um filé mignon, sobra uma merreca para trocar ou, quem sabe, pôr dentadura? Ou estaria o Presidente querendo estimular os desdentados a tirar seus últimos dentinhos estragados que restam? Como estou em dúvida, deixo que os sociólogos resolvam esse dilema.
Dia desses fui com um amigo ao Calçadão comer uma porçãozinha de frango e, após gargalhadas, vi, constrangido e assustado, sair de sua boca uma dentadura grande, feia e melada de fiapos de carne. Eu não sabia se ria ou se compadecia junto ao companheiro, já que aquela coisa horrorosa foi cair justamente no prato onde estava apetitoso frango à passarinho. Já que o Plano Real está longe de oferecer aos assalariados um tratamento odontológico eficiente, gostaria que o sr. Fernando Henrique Cardoso estimulasse os dentaduros a usar uma colinha de dentadura para que, ao sorrir, seus dentinhos não saiam rolando chão abaixo.
- ADEMIR DE GODOY BUENO, Londrina
Democracia
A democracia é algo maravilhoso e simples, como devem ser as coisas boas. Baseia-se principalmente em dois princípios: direitos e deveres. Não existe dúvida quanto aos direitos. Muito pelo contrário, todos se acham no direito de ter direitos. Os sem-terra se acham no direito de ter uma propriedade; os presos de ser bem tratados; alguns jovens acham que têm direito de realizar competições automobilísticas em ruas da cidade; outros se acham no direito de colocar fogo em mendigos; grupos acreditam que têm o direito de interromper o tráfego de veículos em via pública e de invadir, depredar etc. Tudo é válido para chamar a atenção sobre suas ‘legítimas’ reivindicações. Motoristas acham-se no direito de retirar o silenciador do escapamento para deixar um barulho mais ‘esportivo’ no carro.
Todos gostam dos seus direitos, mas esquecem de que eles terminam quando começam os dos outros. Será que os sem-terra aceitariam que suas terras fossem invadidas? Hoje se fala muito em direito dos presos, mas nada se vê sobre o direito das suas vítimas. Existe alguma organização internacional que defenda os direitos de vítimas de assalto, estupro, assassinato etc.? Que ajude a recuperar uma família assaltada ou que teve algum membro morto em assalto?
Roubar, assassinar, desviar dinheiro público, difamar, depredar etc. são ações que podem ser perpetradas em poucos minutos. Mas para punir seus autores às vezes são necessários anos, quando são punidos. Na democracia as pessoas podem fazer o que quiser, desde que não seja ilegal ou prejudique outra pessoa. O excesso de direito pode acabar em anarquia, se as autoridades continuarem omissas. Respeito é palavra meio em desuso hoje, mas é a única que pode fazer nossa democracia dar certo. Sem respeito às leis e aos direitos alheios nosso fim poderá ser a baderna.
- DENILSON VIEIRA NOVAES, Londrina

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