O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Sem-terra (1)
A fazenda Saudade foi re-invadida depois de ter sido desocupada por ruralistas ante a omissão total do governo do Estado em manter a lei e a ordem. Dir-se-ia que não há motivo para espanto. O que é uma nova invasão para quem ameaça tocar fogo em banco, invadir escola, rouba, mata e tortura em frente às câmaras ao vivo e em cores, como se fosse a coisa mais normal do mundo? Relembrem Jundiaí do Sul e Tamarana, só para ficar em fatos atuais.
É hora de se acabar de vez com essa bandalheira criminosa que se instituiu no Paraná e no País, ante a conivência e omissão de autoridades constituídas. Para isso basta cumprir a lei. Advirta-se, entretanto, que as mãos que seguram a espada da autoridade e a pena que aplica a lei têm que ser fortes, firmes e decididas, num grau muito maior daquelas que seguram o grafite para o esboço artístico.
- JORGE CESAR DE ASSIS, promotor de Justiça de Realeza
Bancos
Litigar com os bancos em tempos de inflação alta nunca foi boa coisa. O que se conseguia era apenas ganhar tempo, com o inconveniente das restrições cadastrais. Havia também muita rejeição à idéia de estabelecer controle no lucro das instituições financeiras, eis que tudo devia ser relegado às chamadas leis de mercado. Não se pode olvidar o fato de que os bancos, juntos ou individualmente, são instituições com muito poder e o exercem em todos os níveis, Executivo, Legislativo e Judiciário. No caso deste, não raro, os bancos sempre mostraram a prática de encomendar pareceres em defesa dos seus interesses, que espalhavam pelo país afora, como forma de influir no convencimento dos juízes.
No entanto, as coisas mudaram. Com a economia estável, inflação controlada, a situação é bem diferente. Hoje começa a ganhar simpatia a idéia de que os lucros de tais instituições não podem ser ilimitados. Cresce o sentimento de que no sistema financeiro há abusos que precisam ser contidos. Teses jurídicas, antes isoladas, começam a ganhar corpo no seio do Judiciário. Apenas para ilustrar, já se pode afirmar, com razoável grau de segurança, que estão contados os dias da famigerada prisão civil nos casos de alienação fiduciária, dado que o Superior Tribunal de Justiça vem, em movimento crescente, repudiando tal instituto. Timidamente se aceitava a idéia de nomear o devedor fiduciário como depositário dos bens objeto do contrato. Hoje essa prática já é largamente aceita nos tribunais, que começam a estendê-la também aos casos de arrendamento mercantil.
Hoje, com certa tranquilidade, através de medidas cautelares ou mesmo na antecipação de tutela, já se obtém a suspensão das anotações de restrição de crédito (Serasa, Seproc, Refin etc.). Cresce o sentimento (e com ele o número de decisões judiciais) de que os contratos bancários estão sujeitos às regras do Código do Consumidor. Há resistências, ainda fortes, que vão desaparecer com o tempo. Também já não soa absurda a pretensão de limitar os juros que remuneram o capital dos bancos (spread). Ou seja, não está mudando só a economia, mas também o espírito dos nossos julgadores, de tal sorte que há mais segurança para quem deseja litigar com os bancos.
- LUIZ CARLOS DA ROCHA, Curitiba
Sem-terra (2)
Já sei que vão dizer: intriga da oposição, no mínimo coisa do Álvaro, do Rosinha, do Requião, enfim, gentinha, ainda que eu o negue. Ainda bem que vivemos neste abençoado primeiro mundo, palavra do meu governador, que, aliás, no momento não está disponível para confirmar, já que saiu na sua vigésima quinta viagem ao exterior, por conta nossa, insatisfeitos e ingratos de sempre. Pois aqui, como diria o dr. Pangloss, tudo vai cada vez melhor no melhor dos mundos. Eu até que ia reclamar, mas, pensando bem, vai ver que o doutor está certo, é pura ranzinzice minha. Eu ia chiar com os sem-terra, mas refleti melhor e resolvi puxar as orelhas deles, no mínimo dos líderes.
Por que é que eles não aproveitaram as cataratas de grana que jorraram em Foz do Iguaçu, ao invés de ficar de desmancha-prazer, gastando sola de sapato nestas estradas malcuidadas, dormindo ao relento e nas chuvas do El Ni¤o, quando havia um piquenicão de arromba, lá? Será que eles não sabem que são e estão no primeiro mundo? Que negócio é esse? Não foram se divertir e refrescar nos Jogos da Natureza, uns cinquenta milhões de dólares cascateados justamente para lembrar ao mundo nosso poder, e agora ficam por aí, chorando miséria e andando a pé? Quem avisa, amigo é: vocês não agendam direito, chegam lá, o homem viajou de novo. Me creiam.
O festão do nosso Papa custou a décima parte e ele falou severo sobre as realidades de ser cristão, verdades que pertencem a todas as grandes religiões. Lá, acho, teriam sido recebidos e entendidos. Agora, também, não foram curtir as 274 mais belas cascatas do mundo, me acabam perdendo um senhor programa de peixes e águas, e por cima querem acampar numa encenação de terceiro mundo... Tem dó. Afinal, querem o quê? Agora, estamos sem essa grana e vocês continuam sem terra. Bem-feito. Quem mandou nascer no primeiro mundo?
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Desclassificação
Londrina é linda e sou londrinense de nascimento. Mas o Londrina Esporte Clube foi feito nesta época só para disputar com os times aí do Norte. Seria bom se voltassem as equipes do Estrela de Ibiporã, Café de Cianorte, Andiraiense, Cambé E.C. e outros, que nem me lembro. Estou decepcionado, apesar de morar em Campinas. Não esqueço os bons tempos do
meu time de coração. Que pena, Londrina.
- CLOVIS BENATTI, Campinas





