O leitor escreve


Conflito no campo
Enquanto as invasões de terra prosseguem e o medo toma conta dos proprietários rurais, que procuram se organizar em torno da União Democrática Ruralista, o Paraná perde áreas produtivas para os invasores, que, longe de desenvolver a atividade agrícola, como se propõem, saem para novas ocupações, procurando o conflito, muitas vezes armado, o que demonstra o cunho político das ações do Movimento Sem Terra no Estado.
Infelizmente, no Paraná o conflito eclodiu por culpa dos governos anteriores, especialmente os dois últimos, que não cumpriram e deixaram para a atual administração a desocupação de áreas determinada pela Justiça estadual, que em inúmeros expedientes dirigidos à Secretaria da Segurança Pública já havia requisitado força policial para a desocupação de propriedades rurais no interior do Estado.
Certamente ninguém deseja a eclosão de conflitos fundiários no Paraná, a exemplo dos ocorridos no País, quando trabalhadores sem terra foram massacrados por policiais militares, fatos que repercutiram negativamente no exterior, prejudicando a imagem do Brasil perante a comunidade internacional. Entretanto, as invasões ocorridas, igualmente violentas, devem ser contidas em respeito ao direito de propriedade, um dos princípios básicos da democracia.
- LUIZ BORDENOWSKI, Curitiba
Frei Beto e o papa
Na ‘Folha de S. Paulo’ do dia 5 frei Beto argui delicadamente o papa João Paulo querendo saber por que o Pontífice não resolveu tantos pontos controvertidos dentro da Igreja Católica. Esclarece, é óbvio, seus pontos de vista que todos nós conhecemos. Ele quer o fim do celibato, quer a ordenação de mulheres, a pobreza primitiva da hierarquia, a reforma agrária total e imediata, o homossexualismo, etc. Walmor Maccarini (Folha de Londrina, 9 de outubro) quer o papa lidando com as ‘coisas de Deus’. Chefe espiritual de um bilhão de fiéis, não lhe cabe cuidar de interesses temporais - casa, família, comida, terra, questões sociais, enfim. Têm os dois boas razões para enfrentar a presença de João Paulo II.
O papa, na sua inteligência, que dizem ser aguda, na sua cultura, que dizem ser vasta e profunda, na sua experiência de vinte anos de Pontificado, na sua posição de chefe da Igreja, portanto Vigário de Cristo na terra, o papa, com a ajuda de milhares de bispos em todos os países, o Papa com dois mil anos de sólida estrutura e portentosa manifestação de obras de santidade e de beneficência, o Papa ignoraria as arguições de Beto e de Walmor? Acredito que não. A Igreja vai devagar porque sabe o que quer. E quer o que Cristo quis: ‘O Reino de Deus na terra’. Foi o trabalho dos apóstolos. Foi a procura de todos os santos. Foi e é o empenho de todos os católicos. ‘O mais - e Walmor citou o texto - o mais virá por acréscimo.’ O apelo de ambos estriba-se no Evangelho. E, porventura, onde se estriba o apelo insistente da Igreja? Eu teria centenas de citações do AT e do NT também para refutá-los. Mas e o espaço? Ou é o caso de polemizar em debate público?
Concluindo, apresento dois tópicos: 1º - A Igreja é uma sociedade quase perfeita quanto possível a uma sociedade de criaturas humanas. Perfeitamente organizada, sim. De estrita harmonia em sua complexa hierarquia. De soberana afirmação em seus milenares princípios. De estupendo testemunho em seus sábios e em seus extraordinários santos. Sabe o que faz e sabe o que deve fazer. Não tem pressa, porém. É eterna, como seu divino fundador. Nada melhor do que fazer a coisa certa na hora e no lugar certo, para pessoas certas. 2º - Cabe a cada um - católico ou não - fazer o que deve e o que pode, a fim de que se cumpra a grande mensagem do Evangelho: ‘O Reino de Deus, em primeiro lugar.’ E o mais, também, isto é, o reino da terra - comer, beber, morar, amar, viver, enfim. Cristo, a luz, nos ilumine a todos.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Náutico
Acompanhei a imprensa televisada do Paraná e fiquei revoltado com a falta de respeito pelo Náutico, de Recife, que mostrou ser time de macho e derrubou o Tubarão. Por favor, espero que de agora em diante tenham mais respeito pelo Náutico, pois é hexacampeão pernambucano e não pode ficar de fora da primeirona. Parabenizo a ‘Folha’ pela imparcialidade que a caracteriza.
- RODRIGO AUGUSTO, João Pessoa, Paraíba
Estacionamento
Técnicos que estudam a implantação da Zona Azul Eletrônica em São Paulo manifestam-se favoráveis às opções disponíveis para cartões, excluindo equivocadamente a possibilidade de a máquina receber moedas. Tal preferência fundamenta-se no receio de ataque aos cofres, tendência verificada em telefones públicos que aceitam fichas. Sem dúvida, os cartões de débito, principalmente do tipo ‘Smart card’, são uma crescente tendência mundial e, ao que tudo indica, serão a ‘moeda do futuro’. Contudo, a exclusão do pagamento em moedas, além de restringir o meio circulante legal, causando desconforto desnecessário aos usuários, motivará a continuidade do mercado de vendedores clandestinos.
A experiência das mais de tês mil cidades européias evidenciam que a adoção das duas modalidades de pagamento é fundamental para o perfeito funcionamento do estacionamento rotativo público eletrônico. Menos de dez por cento das cidades européias operam o estacionamento público com o uso exclusivo do cartão, por razões fundamentadas em motivos culturais ou monetárias. A preocupação dos técnicos brasileiros com o vandalismo, que em primeira análise pode parecer absolutamente pertinente, torna-se improcedente à medida que se amplia o conhecimento sobre os recursos disponíveis pela operação eletrônica e a segurança oferecida pelos parquímetros multivagas.
Os equipamentos são comprovadamente resistentes ao vandalismo, possuem cofres invioláveis para armazenar as moedas e a retirada delas é realizada diariamente de maneira que não permaneçam no equipamento no período noturno. O sucesso da modernização do estacionamento rotativo público no Brasil está intrinsecamente relacionado à definição de formas de pagamento, cujos pontos positivos e negativos deverão ser analisados com cautela e precisão. Modernizar o sistema significa tornáá-lo eficiente, garantindo aos motoristas o direito de utilizar democraticamente as vagas nas vias públicas das cidades em que vivem.
- HELIO CERQUEIRA JUNIOR, São Paulo

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