O LEITOR ESCREVE
Apoio de Belinati
Com referência ao apoio de Belinati ao Movimento de Sem Terra, sugiro que, além de remédio, ingressos para assistir ao jogo do ‘Tubarão’, ônibus para deslocamentos etc, o digníssimo prefeito de Londrina abra as portas da sua chácara luxuosa e ofereça um almoço de confraternização, com todos os componentes do MST, além, é claro, de instalar a todos em hotéis de gabarito na cidade. Tudo isso, é claro, com o dinheiro do contribuinte que, muitas vezes, morre na fila por falta de atendimento médico, falta de remédio, além de crianças circularem no centro de Londrina cheirando cola, crack, etc., sem atenção do Poder público. Políticos, acordem para a verdade. Chega de hipocrisia. O Brasil está se tornando inviável em todos os sentidos.
- LUIZ CARLOS SOARES CABRAL, Arapongas
Sem-terra
Alimentadores do sistema, coadjuvantes no subdesenvolvimento. Se, com a mesma garra e determinação, a força do MST e todos atuássemos para as reformas... Não a agrária, mas a fiscal e tributária, tão necessárias para tornarmos mais competitivos, gerar empregos e riquezas. O brasileiro tem que entender que precisa é de emprego para trabalhar e não de esmola. É hora de acabar com o clientelismo. O povo tem que trabalhar e ganhar o suficiente para sobreviver e prosperar. Cestas básicas, vales disso e daquilo são formas de maquiar a realidade. Tudo que se ganha não tem o valor merecido. Somos um país agrícola. Se industrializarmos a produção na origem, criar-se-ão muito mais empregos e riqueza.
São necessárias mudanças de cultura e comportamento. Os assentados de hoje e os pouca terra serão sem terra novamente. Saber cobrar reformas sim, esmola do sistema não. Só assim sairemos deste ciclo vicioso. Não pela baderna e movimentos inúteis a que temos assistido, mas pelo voto e democracia e com direito a propriedade. Terra é para produzir e não acampar. A solução não está nos movimentos equivocados. É preciso enxergar o futuro com outros olhos.
- JOSÉ TKACZUK JÚNIOR, Rolândia
Invasão de terra
Os males no momento são as invasões dos sem-terra em propriedades produtivas que a Nação está sofrendo desastrosamente. Ela é imensa, com enormes diferenças entre as classes e regiões. Entretanto, isso não dá a ninguém o direito de sair invadindo o que é dos outros, munidos de armas de fogo, de corte, porretes, fogo nas invernadas, veículos, residencias, sequestro, bloqueio de estrada, de bancos, roubo de bois e cereais, equinos, lenha e madeira de lei.
Os sem-terra são, na maioria, oportunistas manuseados por políticos que influenciam os incautos e vão à marcha das invasões porque ouviram o galo cantar assinalando que há terra para eles. Basta invadir e tomar posse, porque os comandantes das tropas políticas da esquerda e do clero disseram que é assim. Por sua vez, o governo retarda soluções ao seu alcance e se faz a decantada reforma agrária a passo de tartaruga. E nunca se ocupou de uma reforma agrária e de uma política economica para o campo. Estas sim, são mais urgentes do que aquelas, porque contemplariam os já assentados, que há tempo nasceram no campo.
- ANTONINO MANAGÓ, Marilândia do Sul
Batinas e dentaduras
Ninguém questiona que Fernando Henrique Cardoso desfruta de boa aceitação por parte do povo. Nem que isso se deva ao plano Real, seja ele o autor do plano ou não. Que ele é ateu, também nenhuma novidade e nada contra. Afinal, muitos cristãos agem de forma a não acreditar n’Ele, enquanto não poucos ateus, agnósticos e não-cristãos nos dão exemplo de cristianismo, como Gandhi. Carisma e porte de estadista fazem de FHC, para a mídia como para todos nós, um representante elegante, moderno e ideal diante da comunidade internacional. O Brasil parece caminhar bem sob sua liderança. Só me resta uma séria dúvida, com respeito aos princípios que movem o presidente.
Todo cristão sabe que, quando os princípios que norteiam a vida de alguém não têm base nos ensinamentos evangélicos (amor, justiça, fraternidade, paz...) que, por sua vez, se fundamentam na crença e no respeito a Deus, será muito provável que cada um construa princípios, baseados em filosofias meramente humanas. E nós sabemos que elas podem ser mudadas de acordo com o tempo, a cultura e as conveniências de cada um. Como o ateu se considera livre para pensar e agir como quer, ele poderá muito bem mudar de pensamento quando a situação se mostrar desfavorável ou conveniente.
‘‘Principium sapientiae timor Domini’’ ou ‘‘O princípio da sabedoria é o temor de Deus’’. Temor de Deus não no sentido de medo do castigo ou da morte e sim antes uma recusa em desagradar a alguém que amamos. Só o temor e o amor verdadeiro a Deus garantem princípios absolutos de conduta humana. Um amor a Deus muitas vezes inconscientemente disfarçado em filantropia sincera.
Quando vemos um homem por nós eleito aderir ao neoliberalismo selvagem, contrariando suas próprias teses sociológicas e agora iniciando sorrateiro ataque à Igreja, convém lembrar uma verdade que os historiadores jamais haverão de negar: durante os mais de vinte anos de ditadura, a Igreja foi uma grande entidade religiosa que sempre denunciou publicamente os perseguidos e injustiçados oferecendo apoio e proteção a qualquer cidadão discriminado. Se o Presidente afirma que a solução dos problemas da terra não sairá ‘das batinas’, apesar de saber que a Igreja defende a reforma agrária e os sem-terra, podemos concluir: Esta opinião tem tanto valor quanto ele mesmo afirmar que, depois do iogurte e do frango, a venda de dentaduras revela o sucesso do plano Real. E o Presidente pediu que ninguém risse dele...
- RENATO COLBERT BERTIN, Londrina
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