O LEITOR ESCREVE
Lições de amor
É uma grandiosidade sem par a maneira como certas pessoas trabalham em silêncio pelos necessitados, lutando contra as adversidades, contra a insensibilidade, contra a politicagem, satisfazendo-se apenas com a sensação do dever cumprido, já que o reconhecimento público e o apoio incondicional são utopias perseguidas e jamais alcançadas. Esses abnegados vivem diariamente lições de vida e grandeza capazes de enternecer e de fazer com que se mantenha a confiança na natureza e no ser humano, dotado de bondade, caridade e amor. São modelos de conduta e de postura, imbuídos do firme propósito de levar adiante a missão que livremente aceitaram sobre seus ombros.
O que pode ser feito por eles? O que pode ser feito por aqueles que mantêm, a duras penas, o funcionamento de escolas e instituições para atendimento de deficientes, essa parcela excluída entre os excluídos? A resposta pode ser complexa, se encarada no aspecto material, pois exigiria inicialmente uma reforma estrutural, feita com vontade política e com determinação por parte daqueles que têm poder para isso. Através do atuante e exemplar trabalho da Cúria Metropolitana, que busca sensibilizar a comunidade, deve-se procurar alternativas para absorção da mão-de-obra profissional, permitindo que nossos deficientes exercitem sua cidadania e vivam plenamente reintegrados à sociedade.
- FÉLIX RIBEIRO, cirurgião-dentista em Londrina
Nada é perfeito
Diante da reação pavloviana pela morte de Diana Spencer, em que os abutres do óbvio e os lobos da idiotice viram um pretexto para culpar jornalistas e ‘vampiros de agosto’ das consequências da vida mundana (álcool, velocidade e frivolidade), me lembrei, além de Pavlov, de Einstein e de Darwin. Há não muito tempo vi um artigo sobre Einstein, em que o articulista incensava de forma senil esse mito da ciência, ignorando que o autor da teoria da relatividade relutou muitos anos em aceitar o princípio da incerteza (de seu colega Heinsenberg), que postula que parte do comportamento dos átomos não obedece a leis rígidas. Ou seja, a condição para que haja opção, livre arbítrio e flexibilidade, está nesse princípio, que empacou no entendimento de Einstein. Quando saiu ‘Como Vejo o Mundo’, alguém disse que a modéstia do pai da bomba atômica era legítima.
Tome-se agora o caso de Darwin. Se Einstein (como Diana) acharam motivo para santificar, Darwin não teve a mesma sorte e, por uma dessas reações equinas de certo senso comum, resolveram anatematizar e esconjurar. Tudo por que o autor da teoria da evoluçção foi mal interpretado no tocante ao tronco comum dos primatas. Independente disto, a teoria é forte e intuiva (basta comparar fotos e pinturas de países e épocas diferentes), não havendo qualquer incompatibilidade entre Criação e evolução, como sugerido no filme ‘2001’. O que não implica um progresso contínuo e crescente, podendo haver mesmo fases de involução (‘a natureza é descontínua’) como sugerido em outra grande ficção científica, ‘O Planeta dos Macacos’. (Vide também o recente ‘Contato’ que, sem chegar aos pés das duas obras-primas dos anos 60, também joga lenha na fogueira).
Se nada é perfeito neste mundo, Darwin também não poderia ser. E a julgar pelo que dizem e fazem certas pessoas, seus vulgarizadores cometeram uma tremenda injustiça com aqueles espertos e divertidos animais.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Transformações
Transformações incomensuráveis beneficiaram a humanidade nos dois últimos séculos. Há duzentos anos o mundo pouco ou nada diferia dos tempos dos patriarcas bíblicos. Para muitos, entretanto, o processo mercadológico, a cultura popular e a religião não acompanharam o rápido avanço da ciência. Na antiguidade praticávamos o escambo. Hoje, cartões e papéis substituem a moeda convencional. No passado queimávamos incenso aos ídolos e oferecíamos sacrifícios aos deuses mortos. Hoje o firmamento nos revela um Deus vivo e onipotente. Outrora obedecíamos aos reis, aos príncipes e aos governadores. Hoje respeitamos as leis constitucionais. Acreditávamos em heresia. Hoje sabemos discernir o falso do verdadeiro. Na antiguidade mandávamos mensagens por cavalgadura. Hoje o mundo se comunica através da Internet.
No passado acreditávamos numa alma imorredoura. Hoje cremos na vivificação do corpo por Jesus Cristo (I Cor.15:22). E que o cristão, ao morrer, não vai para o céu. Mas silenciosamente aguarda a voz de Deus nos sepulcros (João 5:28,29). Os profetas e os reis falavam com Deus através do turin (vestes sagradas). Hoje a santidade está dentro de nós, falamos com Deus sem vestes especiais. Acreditávamos que os pecadores não arrependidos teriam uma vida eterna de sofrimento. Hoje sabemos que o fogo eterno de Deus é consumidor e apaga após cumprir sua missão. (Luc. 9:54 - II Ped.2:6 e Judas 1:7)
- NELSON ARAUJO DE OLIVEIRA, Londrina
O papa
Inquestionável a expressão de força, dignidade, consciência de missão e responsabilidade que nos passa João Paulo 2º. Independente de quem observe tal fato - inconteste - o pontífice não precisa ocultar o tremor das mãos, ou a já manifesta dificuldade de se exprimir verbalmente, pois o espírito que o dirige é de um vencedor. Todas as autoridades que o receberam e ouviram, perceberam que está muito mais próximo de Deus, e cada vez mais distante do solo terreno.
Deus nos preserve o espírito de religiosidade e permita que a religião, que é religar, ligar o homem a Deus, ao amor, e ao próximo, prevaleça em todos, desmascarando o efêmero, pobre, pequeno sepulcro caiado por fora e cheio de ossos das vítimas de nossa avareza material e espiritual.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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