O LEITOR ESCREVE
João Paulo II
Boas-vindas e melhor permanência, santidade. Para nós, os filhos da Terra do Cruzeiro, sua visita é uma grande honra e, temos certeza absoluta, enorme benefício. Ele não vem a passeio. Nem teria sentido turismo tranquilo para pessoa de avançada idade, precária saúde e tamanhas outras responsabilidades. Vem, pela terceira vez, trazer-nos um sincero abraço de Pai, admoestações oportunas, correções necessárias e bênçãos fortes. De tudo isso temos urgente precisão. Sublimidade da vida humana - em todos os estágios, sacralidade perene da união conjugal, respeito aos direitos indiscutíveis e inalienáveis da pessoa, igualdade de deveres de grandes e pequenos, beleza e riqueza intocáveis da família, são todos assuntos elevados que o Papa há de recordar aos brasileiros como herança de séculos, patrimônio solene que se faz mister conservar e aprimorar.
Que sejam belos e carinhosos os festejos. Ele os merece. E o País, nação católica e de carismas puros e bons, faz questão de tributar-lhe. É bom lembrar - aos que precisam sabê-lo - que o Papa não vai hospedar-se em hotéis de cinco estrelas, nem vai banquetear-se em restaurantes de primeira classe, nem terá visita de artistas e nababos. João Paulo II vem como o ‘doce Cristo na terra’, como o ‘peregrino da paz’, como amigo e pai de todos nós, sem distinção.
Alegremo-nos de sua presença, abracemo-lo afetuosamente. Vamos ouvi-lo com atenção. O Brasil melhorará, tenhamos certeza. E que a Virgem da Conceição Aparecida o receba debaixo do seu materno manto.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Papa conservador?
Parabéns à ‘Folha’ pelo editorial de segunda-feira, intitulado ‘João Paulo II no Brasil’. É sem dúvida um justo reconhecimento à pessoa do papa e a toda sua expressividade a nível mundial, fruto do seu incansável espírito de luta por um mundo onde prevaleçam a paz, o amor e a união.
O papa vem aí. Para muitos um líder espiritual admirável, chefe da Igreja iniciada por Jesus e os apóstolos, alguém que vive a radicalidade do seguimento a Jesus e do amor ao próximo. Para outros um líder conservador e retrógrado. Mas o que é ser conservador ou progressista? Defender a vida ou aprovar leis que matam? Promover a família ou consentir gratuitamente o divórcio e a união entre homossexuais? Combater e protestar contra a miséria e a exploração ou conivir com o liberalismo desenfreado que desumaniza cada vez mais o homem? É ter convicções com fundamentações sólidas (na Palavra de Deus) ou oferecer dois números de telefone para o ‘sim’ ou o ‘não’ e o placar decidirá a questão?
O Papa não pode vender mais barato o projeto de Deus e nem agir de acordo com supostas e provisórias verdades criadas por facções da sociedade. Há quem não reconheça essas coisas, porque talvez confundam o Papa como animador de auditório, criticado e caluniado por não ceder ao oba-oba da platéia. Mas é assim mesmo, pois, como diz o teólogo Carlos Mesters, seguir Jesus é estar quase sempre na contramão da sociedade, ou seja, na contramão de escribas e fariseus que também hoje revelam nada de amor ao próximo e muito na defesa e aprovação de leis que correspondam a interesses particulares e mesquinhos.
- ROMÃO ANTONIO M. MARTINS, Londrina
Ano novo judaico
Hoje, o povo israelita de todo o mundo comemora o Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico. O ano corrente passa a ser 5758 desde a criação do primeiro homem, Adão, no sexto dia da Gênese bíblica. Conta o Talmud - obra milenar da sabedoria judaica - que ao ser criado Adão, sua primeira ação foi exaltar a realeza e a grandeza do Criador. Desta forma, o sentido de Rosh Hashaná pode ser resumido na proclamação da Unidade e Onipotência de Deus. Rosh Hashaná é também denominada ‘Festa do Shôfar’ pois, desde os tempos bíblicos, o anúncio da chegada do novo ano é feito através do toque de um chifre de carneiro - o shôfar - que lembra muito o berrante utilizado nos sertões do Brasil.
O ponto mais curioso dessa festa é o seu caráter universalista. Enquanto todos os outros festivais judaicos relacionam-se à Nação de Israel - a Páscoa como libertação do cativeio egípcio, a Festa das Semanas como a outorga dos mandamentos, a Festa das Luzes como a libertação do domínio grego - o Ano Novo traz em sua essência uma mensagem a todos os homens, judeus e não-judeus, já que sua essência se enraíza na ação daquele que, segundo a Bíblia, é o pai de todos os homens do planeta. Além disso, tem o objetivo de conduzir o indivíduo a um severo julgamento de seu modo particular de vida para que através da reflexão, se esforce em busca de valores mais elevados e de um aperfeiçoamento pessoal no decorrer do novo ciclo que se inicia.
- ABRAHAM SHAPIRO, Londrina
Educação física
A visão ingênua mas pretensiosa da acadêmica de Educação Física Letícia Rocha e provavelmente de seus orientadores de que podem trabalhar os aspectos ‘‘bio-físico-social-histórico-filosófico do homem’’, reforça a minha convicção de que o currículo deste curso deveria ser profundamente modificado, senão desmembrado em dois cursos: um continuaria a se chamar Educação Física, aquela que se pratica em escolas, e o outro Ciências do Esporte, como já ocorre em países mais adiantados. Só assim a Letícia e seus mentores poderiam, em paz, continuar tentando fazer as vezes dos guardas de trânsito, sociólogos e psicólogos, enquanto nós, ‘‘tecnicistas’’, poderíamos continuar a trabalhar nossos gordinhos e atletas utilizando toda a modernidade disponível sem ter que ouvir balelas educacionais. Plug yourselves!
- WALDEMAR MARQUES GUIMARÃES NETO, professor de Educação Física, personal trainer na Inglaterra e autor do livro Musculação-Anabolismo Total
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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