O LEITOR ESCREVE
Visita do papa
É bem conhecido por todos os brasileiros o momento significativo desta terceira visita o papa João Paulo II ao Brasil. Eu, evangélico, falo por mim, considerando a doutrina na qual tenho sido instruído, a mesma doutrina na qual todos os evangélicos deste país têm sido igualmente instruídos. Aparentemente a imprensa e a opinião pública não-evangélica parecem enxergar na Igreja Evangélica brasileira (e não me parece que isso seja somente uma impressão), uma legião de vândalos fanáticos e intolerantes capazes até das últimas consequências para ‘‘azedar’’ a visita do líder católico.
Na verdade, essa impressão me daixa um bocado perplexo. É posição da Igreja Evangélica respeitar todo e qualquer movimento religioso, até mesmo para merecer o devido respeito das mesmas entidades. Nossa posição é de amor, proximidade e consideração. É uma posição nossa respeitar os anseios da população católica, que enxerga no Papa o símbolo vivo mais expressivo de sua fé, mesmo que nossa doutrina e conhecimentos não incorporem isto. O que nós evangélicos anseamos é, em primeiro lugar, a salvação que Jesus concede, que as pessoas vivam a maravilhosa liberdade em vida, dentro dos ensinamentos de Cristo. Essa salvação é espiritual, como bem sabem tanto evangélicos quanto os próprios católicos, mas envolve também nossa vida material: uma sociedade livre de corrupção e imoralidade, uma juventude livre de drogas, famílias livres de separações. Lutamos para retirar pessoas da escravidão do álcool, do cigarro, da desenfreada prostituição que é o carnaval no Brasil, da aparentemente inofensiva ‘‘cervejinha’’. Pare e pense.
O que não parece haver é a recíproca, considerando que o pensamento evangélico é diariamente ironizado e ridicularizado, especialmente nos meios de comunicação de massa. Basta ler uma reportagem qualquer sobre os evangélicos que lá estão as palavrinhas entre aspas, as idéias sutis, as observações preconceituosas. Isso entristece e pune as vítimas mais inocentes, que são os verdadeiros cristãos. Do mais, creio profundamente que a visita do Papa vem colaborar com os evangélicos na conscientização da população brasileira dos benefícios da liberdade da vida em Cristo.
- SANDRO BERALDO, Londrina
Casos de sarampo
Com relação à carta de José Pedro Naisser, de Curitiba, publicada nesta seção dia 26, a Secretaria da Saúde do Paraná esclarece: desde que foram registrados os primeiros casos de sarampo no Estado, em Jataizinho e Foz do Iguaçu, em maio, a Secretaria Estadual da Saúde, através de suas regionais, iniciou um trabalho de bloqueio para impedir que a doença se alastrasse, vacinando todas as pessoas de seis meses a 40 anos que estiveram em contato com os doentes. A estratégia de bloqueio, que continua desenvolvida pela Vigilância Epidemiológica do Estado, inclui também a vacinação ampliada (seis meses a 40 anos) dos profissionais da área de saúde dos municípios que apresentaram registro de casos. Além disso, foi intensificada a vigilância dos contatos nos locais onde surgem casos e a vacina de rotina é aplicada a partir dos seis meses.
É esta estratégia que vem sendo aplicada em Curitiba e Região Metropolitana. Em Foz do Iguaçu, devido a maior concentração de casos, foi realizada, em julho e agosto, uma vacinação em toda a população, além das doses da vacina contra sarampo que foram disponibilizadas na última campanha de multivacinação, em 16 de agosto. Todos os procedimentos encaminhados por esta Secretaria foram orientados e contam com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da OPAS - Organização Pan-Americana da Saúde.
O Paraná iniciou, em 1987, um plano de controle e eliminação do sarampo com a ampliação da faixa etária de vacinação anti-sarampo. O último registro de casos no Estado foi em 1994, ano em que três casos foram confirmados. Em 1995 e 1996 o Estado não teve novo registro.
- MARIA ANGÉLICA CERVEIRA, diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria da Saúde do Paraná, e MÁRCIA GIL ALDENUCCI, coordenadora estadual do Programa de Imunização
Privilégio
Li com o maior espanto o artigo intitulado ‘Privilégios mal interpretados’, de autoria de Joel Samways Neto, publicado dia 29. Por Júpiter, é inacreditável que, às portas do século 21, indivíduos com curso superior, pretensamente educados, e, além do mais, um ‘guardião da Constituição’ (sic), venha de público defender a excrescência dos privilégios corporativistas. Para não alongar muito minha indignação, relaciono algumas profissões que, além dos ‘guardiães da Constituição’, são visceralmente fundamentais para nosso bem-estar: Lixeiros - nos livram de pestes generalizadas ao cumprir suas obrigações; caminhoneiros - sem eles não teremos à mesa o alimento produzido no campo; médicos - estaremos todos mortos sem sua ação; agricultores - morreremos de fome se não plantarem; motoristas de ônibus - não poderemos nos reunir e viver em cidades etc.
Assim como o douto Joel Samways Neto, todos juntos compomos uma nação e, assim, todos merecemos os privilégios, ou ninguém deverá tê-los. Enquanto fizermos esta postura elitista tipo século 19, não sairemos do vergonhoso fosso em que nos encontramos. Por Júpiter, sejamos mais cônscios e justos.
- RUY PIGATTO, engenheiro agrônomo de Curitiba
O articulista Joel Samawys Neto responde:Não desmereço nenhuma das funções elencadas pelo leitor Ruy Pigatto (lixeiro, motorista, médico), mas as diferencio da função jurisdicional. Prefiro viver num país onde os magistrados sejam respeitados o suficiente para desempenhar sua função com independência e tranquilidade, mesmo que isso implique o gozo de prerrogativas, ou privilégios, funcionais, compatíveis com o contexto da economia nacional - não com excrescências corporativas -, haja vista que um juiz não pode exercer nenhuma outra profissão, exceto a de professor, mal pago (isso é outra questão digna de repúdio). Um engenheiro pode trabalhar de empregado ou pode ter sua própria construtora. Um juiz de Direito só pode ser juiz de Direito. Penso assim porque não formo minhas convicções apenas por referências da mídia. De todo modo, o importante mesmo é podermos expressar nossa opinião livremente. E, o que é melhor, sem perdermos o senso de humor. Por Júpiter.

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