O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Queimadas
No período do inverno aumenta o risco de ocorrência de queimadas, o que preocupa ambientalistas, autoridades e a sociedade como um todo. Milhares de metros de mata nativa são consumidos pelo fogo, reduzindo a capacidade de regeneração do solo. A incidência de queimadas na região Sul tem sido mais comum em julho e setembro. As queimadas não acontecem por acaso. Na maioria das vezes são provocadas pela mão do homem. Além da destruição da fauna e da flora, podem provocar desligamentos ou quedas de tensão de energia elétrica, principalmente quando ocorrem próximas às linhas de transmissão, resultando em corte de energia e prejuízo à sociedade.
O Departamento de Operações da Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A.) registrou de 1981 a 1996 duzentos casos de queimadas próximas a linhas de transmissão, provocando desligamentos e redução dos níveis de tensão no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A incidência maior foi registrada no Paraná, em segundo lugar ficou o Mato Grosso do Sul, seguido pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O fogo, próximo das linhas de transmissão, produzido pelas queimadas - recurso normalmente utilizado por agricultores para limpeza de terreno e renovação de pastagem - causa curto-circuito, interrompendo o suprimento de energia a hospitais, indústrias, escolas, estabelecimentos comerciais e residenciais, causando prejuízos à população e à economia da região atingida. O calor provocado pelas queimadas, que se estende às linhas de transmissão de energia, resulta na queima do oxigênio (ionização). Quando ionizado o ar perde a característica de isolante eletrico e transforma-se em condutor, provocando descarga elétrica entre os cabos de energia e o solo (curto-circuito).
- CLÁUDIO ÁVILA DA SILVA, diretor presidente da Eletrosul - Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A., Florianópolis
Enchentes
Estamos na primavera, a mais bela das estações, porque mostra a beleza das flores e o céu mais azul. No entanto, assistimos diariamente a divulgação, em toda a imprensa, do fenômeno El ni¤o, prevendo chuvas em abundância e enchentes, principalmente no Sul do País. Nos Estados Unidos da América, quando ocorre previsão de furacões, tormentas e enchentes, logo as autoridades, governamentais ou não, através da defesa civil, promovem a retirada da população da área a ser afetada e procuram, na medida do possível, programar a região, com o intuito de minimizar os danos a serem causados pelo fenômeno. No Brasil nem sempre há previsões com antecedência, e normalmente ocorre o sinistro para então correr atrás do prejuízo, tentar consertar ou recuperar o que sobrou.
Este é o momento adequado para pensarmos nessas enchentes, que poderão ocorrer até o final deste ano, e cobrar das autoridades (governador, prefeitos, deputados e vereadores) o desenvolvimento de programas preventivos, para evitar danos muito elevados no patrimônio da população pobre e que certamente será atingida pelas enchentes, se realmente elas ocorrerem. Em Londrina, por exemplo, apenas uma chuva na tarde de sábado já foi suficiente para carregar muita lama pela avenida Castelo Branco, deixando-a praticamente intransitável. Uma medida muito simples, como a limpeza dos bueiros daquela avenida e o desvio da enxurrada, poderia ter evitado esse transtorno e risco de acidentes para o pessoal que necessitava transitar naquela avenida, tendo em vista que a Faria Lima está interditada para uma importante obra. A rua Rosa Branca também foi vítima, mais uma vez, da enxurrada e lama, por falta de desvio da enxurrada e asfaltamento de um trecho de apenas 30 metros.
Na região, a BR 369, próximo ao centro de leilões Village, se o DER tivesse previsto que um dia choveria e realizado o desvio das águas pluviais, limpando as canaletas de escoamento, certamente não seria invadida pela enxurrada, fazendo com que os veículos tivessem que praticamente passar sobre aquele rio de lama que cortava transversalmente a rodovia. Por Deus ou por sorte ninguém sofreu acidente naquele local. O desvio da enxurrada, a limpeza dos bueiros e dos riachos que escoam as águas pluviais são obras de baixo custo, e que no entanto evitam tantos transtornos, que nossos governantes deveriam sentir-se sensibilizados e executá-las, pois assim poderíamos esperar o fenômeno El ni¤o com a expectativa de causar somente aqueles danos realmente inevitáveis.
- WANDERLEY POLLI, Londrina
Políticos
Deviam sê-lo por vocação. Jamais sê-lo por profissão. Lamentável fazer da política arte de bem governar o povo - escalada de poder, ou, pior ainda, mina de dinheiro. É o que desejaríamos fossem nossos políticos. É o que, infelizmente, sabemos não o serem. Observem aí - o panorama políticos do Brasil. Faltam trezentos e sessenta dias para as próximas eleições. E as manobras eleitoreiras revolucionam as mentes e dominam as vontades. A faina enorme que penetra o país se desenrola derredor dos futuros ambicionados postos de comando. Ou em vista dos futuros mananciais de lucros. Não há negá-lo: as máquinas rodam em busca dos mesmos secundários objetivos. A nação sofre a ânsia de poucos, enquanto a ânsia da maioria por condições melhores de trabalho e de sobrevivência, é jogada para o depois. Há exceções - honrosas e raras! - mas desafio quem demonstre o contrário. Pena é, e quão grande. Cabe-nos arguí-los - os políticos inteiramente alheios aos superiores interesses do povo. Tenham brio e brotem atenção nas presentes e nas futuras pretensões. Sejam políticos de fato, e não somente de nome. Trabalhem para a nação e não para si próprio. Serão abençoados nesta e noutra vida.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.





