O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Nem sempre miséria
O presidente da República falou, pela televisão, que a miséria no Brasil sempre existiu. É que antes passava despercebida porque a maioria da população vivia no campo e hoje acontece o inverso: a maioria vive nas cidades. Segundo suas palavras, a miséria, que antes vivia escondida nos campos, hoje está mais visível nas cidades. É falsa sua afirmação e dou meu testemunho contrário.
Nascido em 1942, vivi até os doze anos de idade no campo. Meu pai tocava lavoura de café no Estado de São Paulo. Na época predominava o colonato. Morávamos em colonia, casas seguidas, uma ao lado da outra, com amplo quintal, seguido de mangueirão para porcos nos fundos e na frente pastagem para o gado dos colonos. Plantava-se feijão e arroz nas palhadas, lugar destinado aos colonos para o plantio dessas culturas. Um homem era responsável por três mil pés de café e recebia do patrão pequenos adiantamentos mensais, que seria acertado no pagamento geral de final de ano pelo seu trabalho na lavoura de café. O fato é que tínhamos fartura, pois havia os porcos que davam a carne e a banha, o frango no quintal, ovos, leite e o mantimento dentro de casa, como chamávamos, sacas de arroz, de feijão. Havia ainda árvores frutíferas - tangerina, laranja, jenipapo, banana e jabuticaba.
A fazenda tinha cultura diversificada, entre lavoura de café e pecuária. Era dividida em seções, seção água limpa, relógio e macuquinho. Éramos muito felizes e não havia miséria como nos dias de hoje, quando grande parte da população encontra-se favelada na periferia das cidades, sem ter o que comer, o que vestir, desempregados e morando em situação precária, muitas vezes debaixo de lona, ponte ou viaduto.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Conquista dos idosos
Os trabalhos realizados com a população idosa, em diversos setores da sociedade e do poder público, são a grande possibilidade de se buscar a garantia dos direitos deste segmento. As mobilizações devem se dar a partir de pequenas iniciativas, com reuniões informativas e esclarecedoras da situação atual da população idosa, perante a alteração significativa da demografia populacional, nos agrupamentos comunitários de idosos, em diversas localidades do município, nos serviços de caráter asilar, filantrópicos, privados e públicos, com ênfase na qualidade e dignidade dos atendimentos prestados. As discussões sobre o processo de envelhecimento, além de ter início com a população idosa propriamente dita, devem levar em consideração a população infantil, o jovem e o adulto para que toda a sociedade, a partir do conhecimento, possa refletir sobre a questão do envelhecimento saudável e digno.
- MARIA ANGELA SANTINI, coordenadora do Programa de Atenção ao Idoso, da Secretaria de Ação Social de Londrina
Paralelo
A notícia espalhou-se em diversos jornais: uma cafetina de São Paulo aliciava menores, inclusive virgens, com idade acima de 12 anos. Houve denúncia e os culpados serão punidos. Que a justiça seja feita. Por outro lado, a considerada maior rede de televisão brasileira, em horário nobre, enaltece o trabalho da cafetina Zenilda, afetivamente chamada de mãinha. Na casa de campo tudo é permitido, inclusive leilão de camélias, que fisicamente aparentam ser menores de idade. Será que o que aconteceu na vida real não teve influência da novela? Essas meninas de doze anos, vendidas por dois mil reais, não se espelharam na Grampola da vida ou mesmo a cafetina de São Paulo na Zenilda? A televisão exerce grande influência, principalmente naqueles menos preparados para a vida.
- NELSON AVILA SIMÃO, Londrina
Consórcio
Sem dúvida, o sistema do consórcio caiu nas graças dos brasileiros, sobreviveu a planos de estabilização econômica, superou os maus administradores e comemora décadas de existência. É grande gerador de empregos diretos e indiretos e responde por grande fatia do mercado de bens duráveis. Para comprovar esse vertiginoso sucesso, o Governo resolveu desregulamentar o setor, mostrando que o sistema pode caminhar com passos próprios. É momento de fabricantes, administradores, trabalhadores e consumidores criarem um elo maior de confiança. Seguindo esta tendência de mudança, surge a necessidade de requalificação do profissional de vendas. Deve-se desvincular a idéia de picareta e criar a figura do corretor de consórcio, profissionais ligados a corretoras credenciadas, livres para escolher a melhor administradora que lhes convier, haja vista a grande demanda de ações na Justiça do Trabalho envolvendo profissionais do setor. Chegou a hora de retribuir a credibilidade dada ao sistema de consórcio pelos milhões de consumidores que acreditaram e acreditam e que merecem melhor atendimento.
- LUIZ FURTADO, Londrina
Correção
Na edição de quinta-feira foi publicada por engano, na página 5, foto do presidente da França, Jacques Chirac, como sendo do ministro extraordinário de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. A foto do ministro é a que está ao lado.





