O LEITOR ESCREVE
Acidente de ônibus
Com relação à reportagem ‘‘Acidente com ônibus deixa 4 mortos’’, publicada pela Folha no dia 21, gostaria de fazer os seguintes comentários. Com certeza o motorista ‘‘irresponsavelmente’’ conduziu aquelas pessoas para a morte, entre elas a minha esposa, Vera Regina Cardozo de Souza, 39 anos, mãe de três filhos, dois com 11 e um com 7. Afirmo isto porque ontem de madrugada, quando conduzia
o corpo da minha esposa de volta para a sua casa, em um caixão, estive no local e avaliei a situação. Somente alguém tão irresponsável e inconsequente poderia estar em alta velocidade e entrar reto naquela curva, sem ter condições de vencê-la. No hospital tive a oportunidade de olhar para a cara do sujeito, e falar-lhe do que acontecera com minha esposa e das condições dela. Ele me fitou friamente
sem esboçar qualquer expressão de arrependimento, ou pelo menos tentar demonstrar que sentia. Ainda virou a cara para mim.
Até quando existirá a impunidade para atitudes bárbaras como esta, no trânsito, e impunidade a grandes empresas donas de monopólios que transportam pessoas (ou diria coisas) sem a mínima preocupação com o ser humano. Hoje perdi minha amada e querida esposa, e outros perderam esposa, filho e filha. Só naquele acidente, muitas pessoas se inter-relacionaram por laços de parentesco e amizade e outras mais precisaram morrer ou ficar permanentemente mutiladas para que algum político ou jurista sério neste país possa realmente fazer alguma coisa verdadeira para preservar a vida e a integridade das famílias obrigadas a utilizar esse serviço de transporte.
Essa empresa de ônibus, a Pluma, é recordista
de acidentes e mortes. O que se pode fazer? Talvez nada, pois de alguma maneira todos estão comprometidos com o sistema. Uma vida foi ceifada e quatro vidas modificaram seu rumo. A perda irreparável jamais será compensada.
- ROBERTO AZAMBUJA, Londrina
Aumento proibido
Tramitam na Justiça centenas de demandas em que principalmente industriais estão requerendo a restituição de somas elevadas porque pagaram energia elétrica com aumento proibido de 35% durante o Plano Cruzado. As lides estão torpedeando as portarias 38/86 e 45/86, do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. Ilegais porque foram geradas em desrespeito aos decretos-leis 2.283/86 e 2.204/86, que implantaram o Plano Cruzado, e determinaram o congelamento geral dos preços em todo o território nacional.
Mesmo com o congelamento generalizado a energia foi cobrada com acréscimo. Uns depositaram em juízo, para discutir. Outros pagaram e hoje requerem a volta do dinheiro. O que encoraja os interessados são as decisões dos tribunais, em desstaque o Tribunal Regional Federal da Primeira Região que, em brilhante ordenamento jurídico, estabeleceu as bases destes feitos, que assim decidiu: ‘‘Padecem de vitalidade jurídica as portarias 38/86 e 45/86 do DNAEE, que majoraram as tarifas de energia elétrica, seja porque editadas em conflito com as normas do decreto-lei 2.283 e 2.284, de 1986, seja porque desprovidos de qualquer motivação’’. Se tudo estava congelado, o aumento foi ilegal e nada mais justo do que a devolução do que foi injustamente exigido.
- ORLANDO GOMES, advogado em Londrina
De quem é a praça?
Segundo conhecida música, a praça é do povo. Mas em Londrina não é bem assim, ao menos com uma delas, que tínhamos em frente ao nosso aeroporto. Ela não mais pertence ao povo. Tem outro dono e virou estacionamento. Quando se falou em reformas que seriam realizadas ali foi dita muita coisa. Falou-se inclusive na construção de um hotel, ampliação da área coberta para embarque e desembarque de passageiros (hoje tão modesta), aumento da pista de pouso. Ao invés disso, a primeira providência foi fazer da praça, que era do povo, um estacionamento onde o povo, outrora dono, tem de pagar para estacionar. É justo? Espero que a moda não pegue e outras praças não sejam repassadas também a terceiros e exploradas como estacionamento, enquanto o povo, se quiser passear, que ande no meio da rua.
- WILSON DUARTE, Londrina
Invasões do MST
Foi de uma felicidade impar o deputado federal Abelardo Lupion, PFL do Paraná, em seus pronunciamentos na Câmara Federal e aqui no Estado ao alertar os governos federal e estadual a respeito das invasões do MST em terras produtivas. A cada dia que passa o campo vive um barril de pólvora. Mais triste ainda foram as imagens de violência propiciadas na invasão da Fazenda Cordilheira, onde seus proprietários foram brutalmente massacrados até mesmo por mulheres dos invasores. Se a situação continuar dessa forma ficará difícil para os produtores rurais investir em suas propriedades. Somos favoráveis à reforma agrária, desde que não se concretize na base da violência como as mostradas na televisão. Difícil entender como o Paraná é tão visado nessas invasões. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina quase não acontecem.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
É primavera
A natureza engalana-se de cores. Os campos, vales e jardins cobrem-se de flores. Doce perfume embalsama o ar e os pássaros esvoaçam no espaço entoando cantos cheios de harmonia, de beleza e graça. Nossos corações exultam em sintonia com a policromia desse colorido disperso que transforma em poema, em verso, cada flor! É a estação da magia da criação do divino esteta. Para alegria dos poetas, encanto dos olhos, enlevo do coração. É primavera, o reflorir da terra, o esplendor da paz que, ao invés do horror da guerra, o amor nos traz!
- IRENE CRUZ CORRÊA, Londrina
Deficientes
Gostaria de sugerir que no caminho que beira o Lago Igapó fossem construídas algumas rampas para os deficientes, pois eles apreciariam muito. Verifiquei apenas uma, e é difícil de descer. Tenho certeza que eles namoram esta possibilidade. Obrigada pela oportunidade.
- TÂNIA M. RUSKI, mãe de deficiente, Londrina

mockup