O leitor escreve
O leitor escreve
Médico de família
Foi com surpresa e indignação que tomamos conhecimento do artigo publicado na Folha de 17/09/97, de autoria do sr. Luis Eduardo Cheida, na seção Espaço Aberto, sobre o Médico de Família, no qual o autor atribui o prêmio ganho pelo Programa Médico de Família da zona rural, ao Programa de Internação Domiciliar da zona urbana, que ele denomina também Médico de Família. O referido prêmio, intitulado Gestão Pública e Cidadania, representa uma iniciativa das Fundações Ford e Getúlio Vargas, tendo sido conferido ao Programa Médico de Família - zona rural em 19 de setembro de 1996, após pouco mais de um ano de implantação deste programa, como pode ser comprovado pela reportagem desse mesmo jornal, datado de 21 de setembro de 1996, página 4.
O Programa Internação Domiciliar foi implantado em 12 de setembro de 1996. Como poderia, em apenas sete dias de existência, prestar serviços, apresentar resultados e até mesmo ganhar um prêmio concebido por instituições tão renomadas? O referido artigo do sr. Cheida só demonstra falta de ética e de respeito aos profissionais dos dois programas, má fé em relação à veiculação de notícias e total falta de conhecimento quanto aos programas implantados em sua própria gestão.
O médico do Programa Médico de Família não mora mais nos distritos rurais graças ao bom senso da atual administração. Essa não reconhece o médico como todo poderoso e como solução de todos os problemas de saúde da população. Hoje a saúde é encarada como um processo. Determinada por muitas variantes e modos de vida.
Atualmente, o Programa Médico de Família chama-se Saúde da Família e o profissional médico é somente mais um componente que contribui no trabalho da equipe Saúde da Família (enfermeiro, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde, auxiliar administrativo, motorista e zeladores), tendo como atividades, além da internação domiciliar, a vigilância ambiental (campanha contra a dengue, educação em relação a lixo/fossas/água), atendimentos domiciliares de enfermagem, consultas do enfermeiro, consultas domiciliares (médico e enfermeiro), consulta médica na unidade de saúde agendada, busca ativa de faltosos e cadastramento pelos agentes comunitários de saúde, formação de grupos comunitários (hipertensos, diabéticos, pré-natal, planejamento familiar, puericultura, adolescentes,etc), visitas programadas aos sítios (consulta médica, atendimento de enfermagem, vacinação, vigilância ambiental e palestras), entre outras.
Até o momento, o Programa Saúde da Família continua a demonstrar e confirmar os resultados que lhe valeram o já citado prêmio, principalmente no que concerne à redução da mortalidade infantil na área rural, independentemente do médico estar residindo no local.
- SONIA MARIA COUTINHO, médica do programa Saúde da Família, e MARIA VERA GAMBERINI CARMONA, enfermeira do programa Saúde da Família, Distrito de Paiquerê, Londrina
Home page
Parabéns à Folha pelos novos visuais na sua Home Page. Está cada vez melhor, mais atraente e mais eficiente!
- REV. LUíS WESLEY, Kentucky, USA
Ônibus escolares
A mesma lei que impôs critérios de seguranca, limitou em 35 os ônibus escolares em Maringa. É hilário que nem nossos governantes acreditem na lei. Para que limitar em 35 os ônibus escolares em Maringá? Será que nem eles acreditam que não basta impor critérios de seguranca? Que garantia especial existe que um destes 35 ônibus não vai estar com manutenção adequada? Será que mais uma vez estamos vendo o monopólio do transporte urbano impedindo sua melhora? Todos dia alunos são tratados como sardinha em ônibus em Londrina, Maringá etc etc. Esta situação interessa a quem? Respeito à lei se faz com fiscalização, não com limitação de mercado. Oxalá Maringá possa ter um dia não 35, mas uma infinidade de onibus, criando empregos e levando gente para escola!
- EFRAIM RODRIGUES, Universidade de Harvard, EUA.
Heroínas
São poucas, diria, raras, as que o são de verdade. Vejam a história - profana e sagrada. Pois que, conforme a definição dos Iéxicos, heroína é a mulher de valor extraordinário. Não é aquela que a mídia e o povo fabricam, por simpatia, ou por causa disso ou daquilo. O valor da pessoa humana não está fora dela, mas no seu ser - manifestado nas suas ações. Vejam vossas obras boas e por elas glorifiquem o Pai Celeste, são palavras do Mestre de Nazaré. Heroínas, portanto, são as mulheres que enchem a vida de obras fora do ordinário.
Não são muitas. Temo-las, porém, em todos os tempos. Hoje, também. No mundo universo, no Brasil, e - quem duvida ? - em Londrina. Nem preciso é que sejam conhecidas e aplaudidas. Nem que pontifiquem em jornais e revistas, e na televisão. Basta que o manifestem na rotina do dia-a-dia. Quando tal acontece na roupagem da pobreza e da humildade então o extraordinário cresce, e aí vale redondamente - o H heroínas. Minha digressão quis revelar o heroísmo de duas mulheres extraordinárias que o mundo contemplou e canonizou na admiração e na veneração. Já adivinharam os leitores. Têm nome: Irmã Dulce de Salvador e Madre Tereza de Calcutá. Extrapolaram o comum do valor humano. Na santidade de vida e na dedicação extrema. Viveram na loucura da caridade. Somaram benefícios sem conta. Pensaram, dia e noite, nos outros, sobretudo nos que sofriam a doença e a miséria. Por isso mesmo arrebataram a simpatia universal. E o reconhecimento de todos, sem distinção de cor, de língua ou de culto. A bondade não tolera limites. Elas o sabiam e elas o demonstraram. Enriqueceram o mundo. Provaram soberanamente que a bondade e a verdade não tomam medo de ninguém, fiquem presentes nos nossos olhos e no nosso coração - presença soberba e fascinante. E, queira Deus, um tantinho ao menos, no nosso viver cotidiano. Importa nada sejamos heróis ou heroínas. Basta que sejamos bons.
- EDUARDO AFONSO, Londrina





