O LEITOR ESCREVE
Um ano sem Elias
Há um ano o Paraná, mais especificamente a educação, perdia, vítima de pavoroso acidente automobilístico, o educador Elias Abrahão. Morreu no vigor da sua obstinada luta em prol da melhoria do ensino no Brasil. Vi - horas antes em suas mãos - o anteprojeto que instituía o Fundo de Apoio e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, cuja relatoria por direito lhe pertencia. A morte foi mais rápida e cruel e o Elias não pôde ver completa sua obra. Mas o sonho acalentado tornou-se realidade, através da Lei nº 9424, de 24 de dezembro de 1996, que entra em vigor em todo o território nacional em 1º de janeiro de 1998, trazendo com ele uma melhor redistribuição dos recursos à educação fundamental.
Tornar a escola um espaço de felicidade, esse foi o seu mote quando Secretário da Educação e convocava os educadores para percorrer com ele os caminhos da esperança. Era vocacionado para as lutas em favor dos educadores. Deixou no seio da classe a certeza de que o governo reconhecia o trabalho solidário do magistério e ele, somente ele, poderia, através de ação democrática na escola, instituir um projeto pedagógico consistente. Semeou otimismo. Acreditava, como ninguém, na educação como fator determinante da mudança social e da transformação do homem. Foi um semeador, procurando em suas ações (e que não foram poucas) à frente da Secretaria da Educação, humanizar a relação poder público/professor/educando.
Não era possível alguém ficar apático diante da personalidade forte do Elias. O seu sorriso era peculiar, contagiante e seu rosto era o de um homem de bem com a vida e que fazia do seu caminhar uma eterna prática de esperança. Tinha convicção política arraigada, sem nunca ser sectário, pois acreditava que toda a verdade é esférica e, em razão disso, tinha profundo respeito com aqueles que dele divergiam. Era cidadão do mundo e a educação do Paraná, passado um ano, ainda chora a falta do ‘sonhador’, dando-nos a certeza de que a lembrança, quando é sentida, vale a pena lembrar.
- ALTEVIR ROCHA DE ANDRADE, delegado do MEC no Paraná
Visita do papa
Faltam poucos dias para a chegada de Sua Santidade João Paulo II ao Brasil. Ele desembarca dia 3 de outubro no Rio de Janeiro para o 2º Encontro Mundial do Papa com a Família, que servirá como lema para o 3º Milênio. O difícil mesmo é acreditar que agora, como sempre acontece quando da visita de celebridades, os governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro se mobilizaram para tirar das ruas os mendigos, pedintes e excluídos da sociedade, para encobrir a realidade e tapar o sol com a peneira a realidade em que vive o povo brasileiro, especificamente o Rio de Janeiro onde Sua Santidade irá ficar. Talvez Sua Santidade não saiba tudo , porém os milhões de desempregados, sem teto, sem educação, sem saúde, sem computadores, sem valores, sem cidadania, participarão da reunião de família? Ou terão acesso ao encontro somente as elites com o representante de Jesus na terra? Como se isso não bastasse a Arquidiocese do Rio de Janeiro contratou para cantar a música ‘‘Ave Maria’’ a cantora Fafá de Belém. Não sabemos o valor do cachê. Infeliz idéia da Arquidiocese, pois poderia valorizar aqueles artistas que representam o verdadeiro amor de Jesus e o espírito cristão, sem passar pelas síndromes da ganância, dinheiro e o retorno financeiro. Tudo por dinheiro.
Daqui torcemos para que Sua Santidadepossa ter um encontro com os humildes e carentes do Rio de Janeiro, até mesmo com a Associação dos Mendigos, que entrou na Justiça para permanecer nas ruas o seu habitat, pois como todos sabem, continuamos separados pelo enorme abismo social e ainda um completo obscurantismo ambiental principalmente nas grandes cidades, onde corremos um sério risco de ter milhões de veículos e não ter ar para respirar.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba

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