O LEITOR ESCREVE
Comando jovem
Um menino que habita a favela do Parolin e que me apontou um revólver calibre 22, sexta-feira 13, às 17 horas, em frente à minha casa, na rua professor Rubens Elke Braga, me deu uma notícia que pode interessar às autoridades que deveriam cuidar da segurança pública. Enquanto me rendia com sua arma letal, que acabara de retirar de um coldre, o menino branco e aloirado disse que sua quadrilha era parte da CJP. Sem eu perguntar, ele anunciou com insistência que a sigla quer dizer Comando Jovem do Parolin.
Tentei argumentar que aquele assalto à luz do dia era uma coisa muito feia, ainda mais porque eles e seus outros quatro companheirinhos tinham me assaltado na véspera, desta vez às 21 horas, na mesma rua do Parolin. Ora, essa minha interjeição absurda acabou aborrecendo um outro garoto que me apontava uma garrucha de dois canos, entupida de chumbinho até a boca, arma mais perigosa que um calibre 38, segundo especialistas.
Nervosos por estarem mais audazes em assaltar de dia, na frente de toda a vizinhança, os marginaizinhos armados passaram a resolver se deveriam obedecer à voz do resto da quadrilha, que dizia ‘Queima, queima’. Acabei cedendo aos apelos de ‘Tira, tira’. Levaram-me uma japona de R$ 140 e um par de tenis de R$ 150. Somados com um casaco de R$ 170 e R$ 30 em espécie, dá quase uns R$ 500 de prejuízo em menos de 24 horas.
Chamei a PM, que tem apenas um carro para patrulhar toda a área da favela. Chegou em poucos minutos e demos uma busca dentro da favela. Vi pelo menos uns 250 suspeitos com as mesmas características da quadrilha. Não apontei ninguém porque naquele momento seria inconveniente identificar pessoas inocentes como criminosos perigosos.
Fui no dia seguinte dar queixa na delegacia especializada em furtos e roubos. Ficaram de dar uma passada por lá para ver se viam alguém ou a quadrilha inteira. Na delegacia de menores um escrivão me falou que a queixa só pode ser registrada se eu souber nome e endereço completos do pessoal da quadrilha. Pelo sentimento de impotência frente à morte pelas mãos de menores carentes, decidi que vou me mudar. Não pretendo ser a próxima vítima do CJP. Eles que cresçam e apareçam.
- FERNANDO FAGUNDES FERREIRA, de Curitiba
Isenção do IPTU
Nada tenho contra o projeto, que tramita na Câmara de Vereadores, isentando do IPTU os estabelecimentos comerciais instalados no Catuaí Shopping Center. Pelo contrário, sou a favor do projeto, desde que ele se estenda a todos os estabelecimentos localizados no perímetro urbano de Londrina. Afinal, Londrina é um gigantesco Shopping Center. Numa análise isenta de paixão, qualquer um conclui que o Catuaí é o menino rico. É lá que estão multinacionais responsáveis pelo fechamento de dezenas de estabelecimentos comerciais no centro da cidade. É lá que estão as lojas mais sofisticadas e é para lá que convergem os compradores e visitantes que antigamente utilizavam o centro. Hoje eles utilizam a BR-369, tomam a Rodovia Celso Garcia Cid, no trevo de Cambé, e seguem para o Catuaí, assim como quem vem das regiões Norte e Sul. E o centro de Londrina fica às moscas. Conclamo a todos os comerciantes a lutar pelo movimento sem IPTU.
- DURVALINO CESAR, Londrina
Mototáxi
Nos últimos dias, ganhou manchete a idéia de se colocar no mercado um novo tipo de serviço: o mototáxi, transporte público de passageiros através de motocicletas. Apesar do Código Nacional de Trânsito fazer referência expressa ao automóvel como único veículo destinado ao transporte individual de passageiros, nos últimos tempos vimos crescer um movimento de pressão política visando introduzir esse serviço. Repentinamente, dezenas de motocicletas proliferam nas ruas da cidade, fazendo o transporte remunerado de passageiros. Sem as mínimas condições de segurança e sem autorização legal para funcionar, desafiam as autoridades, entram em confronto com a polícia e fazem chantagem com políticos, ameaçando boicotá-los nas eleições se deles não tiverem apoio.
E a segurança? O Código de Defesa do Consumidor, criado através da Lei 8.078/90, determina que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde e segurança do consumidor. Esta preocupação, no caso dos mototáxis, encontra correspondente no velho Código Nacional de Trânsito, que estatui uma série de cautelas destinadas a garantir a segurança do passageiro. Os mototáxis nada disso oferecem. Nunca é demais lembrar que os acidentes de trânsito são responsáveis pelo maior número de mortes no Brasil e no mundo. São também responsáveis pelo maior número de despesas com internamento e atendimento hospitalar. Nesse quadro, a motocicleta se destaca como um dos maiores causadores de acidentes.
- FLÁVIA C. PEREIRA é procuradora jurídica da AMUSEP e ex-chefe de atendimento do PROCON de Maringá
Capucho
Êta Londrina! Boa de letras e de sons. Agora é Capucho o Neo Som! Brinca com palavras ao ritmo musical...
Um beijo pra Cris e a Érica, que cantam a minha ‘‘Mente, Mente’’ (também gravada pelo Arrigo Barnabé).
- ROBINSON BORBA, São Paulo
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

mockup