O leitor escreve

Bizarrice
Um misto de indignação e decepção se abateu sobre mim ao ler a coluna do conceituado jornalista Luiz Geraldo Mazza, publicada na Folha dias 26 e 27 de agosto. Indignação por ver o esporte de Cambé ser usado como motivo de gozação e pilhéria em jornais de grande circulação. Decepção por ver inverdades publicadas por um jornalista que sempre admirei e que revela agora ter uma pobre fonte de informação.
Nem de longe imaginava que pudesse alguém utilizar precioso espaço em nossa mídia para fazer brincadeira denegrindo a imagem do nosso Cambé Atlético Club, equipe de futebol da nossa cidade que marcou época na história do esporte no Norte do Estado. Aquela escalação publicada nunca existiu. Nenhum atleta que defendeu nossa equipe tinha aqueles apelidos jocosos que, ao que parece, devem ter surgido em mesa de um botequim qualquer.
Participo do esporte de Cambé desde 1950, como atleta (meia boca), técnico (eficiente) e membro da crônica esportiva (conceituado) e posso afirmar: Nunca uma equipe da nossa cidade teve aquela escalação citada, a não ser o grande Pacífico, tranquilo meio campista que veio do E.C. Água Verde, de Curitiba, para jogar no Guarany de Cambé. Os outros apelidos originaram-se de pura imaginação de algum gozador.
Ao invés de brincar com o nome do glorioso Cambé Atlético Club, criando apelidos que nunca existiram, por que o ilustre jornalista não abre espaço para enaltecer grandes jogadores que aqui nasceram ou por aqui passaram? Como Mimim e Nelsinho, ala esquerda que encantou todo o Norte do Estado na década de 1950; Jones, centroavante que o Noroeste de Bauru veio buscar para reforçar sua equipe para o Campeonato Paulista; Guará, que veio jogar aqui depois de passar pelo Flamengo, do Rio de Janeiro; Toni Carleto, hoje diretor do Atlético Paranaense, que nos anos 50 só não foi jogar no São Paulo porque seu pai não permitiu; Juvenal, lateral que o Londrina levou para ser campeão paranaense em 1962; Péricles, que saiu de Cambé para jogar no Atlético Paranaense; Cambé, garoto da terra que brilhou no Atlético, Londrina e equipes de Santa Catarina; Marquinhos, que saiu de Cambé, foi para o Londrina, Coritiba e sagrou-se campeão pelo Botafogo do Rio. Além de Pitico, Toninho, Carlinhos, Orlandinho e outros, que sempre despertaram a cobiça de grandes equipes da região e de outros estados. Outro detalhe: O Estádio José Garbeline sempre teve um dos melhores gramados do Estado e é impossível que surjam nuvens de pó na grama.
- WANDERLEI DE FREITAS, responsável pelo Departamento de Esportes da Rádio Jovem Pan - Cambé
O jornalista Luiz Geraldo Mazza responde:O futebol é como calidoscópio, mágico. Um jogador como Gradim, de São Paulo, tinha o apelido de ‘Amélia’, por causa da sua dedicação, e não se o utilizava na escalação. O mesmo ocorria com Orlando, quando se o chamava de ‘Pingo de Ouro’, meia esquerda do Fluminense ou o ‘Enciclopédia’ para o Nilton Santos. No Coritiba houve o caso de Ivo Rocha, que jogou também no Atlético, e que era em certos públicos, principalmente o interno, chamado de ‘Cavalo de Pau’; o Raul, paranaense também, goleiro do Cruzeiro de Minas, era ‘Vanderléia’, apodo dos atleticanos e de pura inveja.
Publiquei a curiosa escalação do Cambé sem qualquer intenção ofensiva e que não fosse mostrar essa dimensão surreal permanente do futebol. Com um detalhe: o arquiteto Sola, que é de Cambé, me fez o relato num momento de nostalgia e amor pela terra e sem qualquer sinal de deboche. E estávamos realmente num bar, pois não ficaria bem tratar desse assunto afetivo numa igreja ou lugar solene.
Tive e tenho amigos em Cambé. Um deles o artista plástico que leva o nome da cidade com orgulho, o Jaburu, ex-vice governador, o saudoso Roberto Conceição, ex-prefeito Luís Carlos Hauly, um dos nossos melhores parlamentares e tantos outros. Por respeito à cidade e a eles não agiria com intenção maldosa. Tenho, aliás, contado coisas igualmente bizarras da minha terra, Paranaguá, como de Curitiba, a quem amo e critico permanentemente.
Restauração
É bom ter notícias da nossa terra aqui de tão longe. Gostamos de saber que o Guilherme Puppo agora faz parte do quadro da Folha de Londrina. Quanto a transformação do edifício central da UFPR em Centro Cultural, achamos que já estava na hora. O predio é uma referência a Curitiba que, por absoluta falta de recursos da UFPR (massacrada pelo MEC em seus orçamentos) estava se deteriorando a olhos vistos. Nada mais justo que a comunidade, representada pela Prefeitura de Curitiba, ajude a recuperar esse símbolo, que deve ser entregue ao povo curitibano. Nós, que estamos aqui na Espanha fazendo Doutorado em Comunicação há quase um ano (nos resta mais um ainda), sempre damos uma olhada na Folha de Londrina para ver as novidades do Paraná. Algumas notícias são muito agradáveis. Esta é uma delas. Vamos ver se os planos de transformação do antigo prédio se realizam.
- CLAUDIA QUADROS E ITANEL QUADROS, Universidade de La Laguna/Canárias/Tenerife/Espanha
Trégua
Os leitores da Folha certamente se surpreenderam com a manchete da página 5 do primeiro caderno da edição de sábado: ‘‘Requião e Osmar dão trégua a Lerner’’. O termo se traduz como suspensão temporária de hostilidade. Em tempo de guerra seria um cessar fogo por alguns dias, cuja estratégia é ganhar tempo, com a finalidade de suprir as forças e recomeçar a luta com mais violência. O pior dessa guerra política, além do egoísmo das partes em conflito, é o povo que sempre sofre as consequências resultantes. A trégua nesse campo ou nesse ringue é como se fosse o intervalo de um round. Na continuidade do embate, os nocauteados são os eleitores que os elegeram. É recomendável, até exigido pelo povo, o bom senso. Que os senadores e o governador usem o tempo da trégua para reflexão, com espírito de paz. Afinal, foram eleitos para trabalhar harmoniosamente, em benefício de um Estado e de um povo.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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