O LEITOR ESCREVE
Senso comum
Se fosse para escolher um (apenas um) problema ao qual pudessem ser debitadas todas as mazelas do mundo, o senso comum ganharia disparado. Responsável por grande parte da desarmonia e do desequilíbrio do nosso mundo, o senso comum leva suas vítimas a só ver o que todo mundo vê, a comprar o que todos compram, a ir aonde todos vão, a pensar o que todos pensam. O indivíduo massificado, que se fia no senso comum, só muda de opinião quando este também muda, ao sabor das épocas, dos lugares e da moda. José Ingenieros (nada a ver com reengenharia) observou que as pessoas adoram o senso comum, sem saber ao certo em que consiste. ‘‘Confundem-no com o bom senso, que é sua síntese’’.
A mais recente mania do senso comum é confundir instinto com intuição e alienação mental com ‘superação do intelecto’, rejeitando sistematicamente os conceitos elaborados em favor do jogo vicioso e estagnante dos lugares comuns. Foram Platão e Aristóteles que lançaram as bases da crítica ao senso comum, defendendo o conhecimento elaborado contra o conhecimento imediato e fundamentado na opinião. Para Platão, a intuição genuína só pode aflorar quando depuramos nosso senso das coisas das grosseiras generalizações e impurezas do senso comum. Esses dois gigantes já enxergavam mais longe que qualquer uma das próximas e repetitivas 52 missões programadas pela NASA possa chegar. Sem dúvida eles emitiram mais luz que todas bombas e usinas nucleares facilitadas por Einstein (e sua pose pseudo-erudita de violinista). E se mais gente captasse essa luz, entenderia que humildade pode ser aferida pela quantidade de vezes que alguém abaixa a cabeça sobre os livros antes de dizer besteira.
Mas é bobagem insistir neste ponto. Quem se identifica com o senso comum - a começar por seus inúmeros guardiões - são os primeiros a não perceber sua ilusão. Para os olhos da formiga só pode existir o formigueiro: é seu mundo, seu óbvio, seu bom senso.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Ambição
A ambição faz parte da personalidade humana. Ela é plenamente aceitável quando se manifesta de modo que não prejudique quem quer que seja. No caso, torna-se até necessária, porquanto aquele que não a possui é dominado pela apatia e fica impossibilitado de alcançar o progresso, transformando-se num ser despido de aspirações, num inútil a si e à sociedade. O poder, a riqueza, um futuro melhor são alguns dos alvos da ambição. Mas tudo tem que ser bem dosado. Os excessos levam a resultados imprevisíveis e muitas vezes revestidos de grandes dissabores.
Os procedimentos dirigidos à conquista de certos valores, com vistas somente ao bem-estar próprio e que olvidam o que pode suceder de mal a coisas e pessoas constituem-se em conduta altamente reprovável. Um exemplo de ambição que não deve ser posto em prática acaba de ser mostrado por fotógrafos que, embora indiretamente, causaram a morte da princesa de Gales e outros três inocentes. Aqueles profissionais, à cata de milhões de dólares, produto do sensacionalismo, não pensaram duas vezes e partiram para a ação.
A vítima era a de sempre. Aquela que se tornara, há muito, fonte quase inesgotável de incontrolável cupidez. Mais uma vez, gostasse ou não, ela iria ter a imagem publicada em inúmeros jornais e revistas do mundo. As fotografias teriam peso de ouro, iriam proporcionar lucros fabulosos. Iriam, se não tivesse acontecido o fim trágico da princesa.
- DARIO LIVINO TORRES, Curitiba
Saúde doente
A modernidade tecnológica não pode salvar o homem de morrer de fome ou pela falta de recursos tão necessários à própria sobrevivência, mesmo na era do computador. Qantas pessoas são notícia nos meios de comunicação, despertando a atenção da sociedade para suas humildes vidas ceifadas sem o devido atendimento médico? Aliás, a saúde está doente, e sem falar dos que sucumbem de frio nas madrugadas de inverno por faltar um simples agasalho, vitimados pelo câncer do descaso e da ineficiência.
Os problemas individuais afetam direta e indiretamente a coletividade e suas necessidades de moradia, saúde, alimentação, educação, segurança, cultura, trabalho, espiritualidade e outras são implacáveis à medida em que o mundo e a humanidade evoluem destruindo fronteiras da ignorância e do desconhecimento. Nem toda sabedoria é resultado da verdade, mas é parte dela. Acaso tivéssemos o dom de sondar rins e corações, isto é, conhecer o pensamesnto e a intimidade das criaturas, não mais estaríamos expostos à irradiação da mentira e da corrupção à qual nos submetem.
Os abutres vampirizadores do País tratam o povo como mero detalhe. O homem não é objeto descartável. Salvar vida é ação humana e depende de boa vontade. Enquanto não aprendermos a tratar o homem como o maior patrimônio da vida, não passaremos de uma nação agonizante e enferma a esperar um recurso drástico, a eutanasia política e social, que se convulsiona lentamente entre a corrupção e o salve-se quem puder. Esperamos que isso nunca aconteça e que não seja preciso para acordarmos. Deus salve o Brasil e sua riqueza maior: sua gente.
- VALDEMI GOMES DE BRITO, Londrina
Policiais
A presença de policiais no centro da cidade é a maneira mais eficaz de evitar os assaltos e a ação de punguistas. As vítimas preferidas são jovens e pessoas de idade. A policia deve preocupar-se com duplas e grupos de marginais que andam no centro, na ociosidade, e acabam se especializando em delitos pequenos que vão se agravando pela impunidade.
- SIDNEY BELIZÁRIO DE MELLO, Londrina

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