O LEITOR ESCREVE
Cumpra-se a lei
Tenho acompanhado pela imprensa os problemas entre os chamados sem-terra,
proprietários rurais e agora também o recém-criado Movimento Nacional dos Agricultores do Mato Grosso do Sul, em confronto em São Jerônimo da Serra, onde houve troca de tiros e, agora, em Jundiaí do Sul. com vários feridos e com proprietários amarrados e mantidos em cárcere privado. Dia 3 li na ‘Folha’ matéria da advogada e pecuarista Ruth Slaviero Kaesemodel, que, com precisão, apresenta o grito dos proprietários rurais para o cumprimento da lei e nada mais. Cumprindo a lei evitaremos abusos cometidos, muitas das vezes, por sem-terra, testas de ferro de cabeças ‘pensantes’ que nunca saem na linha de frente, quase sempre interessados apenas na mídia e até com fins político-eleitoreiros.
A Constituição Federal de 1983, no artigo 5º, diz: ‘‘Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à segurança e à propriedade.
Temos visto uma passividade dos governos federal e estadual, preocupados com a possível repercussão política que o caso possa ter, permitindo que os sem-terra, liderados por uns poucos, cometam crimes contra a Constituição Federal, que garante o direito à propriedade. O proprietário poderá defender sua propriedade usando de todos os meios necessários, inclusive reagindo com violência, pois não é permitido que se faça justiça com as próprias mãos, já que o poder público tem se mostrado omisso.
A prosseguir o quadro atual teremos derramamento de sangue a curto prazo, podendo chegar às raias do descontrole total, já que o Governo não age enquanto é tempo. Faltam vontade política e determinação para o cumprimento da lei. Ao governador Jaime Lerner vai um alerta: Faça cumprir a lei, sob pena de ver o Paraná fugindo do eslogam governamental de ‘‘A transformação que a gente faz’’ para ‘‘A transformação que a gente v꒒ para o lado da baderna e do descumprimento da lei. O Paraná dá exemplo com a melhor Polícia do Brasil, o Grupo Tigre, pois sequestro aqui não tem vez. Que seja assim com a reforma agrária, só dentro da lei.
- ODAIR BUZATO, advogado em Bandeirantes
Sorriso fácil
Principio invocando Vieira: ‘‘Dizer as verdades que os outros dizem não é ação que mereça singular amor. Mas dizer as verdades que os outros deixam de dizer, quem isto faz merece ser singularmente amado...’’ Incontáveis pessoas, mormente em nosso meio, são perigosamente falsas. Essa falsidade é regada a ‘sorrisos mecânicos’, aperto de mão mole, com acentuadas pitadas de inveja e ciúme. O que é pior, essa postura é levada a se fazer passar como ‘sinônima’ de ética. Trata-se, em verdade, de estelionato ético... Admite-se comportamento ético divorciado da sinceridade ou da verdade? Reprovamos tais ‘linhas comportamentais’. A pessoa que se aproxima emitindo conceitos negativos de outra, leviana e inconsequetemente, logo cai em desgraça com todos e de resto consigo própria. Ela é sempre recebida com reservas e até mesmo com certa compaixão. Inevitavelmente vêm a reflexão e o temor: ‘‘Se diz leviandades a respeito de outros, fatalmente nos incluirá nesse repertório...’’
Dia destes, enquanto pregávamos união entre colegas para um órgão de classe realmente forte, recebemos notícia de um desses comentários predatórios. Desconfortável, mas não tão desagradável aos nossos sentidos porque, acostumados a contendas, ingratidão, injustiça e inclusive a nos apiedarmos dessas misérias humanas. O inusitado estava exatamente pelo fato desse predador se dizer professor universitário. Cingimo-nos a asseverar ao portador do comentário: ‘‘Essa atitude, além de não construir um mundo melhor, é indígna. Diferenciar opiniões sérias, baseadas em dados concretos e provados, julgamentos técnicos de imposições de vontades pessoais (sem ressentimentos, frustrações, ciúme, ódio, inveja etc.) é que diferencia sábios dos néscios’.
Dedicamos este artigo aos que querem fazer coisas e temem o ácido corrosivo dos comentaristas predatórios. Tivesse a humanidade se deixado guiar por eles, estaríamos no tempo das cavernas comendo carne crua. Por certo, o primeiro ser humano que ousou levar ao fogo um naco de carne para assar deve ter tido esse tipo de problema.
- ELIAS M. ASSAD, Curitiba
Brasil em ação
A respeito da matéria que a ‘Folha’ publicou dia 30 de agosto, sob o título ‘‘FHC investirá mais no social durante a eleição’’ lançando o programa ‘‘Brasil em ação’’. O povo deveria mesmo entrar em ação e ficar atento aos acontecimentos. Será que isso não é mais uma jogada política para enganar o povo mais uma vez? É tão bonito subir no palanque ou aparecer na TV dizendo: ‘‘Liberei milhões para a Saúde, milhões para o custeio, milhões para a política fundiária, só para parecer que é o candidato ideal, o bonzinho. Por que investir tanto só em ano eleitoral? Aí tem... Será que vão prestar conta sobre onde são aplicadas as verbas do CPMF, IPVA e outros tantos imopostos? Onde conseguem tanto dinheiro para comprar votos de deputados (mercadoria caríssima)?
Quando esses políticos terão um pouco de dignidade para prestar contas ao povo que os elegeu e deixar a minoria de bons políticos trabalhar em paz sem sofrer pressão para entrar em esquemas. Que bom seria se todos os políticos seguissem sua ideologia e não a trocassem por interesses, mudando de partido e virando as costas para seus eleitores, que às vezes enfrentam todo tipo de sacrificio para os eleger e depois ficam ‘órfãos’ sem ao menos ouvir uma explicação convincente. Se assim continuar vou acabar achando que o título de eleitor deixou de ser documento importante.
- ADEMIR DE OLIVEIRA MENDONÇA, Centenário do Sul
Informe Folha
O Informe Folha de ontem, dia 10, estava ótimo, bem diversificado, com notícias de políticos da capital, Foz, Londrina, Cascavel e de outras áreas. Cumprimentos para Mari Tortato.
- ANTONIO BELINATI, prefeito de Londrina
Correção
O último parágrafo do artigo ‘‘Impeachment em Santa Catarina’’, de autoria de Antonio Edving Caccuri, publicado na edição de ontem, na página 3, saiu truncado. O correto é: ‘‘Aceitando como legítimos argumentos ilegítimos, o Supremo Tribunal Federal produziu uma liminar chocante. Por meio dela, interferiu indevidamente na autonomia do Poder Legislativo de Santa Catarina e desmantelou o impeachment que ele vinha promovendo, no exercício regular de sua competência constitucional, como observância das normas estaduais legitimamente aplicáveis à matéria.

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